... Subentenda-me: julho 2018

terça-feira, 10 de julho de 2018

O mês dentro do próprio mês

Será que eu tô me entendendo melhor hoje em comparação há um mês atrás? O que pode acontecer em um mês pra me modificar? 

Que bobagem, as coisas não precisam de tempo pra acontecer.

A todo instante eu tô atribuindo um significado novo a algo nem tão significativo assim.

É, eu gosto disso, significados. Gosto da palavra e do significado que significado tem pra mim. 

E aqui estou, agora, significando um mês, um período, dando relevância ao tempo mesmo, contraditoriamente, achando que eu não preciso mais de tempo pra nada.

Eu sempre deixei muita coisa nas mãos do tempo, e ao mesmo tempo, eu sempre senti que não tinha tempo. Logo, as coisas não estavam nas mãos de quem deveriam estar. 

Deixei o tempo resolver, né? E sim, ele resolve. 

Mas o paradoxo tá aí, eu confio no tempo querendo atropelar ele o tempo todo.

Eu digo que o tempo conserta, mas eu estrago tudo querendo ultrapassar o tempo das coisas. 

Outro dia meu chefe, tão filósofo, tão irritado, tão imprevisível, parou pra dar uma aula e lançou um trecho que deve ter lido em algum livro que o coach dele deve ter indicado pra ele ser uma pessoa mais equilibrada:

"A depressão acontece quando a gente vive 60% no passado, 20% no presente e 20% no futuro.
A ansiedade acontece quando a gente vive 20% no passado, 20% no presente e 60% no futuro,
A felicidade acontece quando a gente vive 20% no passado, 60% no presente e 20% no futuro."

Diagnostiquei minha ansiedade na hora. Como se eu não soubesse.

Acreditar no tempo é necessário, mas por que eu insisto tanto em querer atropelar as coisas?

Ao fazer esse questionamento e não encontrar resposta eu decidi tentar.

Tentar não pensar no fim de semana, tentar não fazer planos pro meu dinheiro, tentar ser mais tolerante com o defeito dos outros porque o amanhã é totalmente desconhecido.

Foi o mês que me levou a esse questionamento? O que teve esse mês de tão importante pra me desacelerar, afinal?

Acho que teve eu observando a relatividade do tempo, os dias mais dinâmicos, as convivências mais intensas, as responsabilidades mais presentes.

Na verdade, teve eu sentindo a vida e não a existência.

Eu sempre signifiquei os meus momentos. É como se eu me sentisse muito importante por viver algumas coisas.

Por exemplo, quando eu era pequena e de repente cresci o suficiente pra andar de ônibus sozinha.

Eu achei aquilo um marco na minha história. Aquilo não era simplesmente um deslocamento, um meio de transporte me levando a algum lugar, aquilo era a representação da minha independência.

É claro que existem outros marcos, como quando eu dirigi pela primeira vez, quando fiquei bêbada pela primeira vez, quando beijei pela primeira vez.

E assim por diante.

Mas agora preciso dizer que o que esse mês me fez foi me trazer novos marcos e de um jeito sutil, natural, que não me faz querer deixar de apreciar pequenos acontecimentos.

Esse mês, definitivamente, me fez querer estar nele antes do mês seguinte. 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Mais uma conversa com meu eu do futuro

Se eu pudesse te dar um conselho, Ana Carolina do futuro, certamente seria pra administrar melhor as tuas reações, os teus ímpetos de justiça que tiram o teu controle sobre como agir, ou, no caso, reagir, com classe. Mas presta bem atenção, é só pra respirar fundo, deixar a poeirinha baixar, expor teus argumentos, ouvir uma ou duas chorumelas sem se deixar convencer, e sair... Graciosamente.

Entendeu? 

Não tô te falando pra não sentir. Sinta! Continue sentindo. Sentir é o que te move. Reaja, sim, pautada nos sentimentos, mas, acima de tudo, decida a partir do que teus olhos veem, e não do que os teus ouvidos ouvem. Isso é muito, muito importante. E acho que até agora temos feito o que é certo.

