Ele: Tu gostas de ufologia?
Eu: Ah sim, o fulano* sempre falava sobre isso comigo, nos tempos que ele era um amigo mais ativo.
Ele: Pois é, eu e ele. A gente sempre curtiu bastante. Sou louco por isso.
Eu: Deixa de loucura, menino! Devias ter medo.
Ele: Pior que eu tenho, mas a curiosidade fala mais alto.
Eu: Achei que tu não tivesse medo.
Ele: Tenho medo de tudo o que é vivo e real. Ainda mais quando não temos conhecimento da coisa.
Eu: E não seria essa a graça? Não ter o conhecimento da coisa...
Ele: Na verdade não. Às vezes eu acho que o Deus de vocês vinha em um ovni.
Eu: Como?
Ele: É, existem imagens em quadros e em paredes de igrejas medievais que eles retratam uma espécie de ovni ao lado do "Deus" de vocês.
Eu: Vida inteligente fora da terra é um tanto quanto irreal. Ainda mais agora que estás chamando Deus de E.T
Ele: O cara anda na água, ressuscita, faz um aleijado andar, e eu que viajo? Então estamos no mesmo nível.
Eu: Quando eu penso em Deus, não penso nisso.
Ele: Pois deveria pensar.
Eu: Acontece que tu estás levando tudo muito ao pé da letra.
Ele: Não és católica?
Eu: Sim.
Ele: Se vocês podem inventar a teoria de vocês, eu posso inventar a minha, não posso? Não tenho culpa se Jesus é um x-men.
E então eu lembro porque gostei tanto do meu primeiro amor...
quinta-feira, 14 de julho de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
Não é meu, mas sinto como se fosse.
Querido pedacinho de dor,
Tanto que tenho pensado em você, me rasgo por dentro por duvidar que você não mereça, que você não é quem eu quero que seja, que eu não sou quem você quer que eu seja. Eu tenho tanto medo, eu vivo falando isso e você já não aguenta ouvir. Então agora veja. Eu me encolho no escuro do quarto e fico sozinha, sozinha com a nossa ilusão sobre nós. Ou será que sou apenas eu? Sou a única que enxerga retratos além dos fatos, reflexos além dos ecos? É que eu não sei o porquê de ter prestado atenção em todas as suas teorias malucas sobre a vida e o amor. Eu realmente não sei. Ficava remoendo o movimento da sua boca enquanto todas as palavras vinham feito granizo. Era bonito, bonito e cortante. Talvez por isso não consigo deixar de lado. O sensível me atrai, ainda que seja dolorido. Mas eu, aqui, continuo borbulhante e corrente, continuo riacho, cachoeira, continuo véu de noiva, continuo barulho de porta batida com força. Eu, aqui, continuo zíper quebrado, tampa perdida, cabelo cortado. CD arranhado. E você é isto agora, chuva congelada. Mas ambos seguimos nesse tango bonito de quem sabe lidar com os outros. Ambos aprendemos a esperar e é isso, inevitável e natural, o que nos mata aos poucos. Eu gosto tanto de você, mas nunca sei onde esse gostar pode me levar. Nunca sei onde você pode me levar. Eu não sei nada sobre você. Não sei nada sobre suas teorias amáveis sobre amantes. Eu não sei quem posso ser depois do seu toque permanente. Depois da sua dança, depois do seu estilo que me deixa preocupada com minha própria loucura, seu estilo que me faz pensar que todos somos loucos. Seu estilo que me faz pensar sobre pontos finais, partidas e pessoas passageiras. E eu nunca soube nada sobre o preço da gasolina. Não sei ir embora, mas também não sei ficar aqui. Estranhamente.
