sábado, 28 de janeiro de 2012
Sendo eu
E dai que toda noite é assim? Eu me deito, viro pro lado, penso no quanto seria bom ter alguém pra pensar direito, mas dai penso em você, meio torto, meio inacabado. Sou eu. Eu crio expectativas pra todo mundo que eu julgo capaz de me arrancar um fiozinho de felicidade. Te juguei capaz, muito capaz. Sim, porque não é todo dia que a gente encontra uma companhia boa, alguém que consegue te tirar uma risada a toa. Você não tem culpa não, eu que peço pra todo mundo trazer flores, sempre, só esqueço de falar alto. É muito difícil ser de tudo, me cansa. Não sei mais olhar pra ninguém com paciência e te olhei. O mundo, os amigos, as histórias, eu até quis. Dá saudade, às vezes. Daqui a alguns meses não vou mais me sentir a vontade pra ligar, pra perguntar como é que tá e dizer que pra mim continua muito sem graça. Daqui a alguns meses o mundo vai mudar e a gente mais ainda. Você vai conhecer alguém, gostar de alguém, eu talvez goste, talvez não. É sempre assim, é só me deparar com alguns momentos bonitos e algumas demonstrações de carinho que vou logo escolhendo a cor do buquê. Sou eu. Eu que vou sentir saudades de tudo como sempre faço, porque tudo que dá saudade vai ficando longe, ou já está, ou sempre esteve. Um dia eu vou sentir saudade de perto, assim, bem do lado. Ele na cozinha, eu no quarto. Não vai ser você. Não vai ser porque éramos amigos com benefícios e eu quis ser bem mais, de um jeito estranho. Eu afasto, eu recuo. Acho que não sei mais lidar com toda a bagagem de quem pode fazer bem mas também pode fazer mal. É, a luminária daquele cinema vai parecer pra sempre uma pipoca. Que bom que eu te pedi pra não ir embora, talvez você fique. Mas daqui, ó, já estou tirando. Sim, como eu disse, sou muito perigosa gostando de alguém. E se ficar: que bom, a gente se vê depois que isso tudo passar. Agora eu vou deixar os dias tomarem conta do pouco que a gente foi, ou não foi. Sim, assim, dramática. Que bom que sabe de mim, que bom que consegui deixar saber. Se eu estiver errada, e se eu consegui, de novo, entender errado, vou deixar anotada a desculpa de que eu não sei me dividir, me dedicar à duas coisas ao mesmo tempo. Talvez eu saiba, mas não na mesma intensidade, e você, ah, você precisaria de toda intensidade do mundo. Mas agora, como sempre: tudo bem então, até logo, beijo.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Chorar
Vontade de chorar por tudo. Por tudo o que deu certo, por tudo o que não deu. Vontade de chorar um choro bom, um choro ruim, qualquer choro, só chorar. Não sei porque me agrada tanto, não sei porque me conforta. Chorar porque eu superei aquele exercício de matemática e também porque já consigo entender perfeitamente a segunda lei da termodinâmica. Chorar de saudade do meu primeiro namorado e da gravação que ainda está no meu celular. Chorar de raiva porque foi o meu único relacionamento de verdade, e infelizmente, o que menos me causou danos. Sim, porque é chato ver que o que mais te machucou não foi de verdade, nem chegou perto de ser. Posso chorar por tudo que me fizer sentir qualquer coisa, posso chorar pelo que não é meu, chegou bem perto de ser e eu quis muito que fosse. Chorar porque eu amo, amo muito. Amo a minha mãe, amo os meus amigos de perto e de longe, amo a minha sobrinha de dois anos que chora sempre que eu digo que vou embora. Chorar porque é bom amar e saber que tem amor que não importa a circunstância, sempre vai ser amor. Vai ser amor aqui ou na América do Norte. Vai ser amor em Nova Jersey, Florianópolis. Sim, vai ser amor. Ainda assim, com todo o amor do mundo, quero chorar. Quero chorar de medo, medo de não conseguir, medo de não aguentar, medo de falar com a atendente do call center da tv a cabo. Só chorar. Chorar porque nenhum lugar da casa me conforta, nem em cima da pia da cozinha, nem na área de lavar. Chorar