A verdade é que, fazendo uma análise do nosso contexto atual, temos que sentir orgulho de quem nós somos. Sim! Porque até agora, apesar de algumas atitudes impulsivas, nós fomos muito fiéis a nós mesmas. E, ora, sendo quem nós somos, eu não esperava menos da gente. 

Porque não é fácil apreciar as coisas sob uma perspectiva interior e sensível. A partir dos valores que nós temos e queríamos que todas as pessoas do mundo tivessem. E aqui vai mais uma dica, que sobrou meio chamuscada no fim da última erupção vulcânica: no expectations! 

A origem da lição é meio bad, mas bastante válida. Sim, afinal, por que esperar? E, mais do que isso, por que esperar de ALGUÉM, qualquer coisa? Não cai mais nessa, por favor. A decepção só é evidente porque esperamos. Esperamos porque, ingenuamente, pressupomos que belas palavras também dão origem à belas atitudes. Não se engane mais, isso só serve pra gente, porque nos conhecemos intimamente e sabemos que se falamos, agimos. É assim que somos e nada vai mudar. Mas os outros? Ah, os outros falam sobre lealdade aqui, alí. Mas por que ser, afinal?

Talvez eles pensem que o tempo é quem determina a intensidade da importância, mas sempre soubemos que independe disso. Se refere, de fato, à disposição que se tem em dizer a verdade pra quem importa, seja lá essa importância dada em um dia ou em alguns meses ou anos. 

Quem mensura a importância dada a alguém? Nós. Quem mensura a importância que nos é dada? Eles. Temos algum controle sobre isso? Não. Podemos questionar? Ah, sim, isso nós podemos. Pois a partir do momento em que nos é DITO algo, tudo o que é FEITO deve partir do que já ouvimos. Quando não há correspondência é mentira, e quando é mentira não vale a pena ficar pra ouvir o final da história. 

Bom, hoje eu estou bem irredutível quanto a isso. Realmente, não vale a pena ficar. Mas sabe aquilo de sair com classe? Isso é algo a ser aprimorado. 

É, talvez você, aí na frente, vá ter que aturar algumas incoerências pra virar de costas, linda, digna, e dizer adeus. Não louca, não criança, não bruta. 

Eu sei, eu sei. Às vezes parece que se a gente não fica pistola a lábia de outras pessoas sobre nós pode acabar nos convencendo, né? Mas a gente, mais do que nunca, já sabe em quem confiar. E isso vem de dentro pra fora, duvido muito que algum dia mude.  

E também não se culpe, não culpa a tua intensidade. Somos assim, fazer o quê? Tá na essência a verdade, a lealdade e ela, justamente ela, a tal da intensidade. Não vamos calar nossa essência por quem não está preparado pra lidar, tá bom? Nem hoje, nem nunca. 

É lindo sim, e quando recebido por alguém bem resolvido, que fale e aja esclarecidamente, que não oculte e nem limite nada, vai ser mais lindo ainda. Certamente vai ser alguém que não te peça pra ter cuidado com o teu amor por momentos profundos, conversas profundas, olhares profundos. Vai ser alguém que, na realidade, não vai querer tanto cuidado, mas sim apreciar tudo isso, se apaixonar por tudo isso, e valorizar. 

Espero que aí na frente já estejas acompanhada desse alguém. Se não for nem perto disso, foge! Se tiver pendência no passado, foge! Se te fizer sentir importantíssima mas não te contar verdades relevantes, idem! 

Sabe, é só saber fazer, é só saber dar tchau. E get over. O que não tem remédio, remediado está. Lembrando sempre que "pessoas até muito mais vão lhe amar". 

Só não pode ficar "tão apaixonada, que nada, que não sabe nadar". Não! Definitivamente, aprenda a nadar! E, mais do que isso, aprenda a mergulhar! 