Tanto que tenho pensado em você, me rasgo por dentro por duvidar que você não mereça, que você não é quem eu quero que seja, que eu não sou quem você quer que eu seja. Eu tenho tanto medo, eu vivo falando isso e você já não aguenta ouvir. Então agora veja. Eu me encolho no escuro do quarto e fico sozinha, sozinha com a nossa ilusão sobre nós. Ou será que sou apenas eu? Sou a única que enxerga retratos além dos fatos, reflexos além dos ecos? É que eu não sei o porquê de ter prestado atenção em todas as suas teorias malucas sobre a vida e o amor. Eu realmente não sei. Ficava remoendo o movimento da sua boca enquanto todas as palavras vinham feito granizo. Era bonito, bonito e cortante. Talvez por isso não consigo deixar de lado. O sensível me atrai, ainda que seja dolorido. Mas eu, aqui, continuo borbulhante e corrente, continuo riacho, cachoeira, continuo véu de noiva, continuo barulho de porta batida com força. Eu, aqui, continuo zíper quebrado, tampa perdida, cabelo cortado. CD arranhado. E você é isto agora, chuva congelada. Mas ambos seguimos nesse tango bonito de quem sabe lidar com os outros. Ambos aprendemos a esperar e é isso, inevitável e natural, o que nos mata aos poucos. Eu gosto tanto de você, mas nunca sei onde esse gostar pode me levar. Nunca sei onde você pode me levar. Eu não sei nada sobre você. Não sei nada sobre suas teorias amáveis sobre amantes. Eu não sei quem posso ser depois do seu toque permanente. Depois da sua dança, depois do seu estilo que me deixa preocupada com minha própria loucura, seu estilo que me faz pensar que todos somos loucos. Seu estilo que me faz pensar sobre pontos finais, partidas e pessoas passageiras. E eu nunca soube nada sobre o preço da gasolina. Não sei ir embora, mas também não sei ficar aqui. Estranhamente.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Doce Novembro
Doce Novembro não é nem de longe o meu filme preferido, ou um dos que me façam ter uma análise profunda sobre o amor ou o comportamento das pessoas, ou talvez sim, não importa. Bem, eu tenho a humilde impressão de que essas ficções são criadas com o objetivo de nos fazer acreditar que tem gente que sofre mais do que a gente, e que tem gente que consegue fazer uma burrice maior do que qualquer pessoa viva em sã consciência é capaz de fazer, ou não. Enfim, o filme não é fofo, o filme não me fez chorar, o filme não me cativou. Olha que eu sou muito frouxa em relação a esses romances. Eu não tinha nenhuma expectativa em relação ao filme, porque infelizmente eu passei a não criar mais expectativas em relação a nada. A princípio, o filme me puxou e me fez ver àquela coisa fofinha que os filmes assim tem para transmitir. O romance, a casualidade. Certo, então eu me deparo com uma louca que faz de tudo pra agarrar o moço por um mês. Ela só quer um mês. Quem sou eu pra questionar o estilo de vida da personagem? Ela tinha como ambição um homem diferente por mês com o intuito de ajudá-lo. E então capturou um rapaz aparentemente fatigado pelas exigências do trabalho, e logo propôs que ele ficasse por um mês morando na casa dela pra ele se salvar de todo o tumulto da vida dele, coisa que nem ele mesmo era capaz de reconhecer. Estava cômodo pra ele viver daquele jeito, louco por trabalho. Ele recusou até o fim, e ela, como uma boa representante do gênero feminino, não desistiu do moço e só se cansou quando ele enfim aceitou. Pois bem, sabe o que ela fez? Ela ficou com ele, apresentou um mundo novo e libertador, fez ele enxergar a felicidade na simplicidade, o que eu acho de extrema sensibilidade e realmente muito bonitinho. Só que como previsto, ela fez ele se apaixonar por ela. A partir daí ela poderia muito bem ensinar todas as coisas necessárias pra ele ver a vida de um jeito mais humano, e depois cair fora, deixar que ele se virasse e colocasse em prática com outra pessoa os ensinamentos dela. Perfeito, olhe só a pretensão da moça, tudo articuladamente bem pensado, até que tcham tcham tcham, ela se apaixona por ele também. Óh, nossa, muito imprevisível. Essa vida danada sempre nos pregando peças né? Além de um milhão conflitos