cantando Pato Fu. "Vai vai vai vai vai tempo amigo, seja legal. Conto contigo pela madrugada, só me derrube no final". Chorar pelo filme que eu vi hoje de manhã, pelo filme que eu vi hoje de tarde, pelo sonho que eu tive ontem a noite. Chorar de felicidade, de insatisfação, de saudade, de receio. Chorar por todos os físicos, matemáticos e químicos do passado, que fizeram questão de me dar três motivos muito bons pra fazer isso. Chorar pela incerteza de tudo, pela vontade de tudo. Chorar pelo orgulho que eu quero dar, pelo orgulho que eu quero sentir. Chorar, só chorar. É de graça, não paga imposto e se for feito com descrição, ninguém vai julgar, ninguém vai incomodar. Dá mesmo vontade de chorar por tudo, por não poder dizer pro mundo não encher o saco, porque o mundo é chato demais e cheio de gente má, hipócrita e moralista. É, chorar porque eu não aguento ver que muita gente consegue ser feliz ou pelo menos achar que é, mesmo sabendo que muita gente também sofre a custa de toda essa felicidade. Chorar pelo egoísmo de todo mundo que só repara no seu amor, na sua vida, no seu dinheiro, no seu carro. Então, só chorar. Eu não posso dizer nem 30% do que eu penso porque não é socialmente aceito pensar tantas coisas tristes sobre tudo e todo mundo, acreditando que, sim, é a realidade. Pois é, chorar. Chorar porque tem gente que não merece crueldade sendo justificada como sinceridade. Chorar por todo mundo que faz alguém se sentir menor só pra camuflar a pequeneza de si mesmo. Se esconder nas maldades, futilidades. Chorar por todo mundo que fica com a consciência tranquila mesmo sabendo que está fazendo tudo errado. Chorar pela falta da minha única amiga que não mora perto, pela vontade de ter um amor de verdade que nunca chega, só ameaça. Chorar. Chorar pelo ultimo capítulo da novela mais linda que eu vi na vida. Chorar de saudade daquele cheirinho que não é mais meu. Chorar pelos tantos outros motivos que eu esqueci porque estou chorando agora.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Sei lá
É tanta coisa que precisa ser dita e não sai, simplesmente fica preso, bloqueado. É tanto sentimento guardado, são tantos arrependimentos, tantas saudades. É muita vontade de saber meus motivos, minhas razões pra gostar, pra amar qualquer coisa. Sei lá. É verdade que eu não sei mais, nunca soube. Sempre quis saber e nunca soube. O que fazer se não posso mudar as manhãs parecidas? O que fazer? Sei lá. Aceitar que eu já carimbei em mim que toda manhã fria e nublada vai me lembrar alguém. Aceitar que eu precisei de motivos pra carimbar e não tive. Eu me calo, eu engulo, eu varro pra debaixo do tapete toda a poeirinha que ficou em mim e o vento espalha de vez em quando. Sim, eu sempre vou varrer pra debaixo do tapete. Pode ser o clima, pode ser o frio, pode ser o "não sei" que está tatuado em todas as partes de mim. Pode ser. Eu sempre comparei a minha vontade de me livrar de tudo com um enjoo muito forte, e sim, dá vontade de passar o dia todo vomitando o que faz meu estômago revirar. Eu sei o que tem que ser feito e faço, fico bem. Levanto todos os dias me sentindo feliz, só feliz. Questionar a felicidade agora, logo agora? Sei lá. Sou feliz com todas as minhas infelicidades guardadas, e juro, não me importo. Não me importo em parecer sempre uma depreciação de mim. Não me importo porque eu vivo bem com tudo isso que eu guardo. Talvez a gente guarde pra usar um dia quando for preciso, quando eu for revirar a casa toda atrás de uma solução e perceber que estão naquela gaveta que eu sempre me neguei a abrir. É, e eu ainda amo Janeiro, amo o clima, amo o aperto no coração. Tenho vontade de falar de flores, tenho vontade de traduzir em palavras tudo o que eu acho bonito, mas também gosto de conseguir ver a beleza na minha feiura, de conseguir ver a felicidade na minha tristeza. Eu calo mas falo. Falo pra mim, todos