... Subentenda-me: novembro 2012

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Infernizando

Hoje a Denise me mandou uma mensagem (uns textos, na verdade, como já é de costume) dizendo que faz um ano que ela encontrou um moço na rua e disse que ia casar com ele. Moço esse que desde então é o seu namorado. Disse que há um ano atrás as coisas que aconteceriam nem passava pela sua cabeça. É, amo a Denise e amo fazer parte e saber de tudo o que aconteceu ao longo desse ano. A única coisa que eu odeio é a minha permanência. Sim, pois eu estou aqui, pensando sobre a minha vida as mesmas coisas que eu pensava na época que ela conheceu o Diego. Estou aqui com as mesmas fragilidades, os mesmos medos e as mesmas saudades (infelizmente). Saudade de você, é, de você mesmo. Agora estou chorando feito uma criancinha e de um jeito que eu não fazia faz tempo. Sim, porque, sabe, eu conheço muita gente que me agrada mas nenhuma (absolutamente NENHUMA) consegue me atingir de perto do jeito que você - seu maldito - me atingiu de longe. E sim, dói pra caramba reconhecer que, de novo, eu acabei com mais uma possibilidade de relacionamento. Me dói porque, olha, eu também quero ser feliz, juro. Eu ainda tenho os mesmos sonhos de ficar com alguém pertinho, do lado, sem precisar falar nada. Eu ainda sonho igual eu sonhava ano passado, e, é, isso também é motivo pra descontentamento, pra aflição, pra dorzinha chata, pra lágrima que cai sem pedir permissão. Eu quero que o tempo passe e leve junto tudo o que não vai mais se fazer real, que leve meus sonhos antigos e me traga sonhos novinhos em folha, cheirando a livro recém comprado. Eu quero ser feliz de verdade, e todas as vezes que a Denise diz que tem alguma coisa muito boa me esperando é difícil acreditar. Sou nova, eu sei, mas tem um monte de coisas por ai, um monte de caras fúteis que querem me transformar em alguém tão fútil quanto, capaz de sair sem pensar nas consequências, e pior: sem sentir nada. Eu não sinto, e tenho pavor disso. Pavor desse meu não sentir, dessa minha garganta seca, desse meu coração que quase não acelera. Aparece uma pessoa nova aqui, uns beijinhos, uma paixãozinha ilusória, mas não me afeta. E Deus, como eu quero ser afetada. Ser levada, ser encantada. Porque eu nunca mais consegui pensar em ninguém pra me levar em qualquer restaurantezinho com luzes bem simples espalhadas, com uma toalha de mesa quadriculada, um arranjo de centro com uma flor sozinha. Porque eu nunca mais me senti completamente tranquilizada, sem que as minhas péssimas perspectivas pro futuro me atormentassem. Esse texto não é sobre você, ou, pelo menos, eu não queria que fosse. Mas na verdade devo assumir pra mim essa fraqueza, essa eterna fraqueza. Porque eu reconheço que não sou mais nada, que nunca fui, mas que pra mim sempre vai ser. E se eu me contentar com qualquer pessoa que aparecer só pra não ficar curtindo a solidão no fim da minha vida, sentada numa cadeira de balanço e imaginando o quanto você foi feliz até ficar velhinho, vou viver com essa pessoa e acordar do lado dela, mas me perguntando todos os dias como teria sido se fosse você. E se eu encontrar alguém que supere isso que eu acho que ainda não consegui superar, vou te esquecer até nos meus piores momentos (como agora), vou te esquecer quando eu brigar com esse alguém, quando esse alguém me magoar, porque o amor que eu vou sentir por esse alguém vai conseguir superar esse amor que eu senti por você. E juro, mamãe diz todo dia que eu mereço encontrar esse alguém. Ela diz que eu sou meiga, simpática, autêntica e contagiante, ou seja, quer dizer que eu tenho um lado minimamente aceitável e casável. Ela me diz isso porque quer ter netos, e vai ter. Segundo