de pessoais, a moça tinha os seus segredos, que envolviam problemas estrondosos que ela fez questão de não compartilhar com o jovem rapaz. Enfim, acaba que ela tinha câncer. Resumindo tudo, eles não ficaram juntos, ela sumiu, e fez ele aceitar o fato de que ela tinha mesmo que ir embora pra não acabar com a lembrança boa que ele tinha dela, que se ele sustentasse toda a coisa boa que aconteceu entre eles dentro dele, ela conseguiria ter força pra ultrapassar qualquer obstáculo. Ok, minha conclusão sobre tudo isso é que nós mulheres somos, muitas vezes, tão impassíveis quanto os homens. Tá, eu sei, tudo sempre tem uma razão específica pra acontecer, e certamente ela estava regada de emoção na hora de decidir escolher o que fazer e que rumo tomar depois da confusão toda da história dela. Realmente, o filme é banhado de irrealidades, e então vem o paradoxo total: São irrealidades muito reais. Não que seja comum você encontrar alguém na prova teórica de trânsito, escolher essa pessoa pra ser seu tudo por um mês, esconder uma vida dela e depois sair e jogar tudo pro alto acreditando nas suas próprias impossibilidades e não se importando com a pessoa que fez ficar completamente apaixonada por você, mas em menores proporções, é exatamente assim que ocorre. Ninguém está fora da possibilidade de passar por qualquer situação desse tipo. Sim, a pessoa vai ter milhares de razões para não contar, para não dividir, mesmo isso sendo completamente desleal, acontece. Sim, não é impossível e tão pouco raro aparecer alguém a fim de sair daquela rotina monótona querendo uma companhia agradável. Não quero criticar a moça, e apesar de ter sido um tanto quanto egoísta da parte dela, é aceitável que ela não queira deteriorar tudo de bom que ela viveu com o moço. Mas também é o que me enche de questionamentos a respeito do que nós realmente queremos. Sim, homens e mulheres, o que nós queremos? São dos mais variados desejos que se remetem por aí, muitos querendo fidelidade, companhia pra solidão, diversão momentânea, mas o que realmente acontece é que é necessário um ser parte de um par. Sim, por mais que seja passageiro e superficial. E longe de qualquer tipo de preconceito, não é necessariamente um par aceitável pela sociedade, apenas um par. Por um momento, por algum tempo, ou por uma vida. Eu não tiro o direito de ninguém na hora de querer ser feliz, independente da forma que essa pessoa enxerga a felicidade, só acho injusto quando essa felicidade acaba sendo cruel com outra felicidade também. Eu queria sim um pouco mais de piedade pelas almas boas que se entregam inteiramente e acreditam em promessas, em sonhos e planos. Por isso eu acho que mesmo com toda a babaquice do filme, todo mundo tinha que agir como a moça. Sim, é, porque parando pra pensar, ela não fez promessas, ela apenas estabeleceu um tempo a fim de que o moço se recuperasse e se tornasse uma pessoa melhor. E tenho certeza de que me mesmo com todo o egoísmo praticado por ela, foi o que aconteceu. É, ela sabia que haveria a possibilidade de fazer ele se apaixonar e de se apaixonar também, mas ninguém consegue medir ou sequer prever as consequências disso. Ele sofreu por ter se envolvido, mas ele não sofreu por qualquer deslealdade da parte dela, mesmo tendo havido, apenas pelo fato de que ela não prometeu nada. Pelo menos imagino que isso não passe na cabeça dele, ou talvez passe, quem vai saber? Enfim, a vida, as pessoas, as mentes, os planos, as particularidades, são exatamente assim, particulares, pessoais, individuais. E mesmo envolvida num contexto, numa história, numa relação com um ou mais membros, nunca vai dar pra ignorar as necessidades, as opiniões dentro de cada um. Que é o que nos leva a errar com o outro, a magoar sem querer, a tomar decisões invasivas no sentido de não considerar a importância do sentimento alheio. Diante disto e da minha crítica sobre o filme, eu acho que as pessoas são tão irreais quanto os personagens da ficção, porque, por mais que gire em torno de uma verdade totalmente inventada, a inspiração sempre somos nós.
terça-feira, 5 de julho de 2011
É tudo meu.