os dias, que mesmo com o coração fechadinho e saudoso, tudo sempre fica bem. Eu fico, e fico mesmo. Não saio, não sumo, não digo adeus nem até logo. Está guardado, sabe? Sei lá. As minhas saudades, as minhas paixões, os meus conflitos internos inquietantes, é tudo eu. É muito fácil sentar e chorar, difícil é sorrir e dizer que está tudo bem. E está. É a confusão da minha vida. Eu estou não estando, eu te amo não amando, eu digo não dizendo. Tenho ficado mesmo quando estou indo, e tenho ido todos os dias, sei lá pra onde. Tenho ido à padaria, ao cinema, à casa de gente bonita. Tenho ficado aqui, sempre aqui. Aqui no quarto, na sala, ou na cozinha apoiando os cotovelos na pia e me perguntando se eu tenho mesmo que ir pra poder ficar, ficar pra poder ir, ou só ir, ficar indo. Sei lá. É tudo confusão. A mesma bagunça que eu faço no meu quarto, faço em mim. Meus armários estão abertos e desarrumados, minha cama sem lençol, e a vida, ah, a vida é só a junção da bagunça de tudo. Todos os Janeiros vão ter o mesmo cheiro, todas as palavras mais usadas sempre serão lembradas. Sei lá. O tempo vai passar e eu vou continuar sem saber pra que lado fica a escada rolante do shopping, mesmo que eu o frequente quase que compulsivamente. O tempo vai passar e eu não vou precisar usar linha nem agulha pra remendar nada, vai se fechar, porém com tudo o que tem dentro. E que seja. O tempo vai continuar passando sempre, e tudo fica bem, tudo é muito bom. É bom preferir ficar em casa, é bom deitar na cama e deixar a janela aberta enquanto chove. É bom sentir saudade, é bom sorrir lembrando, é bom deixar pra lá. É bom não falar nada mesmo querendo dizer tanto, é bom querer chorar o choro do mundo e não chorar o meu porque o mundo sim tem motivos pra chorar. É, eu gosto da música mas nunca ouço até o fim, sempre quero ouvir a outra e a outra e a outra. Não tenho tempo pra uma música só, eu tenho a minha preferida e por mais que ela tenha um significado ruim, sempre vai ser a preferida. Eu vou ouvir sempre que der vontade, sempre que der saudade. Sei lá. Quando eu era pequena ficava vendo as pessoas mais velhas e imaginava como seria quando eu fosse como elas, agora eu sou. Sou da idade que me imaginei ser mas ainda assim me sinto uma garotinha envergonhada perto de um mundo tão mais velho do que eu. Sei lá, é tanta coisa. Os meus relógios sempre param e o tempo não. A bateria acaba mas a vida segue. Ainda fico nervosa na hora de puxar a cordinha do ônibus. E se for a parada errada? Ninguém sabe.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Jusqu'à Toi
Não é o título brasileiro, obviamente, mas achei que a tradução pra Jack e Chloe não significasse tanto e também não transmitisse a essência que eu senti quando vi: um sei lá o que chique e francês. Há tempos os filmes românticos não me afetavam mais, há tempos eu achava tudo banal e improvável. A grande maioria é improvável, mas já quanto à banalidade, talvez eu é que tenha me tornado um tanto quanto banal. Ou quem sabe o contrário, os filmes são banais e melosos e tolos, quando quem se tornou improvável fui eu. Até você? Até eu? Quem diria, até eu. Me deparei com um filme do tipo que me repelia e me repeliu durante muito tempo. É, não sei. Basicamente trata-se de uma mala extraviada e da criatividade ou fantasia de alguém que acha que o amor pode mesmo vir de qualquer canto, de qualquer lugar do mundo. Coitado, Jack passou um bom tempo sem notícias da mala, sem ter como voltar pra América. Chloe recebeu a tal mala depois de descobrir que seu peixe havia morrido. Talvez, em um primeiro momento, eu tenha sido fisgada por essa historinha boba só porque a Chloe me lembra eu. Cheia manias, meio antissocial. Ela abriu a mala dele, se apaixonou pelas coisas dele, principalmente por um livro que ele carregava e coincidentemente era seu livro preferido. Ela até tentou, procurou, mas