ela, o pai vai ser o grande amor da minha vida. Não vai ser você. Mas antes desse grande amor aparecer (que por sinal está demorando um pouco, e já podia agilizar esse aparecimento) eu vou lembrar de você. Vou lembrar sim, todas as vezes que um relacionamento der errado e eu saber que nem amava essa pessoa, que nem daria certo mesmo. Vou lembrar de você e te desejar tanto bem, mas tanto que você nem imagina da minha capacidade de poder sentir isso por alguém que já nem se lembra, que já nem sente. Mas vou desejar, porque, como disse uma pessoa muito especial, a gente sabe que é amor quando consegue ignorar as coisas ruins pra lembrar das coisas boas. Não sei bem explicar essa lembrança, porque ela não se faz legível na minha memória, ela só se faz "sentível". Lembro do que eu senti, e fico feliz, e me acolhe, e eu guardo. E eu peço pra você ser feliz, e pra eu ser feliz também, aqui. Não que eu precise de alguém pra me fazer feliz, porque, sabe, eu sou, muito, bastante, mas nas minhas outras vidas, na minha vida social, na minha vida familiar, etc. Não sou feliz aqui, óh, com o coraçãozinho, porque ele sempre se depara a uma tentativa frustrada de bater depressa de novo, de dormir aconchegado no bom que é ter um sentimento, mas depois desilude e se volta pra você. É como se ele me dissesse: "Desculpa, eu sei que você não gosta, eu sei que você não quer, mas foi ele, foi ele que me fez disparar, mesmo ser ter chegado perto de mim, foi ele que me fez querer ser vomitado por você, ser entregue pra ele sem pensar duas vezes. Por favor, me arrume alguém que me faça esse bem de novo, porque senão eu sempre vou olhar pra ele, bater por ele". Se meu coração bate por você eu não sei, deixei de reparar nos batimentos dele desde quando ele bateu por alguns gatos pingados que não queriam nada além do mais do mesmo, sem graça, só com aquela ambição maldita que todo homem safado tem. Mas eu sei, eu sei que é isso. Que eu vou achar sempre a minha cidade linda só não tanto quanto eu achava quando imaginava você nela de novo. Que vou achar sempre que o responsável pela nossa singela e sutil existência criou poucos exemplares de você, e que eu não queria outro igual, eu só queria um exemplar que tenha copiado timidamente algumas unanimidades suas. E que um dia eu consiga, de novo, o que eu consegui naquela época, e que eu pare de andar por aí te vendo nas nucas, nos óculos. E que, por favor, o grande amor da minha vida, chegue logo! Eu estou começando a me sentir uma psicopata por ainda pensar em você.

sábado, 17 de novembro de 2012

As minhas particularidades nunca reveladas

A sensação de não ter uma música que preencha, nenhum texto que emocione. A mordaz incomodação de me sentir sem sentimento. Ontem eu passei no vestibular e, enganada, achei que sairia essa coisa chata que eu carrego comigo, essa insatisfação, essa incongruência com as coisas que eu vejo por ai. Antes eu tinha a maior sensibilidade do mundo, os pingos de chuva no asfalto me comoviam, as janelas me atingiam. Por notar a passagem das coisas, da água no asfalto, da paisagem se modificando, da janela ali, entreaberta porque alguém abriu pra ver o movimento, pra ver o que é sempre igual mas diferente nas posições, nas presenças. Coletar esses detalhes em mim era magnífico. Imaginar milhões de possibilidades de evasão pra um único cenário indiferente, imperceptível e nunca captado por quem passa. Nunca reparado. Agora eu estou aqui tumultuada por ter, de novo, me sentido um pinto molhado e abandonado quando me trataram como se eu fosse qualquer coisa sem valor, sem educação e sem o zelo dos pais. Rezando pra que o Caio saia do aniversário do amigo dele e me dê um "boa noite" só pra eu me sentir um pouco mais