"Essa chuva e esse frio parecem que empurram a gente mais pra dentro da gente mesmo". Baseada nisso eu escrevo, e digo que depois da chuva, do frio, e do acolhimento todo de mim em mim, eu quero mais é ser feliz. E depois de tudo, de observar a chuva caindo, de sentar na beira da praia pedindo uma luz interna maior do que esses problemas pequenos, eu realmente me sinto grande. Me sinto grande perto dos meus desaforos desprovidos de argumentos convincentes diante da vida e de tudo que me atrasa, que me retém. A verdade é que nada e tudo me faz falta, a verdade é que eu estou aqui, acolhida em mim, rebuscada nas minhas vontades e nos meus desejos que não enxergam pressa, não enxergam ansiosidades. Os problemas que me atingiram e me diminuíram agora são tão fúteis perto da grandiosidade que é a minha vida, e os meus caminhos e as minhas escolhas. Você pára e vê tudo tão grande, que de repente percebe que você é tão grande quanto, só que num tamanho reduzido pra não tomar o espaço dos outros seres grandes que existem. E a vida tem dessas coisas, dessas pessoas que te desarmam e que aparecem em um fluxo de magnitude que te encanta, mas vão embora junto com uma porção mínima de caráter que te decepciona. Mas é isso, você não se iguala, eu não me igualo. Eu sou grande. Grande de alma, de sonhos, de coração, de tudo isso que tanta gente desacreditou em mim. E eu não perdi, depois de tudo, o encantamento que eu sentia por tudo que está longe, por tudo que não é meu. Sou movida a amar tudo que eu sei que tenho mas ainda não chegou. Amei tanto, chorei tanto, me limpei de tudo. Se algum fraco viveu e sentiu parecido, provavelmente desistiria de gostar tanto assim do que não o pertence. Eu não desisto do que eu quero e sei que tenho sem me pertencer. É tudo meu. Esse infinito de coisas que eu ainda não senti o gosto mas sinto o cheiro de longe, essas pessoas com a boca vermelha e pele branquinha que eu quero beijar e sequestrar numa dessas ruas movimentadas que cruzam o meu destino. Eu quero tudo só pra mim. Esse cheiro bom de coisa minha que não chega, esses olhos puxados pelos sorrisos que eu vou provocar. É tudo meu. E eu quero mais é me invadir em mim com esses meus desejos serenos que me satisfazem. Ajoelho-me na praia agradecendo a Deus, e dói pela aspereza da areia, mas supre a minha necessidade de estar perto do que me completa. Isso tudo que eu sinto tanto e tenho tão pouco. Esses risos frouxos, essas gentes felizes que possuem alma maior do que o corpo, como eu. É só o que me pertence. E que venham mais amores frustrados, decepções fatigadas pela desonestidade. Eu não ligo. O amor traz junto isso tudo e ainda assim é amor, sempre vai ser amor. Amor com as lágrimas, amor com os sorrisos, as mentiras, as pequenezas. Sempre é amor. E eu gosto do amor, eu não ligo se dói, se não chega, se nunca vai chegar. Enquanto for amor, só amor, eu tenho. É tudo meu. Junto com essa carga explosiva de pessoas radioativas que me provocam das melhores até as piores mutações. Eu quero sempre esse jeito torto de amar errado que nunca deixa de ser amor. Eu quero sempre essa gente malvada que me engana e que me absorve em uma água cheia de temperos gostosos pra fazer um caldo de mim e da minha vida sedenta de decepções que me ensinam a ser alguém melhor. E que venham as lágrimas, os choros, os estômagos comprimidos, as orações na beira da praia, a chuva que me limpa das frustrações malditas que eu carrego comigo. Que venham mais pessoas distantes pra me fazer ter mais vontade de dar uma mordida no pescoço e arrancar suspiros de quem faz tudo errado. Eu quero sempre tudo isso, eu quero sempre coisa ruim que faz ficar tudo bonito num dia chuvoso e nublado. É tudo meu.
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