nada aconteceu. Ela já estava meio desacreditada, pois mesmo que o Jack parecesse com tudo o que ela sempre quis, ah, era improvável demais. A mala chegou, junto com fotos de Chloe. Bem, fora todos os outros detalhes adicionais que me fizeram apaixonar, o filme é lindo, simplesmente lindo. Não porque ele se dispôs, não porque eles se dispuseram, é só lindo. Bonitinho o sotaque francês dela quando fala o inglês dele, bonitinha a trilha sonora, bonitinhos os medos dela, bonitinhas as coisinhas dele. Mais bonitinho ainda é o final quando eles se encontram na rua, depois de ela ir atrás dele. "E o que a gente faz agora?" "Nada. Não é isso que os casais fazem?" "Nada?" "Sim, nada. Mas olha pelo lado bom, podemos não fazer nada juntos". Bonitinho do jeito que eu não conseguia ver faz tempo. Ah, acho que é tudo muito imprevisível mesmo, os filmes só trabalham com o lado bom de toda imprevisibilidade.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Classificados de um jornal local
É quando as noites decidem fazer mais frio e a televisão, coincidentemente, decide colocar um filme romântico depois da novela, que as mentes solitárias começam a trabalhar a aversão de permanecerem sozinhas. Com Gustavo não era diferente, pois logo ao anunciarem "Titanic" na programação ele começou a suar frio, dilatar as pupilas, revirar o estômago. Pois é, pode parecer exagero, mas Gustavo já não estava na faixa etária comum de se arrumar um casamento. Seus relacionamentos traumáticos o deixaram bastante ansioso, nervoso e medroso quando se tratava de encontrar alguém pra esquentar o outro lado da cama. Depois de ficar se afogando novamente em seus naufrágios anteriores, Gustavo decidiu dar um jeito naquela cama vazia, naquele outro travesseiro que nunca se amassava. Sentado no sofá, enquanto ainda estava perturbado por conta do filme, da noite e da sua realidade solitária, ele pensou em um jeito. Formulou uma solução na sua cabeça predominantemente matemática, que sabia muito de números, aulas e tubos de ensaio, mas quase nada do que seria alguém do seu lado pra assistir o clássico dos dramas românticos. Ele então montou rapidamente um plano, aparentemente fácil na teoria mesmo se tratando de encarar uma possibilidade nunca antes considerada. Também era extremamente difícil, pois, na prática, Gustavo tinha um certo problema em tomar iniciativas. Começou a andar pelo apartamento confortável e recém comprado graças a sua então estabilidade financeira. Ele estava ponderando os prós de ter alguém pra fazer companhia, mesmo que de um jeito informal, e os contras que se resumiam justamente no jeito informal que tudo iria acontecer. Ele já havia ouvido falar nos anúncios de jornal na seção "Amizades" dos classificados. Moças que prometem um carinho momentâneo aos tais carentes que tinham como pagar. "Desde a Lalinha, quem foi a última moça que entrou aqui mesmo?", ele se perguntava. Depois de quase fazer um buraco no chão de tanto andar pra lá e pra cá, Gustavo, já maduro com seus quase 40 e sem amor de verdade, decidiu deixar de lado seus delírios românticos, sua coleção de poemas do Drummond, e o sonho de sua mãe, Dona Cida, de ter uma nora simpática, bonita e muito bem resolvida. Ele achou que estava na hora de agir como um homem, nem que fosse como aqueles que satisfaziam seus desejos com as superficialidades e as esquinas. Ele ligou: "Alô, quem fala?", uma moça de voz atraente perguntou. Gustavo tremeu, hesitou, mas respirou fundo e respondeu com o peito estufado: "ÉÉÉ... hm, argh... Eu gostaria de uma pizza mista e outra de marguerita, por favor".
É, Gustavo era péssimo em tomar iniciativas ousadas, mas sabia escolher o sabor de uma pizza como ninguém.
É, Gustavo era péssimo em tomar iniciativas ousadas, mas sabia escolher o sabor de uma pizza como ninguém.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Estava...