Daqui pra frente tem que ser assim, ó: coloca a ponta do pézinho na água, vê se tá fria, morna ou quente. Só molha os pés se tiver de morna pra cima. Depois observa se o mar tá calmo ou muito agitado. Vamos dar a preferência inicial pelo mar calmo, ok? Principalmente se você ainda não souber nadar muito bem. 

Daí vai entrando, até mesmo pra testar a profundidade. Se só bater na canela, senta um pouco pra brincar na água, já ta alí mesmo. Dá uma brincadinha e depois sai, porque isso não vai te refrescar por muito tempo. Mas se for mais fundo, vai andando, quando bater na cintura, pára. Fica. Curte a marola. Se for agitando e estiver sol, vai ser por você. Se agitou por qualquer mudança de tempo, se anuviou, choveu, trovejou, é alheio a sua vontade. 

Observa se é só uma nuvem passageira ou se é uma tempestade que não vai passar tão cedo. Sendo a segunda opção, saia da água. Sendo a primeira, espera o sol voltar que vai ficar tudo bem. Depois dá pra se arriscar, dá pra boiar um pouco, molhar o cabelo, dar uns pulinhos. 

Ainda não é hora de não dar pé. Mas quando se sentir segura, vai. Começa modesta, deixa ficar só na pontinha, arrisca flutuar, um nado cachorrinho, bem rápido. E vai curtindo, sentindo que te abraça. E aí, dá uma olhada ao redor, garante que tem salva-vidas alerta, ensaia um mergulho, de leve. Deu certo? Continua. Engoliu água? Recua. 

Se continuar tudo be: vai! Nada, de costas, de frente. Mas percebe sempre o caminho longo até poder mergulhar de cabeça. Depende da profundidade da água, da agitação, e nunca fica muito longe de dar pé. Depois de um, dois, três mergulhos... é teu! É a tua praia!

Sim, é uma analogia bonita, eu sei. Na prática é bem difícil reconhecer tudo. Mas já temos uns anos aí de treinamento. Só foca em mim: não deixa de desacreditar! Nem no amor, nem na amizade, nem na verdade. Se você é assim, não é possível que não existam mais exemplares. Com o tempo a gente vai moldando, né? Como foi até chegarmos aqui. Como será até chegarmos aí. Só respira fundo, inspira, não pira!!!!! 

As coisas estão exigindo mais equilíbrio, a cada dia, a cada ano. Tá na hora de tentar sem deixar de ser quem somos! E tá tudo bem, também. Padecer por quê? Por quem? Não padeça, jamais! É muita gente linda por aí, são muitos universos inexplorados, são novos dias, novas coisas pra aprender. Só tem que lembrar, sempre: não espere tanto dos outros, não espere tanto dos outros, não espere tanto dos outros. 

Que essa como uma das tantas conversas que já tivemos, entre presente e futuro, entre o que somos, sou, serei, seremos, faça com que nada seja esquecido, repetido. 

Eu já tinha dito, uma vez, há tempos, pra não deixar uma mentira passar, pra não aceitar, não engolir a seco. Me doeu antes a surpresa, agora não dói mais porque em outro momento me preparei. Sim, é, sad but not surprised. Mas não aceito, não aceite. Siga, estabilize, sinta por quem te dará na mesma proporção, se resguarde, mergulhe no profundo mas em águas cristalinas, desconfie do mal contado, do incompleto, do obscuro. Sem medo, seja! Sem arrependimentos, intensa na ida e na volta, no dar e no receber. E com coração, amor, leveza, alegria. 

Seremos mais serenas, agora. Serás mais centrada, mas ainda será você! Recordando o quanto é bom colecionar momentos, memórias e lições. 

Vivendo, não é isso pra fazer? 

Que venha mais vida. Mais uns romances, mais uns beijos, uns dias bons. Olhando pra frente, como sempre fizemos. Espero saber fazer, pra que você só usufrua dos bons frutos sem decepção. 

Agora é só por mim, por você. Quem ficar, ficou. Quem for, que vá... 

Fica a dica!


(E VEM HEXA!)