acarinhada, coisa que eu sei que ele não vai fazer. Eu queria que ele fizesse porque até uma caretinha irritante vinda dele me agrada, porque em meio a toda essa gente suja, que liga só quando quer uns beijos e uns amassos, o Caio diz que sonhou comigo e depois não me conta o sonho, me fazendo morrer de duvida entre a possibilidade de ter sido um sonho lindo ou estupidamente insignificante. Porque ele, mesmo muito diferente do que já foi um dia, consegue me tranquilizar, me deixar com uma esperançazinha de que eu ainda posso gostar de alguém, conversar com alguém sobre qualquer assunto bobo. A Renata acabou de me dizer que tudo o que me acontece de ruim só acontece porque vai fazer com que fique um pouco mais trabalhoso algo me atingir depois, me deteriorar. Talvez seja isso mesmo, talvez a gente se deteriore, mas se melhore e se reconstrua, reinstaure. Porque eu detesto ter que admitir a minha fraqueza por me encontrar com gente mais fraca ainda e ficar, no fim das contas, me sentindo contaminada por um toque desprezível e puramente carnal, que não significa nada além de confirmar que essas coisas do corpo são muito fúteis em relação às coisas da alma, porque as coisas da alma são filtradas e absorvidas e utilizadas, enquanto que esses encontros patéticos servem pra dar o maior desgosto de ter atendido ou ter ligado, de ter topado, de ter entrado em um carro sem o meu cheiro, sem a minha frequência. Porque eu não vou mentir, tô de saco cheio! Cansada de me apegar às cinzas do Victor quando a porra da vida tá amarga, quando eu sinto nojo dessa minha realidade e dessas minhas atitudes superficiais. Porque o pouco que eu me lembro do que eu sentia por ele é exatamente o que não existe mais desde que eu parei de me tratar com a prioridade de antes, com o cuidado de antes, com aquela coisa que eu tinha, de só aceitar se fosse do meu jeito, com os meus requisitos, com a poesia, com a música boa e com as mãos bonitas. Deixei de lado isso tudo pra "viver", como eles dizem. Como o Neto disse que me ensinaria e não me ensinou nada além de que homens são muito mais cruéis em carne e osso do que quando estão do outro lado da tela do computador, do outro lado do país. Eu quero as minhas prioridades de novo, a minha precisão em encontrar coisas agradáveis pra ler e escutar, a minha vontade de me arrumar e sair pra qualquer lugar, pra assistir qualquer filme água com açúcar desde que seja em boa companhia. E por falar nisso, espero que o Caio não arrume algo melhor pra fazer amanhã do que assistir Atividade Paranormal comigo, por mais que eu ache que não é muito difícil ele arrumar algo melhor pra fazer. Mas se por acaso der certo, ele tá lascado, porque eu vou dizer pra ele que passa a ser responsabilidade dele me tirar daqui, de mim. Porque só pra ele eu diria "me leva pra onde tu quiser" quando perguntasse pra onde eu quero ir. E decidi, nunca mais digo isso pra qualquer um dos meus casos sem paixão, eles nunca sabem pra onde me levar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Remexendo aquele baú cheio de ácaros

Ontem eu pensei em ti, coisa que eu não fazia faz tempo. Fiquei me perguntando se ela faz bom proveito de te ter bem perto. Se ela te acorda com beijinhos no pescoço, como eu quis fazer naquela época. Hoje não me dói mais o fato de tu ter preferido uma felicidade real a uma coisa inventada, impossível. Talvez me orgulhe essa decisão, talvez me represente. Percebo que eu faria o mesmo, por mais que te amasse, que tenha sonhado durante muito tempo te ter do meu lado, na minha frente, na minha vida. Encontrei uns registros que eu tinha organizado pouco antes da gente deixar de se saber completamente. Achei meio exagerado, mas isso não me fez ignorar o que senti quando dissemos tudo aquilo. Hoje somos diferentes, eu sou diferente, e tu também, de um jeito que eu nunca vou saber. Faz mais de um ano que não faço ideia de como tu estás, se ainda desenha, canta ou escreve. Se ainda consegue surpreender as pessoas como me surpreendia, com coisas únicas que só poderiam sair da tua cabeça. A ultima notícia que tive foi sobre a morte do teu gato. Fiquei triste, mas pelo menos foi ele ao invés de ti. Gatos se afeiçoam demais aos seus donos, ele ia sofrer com a tua morte, do jeito que eu sofri. Atualmente não me lembro mais da dor, do choro, de nada. Lembro que eu pensava como seria a minha vida sem a tua "presença", e era desesperador. Não foi. Mas sem dúvida tu marcou em mim muita coisa nova, muita coisa que eu não era. Hoje me sinto como aquele rapaz que chega tarde, que faz o jantar, que limpa a casa, que se preocupa com o futuro (ou não), que faz alguma coisa, todos os dias, e ainda assim se sente meio incompleto, confuso, virado do avesso. Essa é a minha interpretação do que tu era. Não sei se tem fundamento, mas é. E agora me sinto um pouco tu. Amor é uma coisa muito subjetiva mesmo. Eu te amei. Sei lá, ainda te amo. Todas as vezes que eu for te procurar dentro de mim vou lembrar que te amo. Te procuro em mim quando a minha realidade dói, quando um namoro acaba, quando eu sinto medo, insegurança, aflição. Porque era muito melhor sentir tudo isso por ti, que não ia chegar, que não me faria sofrer nada além do fato de não chegar, de não ser meu. Parece até meio contraditório pra quem lê - mesmo sabendo que ninguém vem por aqui além de mim - ver a minha declaração para outras pessoas lindas que fazem parte da minha vida de um jeito muito mais intenso do que tu fizeste e mesmo assim ainda escrever sobre ti, e escrevo. Escrevo porque não posso te escrever, porque acho que perdi a tua carta junto com o endereço, e mesmo se ainda a tivesse, jamais te demonstraria a minha fraqueza quando tu és o assunto. Obrigada por não lembrar mais de mim, por ignorar que eu fiz parte da tua vida por um curto espaço de tempo já que agora vive mais feliz, mais realizado e melhor acompanhado. Porque, sabe, pensando bem, mesmo se tudo tivesse dado certo, eu seria uma péssima companhia. Eu gosto de roer as unhas quando estou nervosa e isso é muito feio, gosto de falar alto, rir alto, e implorar atenção. Tu odiaria. Não sou intelectual e tanto faz pra mim tudo o que tu sabe, toda essa amplitude de conhecimentos que te pertencem e eu não almejo porque sempre amei muito mais as tuas originalidades, as tuas músicas, os teus sorrisos e os teus sabonetes fabricados aqui (ainda não consegui me livrar da mania de ir sentir o cheiro do phebo odor de rosas todas as vezes que eu vou ao supermercado por mais que eu saiba que é bem provável ter sido mais uma das tuas estratégias infalíveis pra conseguir fazer com que eu ficasse muito mais boba apaixonada do que eu já era). Enfim, é isso. Na essência, eu sou a mesma. A mesma moleca que tu nunca conheceu, a mesma pessoa que sente saudades do que nunca viu. Colecionei amores depois que tu foste embora, amores lindos, que estão crescendo aqui cada vez mais e que eu posso viver, do jeito que tu vive o teu. Obrigada por ter aperfeiçoado minimamente o meu gosto musical, entre outros. Obrigada pela gravação de uma conversa nossa no meu celular, que me faz muito bem todas as vezes que eu ouço porque me lembra que tu não foste um erro e sim uma singularidade abstrata que só aparece uma vez na vida de uma pessoa, e às vezes nem aparece. Então agora, oficialmente, fique com o adeus que eu nunca te dei, e com os desejos de felicidade que eu nunca pude te mandar porque estava ocupada demais te odiando...