É, acabei de escrever sobre todos os meus medos, sobre tudo o que contradiz as minhas esperanças. Rascunhei, fica guardado aqui. Não vale mais a pena dizer que a felicidade não existe, sabe? Se você lesse o que eu escrevi com certeza ia brigar, falar que não gosta, que não quer que eu me sinta assim. Pelo menos é o que eu acho, é o que você me fez esperar de você. Eu fico me perguntando se devo te pedir permissão pra sentir saudade, fico me perguntando se você lembra de mim agora. Dói pensar que não, por mais que seja possível, mas não te culpo. A minha mãe sempre diz pra eu não deixar exposto o que eu sinto, e eu não te exponho. Costumo deixar pelas entrelinhas o meu apreço. Você percebe? Às vezes acho que eu é que decifro o que você não pode dizer, mas depois eu lembro da minha mania de fantasia, de ver o que tem onde não tem. Talvez eu esteja certa, talvez eu só esteja confundindo as nossas afinidades com algo que não existe. Mas ei, posso falar? Eu queria mesmo que existisse. Morro de medo que você leia, que você perceba que todo meu esforço esconde o que você não precisa saber ainda. E quando eu falo que vou sumir, você diz que não, né? Que é impossível, que sabe onde eu moro, que me acha. Nem sonha que essa minha vontade é real. Sumir, eu quero. Quero toda vez que me questiono sobre o que eu sinto, sobre o que eu posso ou não sentir e não acho resposta. Eu penso muito em voltar a viver sem saber como estão os seus dias, os seus amigos, os seus gatos. Será que eu conseguiria? Não, você bem sabe que não. Você só não sabe da minha vontade de te ligar, pedir baixinho: "não me esquece não, nunca. Promete?". E mais um milhão de coisas que eu estou sentindo agora, algumas que eu já disse e repetiria só pra você lembrar sempre. Como daquela vez que eu te falei que se eu tivesse pedido pra ficar todo mundo que foi embora talvez não tivessem ido, quando pensassem: "poxa vida, ela pediu pra eu não ir, eu não vou". Pra você ver minha ingenuidade. E sei lá se funcionaria, mas eu te pedi, te pedi pra não ir embora, só por via das dúvidas. Sabe lá como seria a minha vida daqui pra frente sem você. Eu não quero considerar essa possibilidade por mais que me rodeiem todas as dúvidas e os tremores que não saber de você me causam. Eu esqueci do meu passado, eu te disse que agora faziam sentido as conversas de madrugada, com você. Faz sentido agora, tudo. E quando você disse ontem "Feliz ano novo! Vamos fazer 2012 valer a pena", eu juro que pensei nesse "vamos" como solução pra todas as dúvidas, pra tudo que me apavora. Nada, bobagem. Só não é bobagem você, você e essa luz e esse sorriso, e tudo e tudo. Eu estou com saudades, não sei quando você vai voltar, não sei se vai ser diferente, e tenho medo. Mas eu te espero sem esperar nada além de você e da sua presença, não te exijo beijos, nem promessas, muito menos planos. Porque como você disse, planos necessitam de certezas, e como eu disse, certezas são muito difíceis. Esqueci de complementar: certezas são muito difíceis quando envolvem mais de uma pessoa. Falo por mim e da sua parte não quero garantia. Mas quero que esteja, e não importa como. Esteja como meu amigo com benefícios, como um amor, um sonho, uma mentira que a gente precisa viver. Mas esteja.
2º dia do ano
Eu deixo pra traz as minhas promessas feitas depois da meia-noite, as minhas esperanças alegres pra uma felicidade que eu queria sentir quando se passasse um minuto do ano que, de alguma forma, mudou a minha vida. Faz tempo que eu não escrevia nada chorando, faz tempo que eu decidi ser impessoal nas coisas que eu escrevo, ou pelo menos tentar, pra que ninguém no mundo fosse capaz de imaginar que tudo se tratava de mim, só de mim. Tolice. É tudo eu. Trata-se do meu medo, da minha saudade, da minha dor, da minha vontade. Ontem consegui esperar as coisas mais lindas pra mim, pro meu novo caminho que se fez quando começaram a soltar os fogos em comemoração a mais um dia, a mais um ano. Ontem eu consegui ser otimista, dizer adeus, me despedir, me elevar ao máximo e usar todo o entulho que eu guardei como a escadinha que me fizesse subir até onde eu realmente quero chegar. Eu não sei. Eu não sei onde quero chegar. Eu não sei se quero sair do lugar e correr dos piores riscos possíveis existentes por aí, pelo mundo. Eu não sei se quero gostar de novo, passar tardes pensando no que dizer, no que fazer, e acabar o dia como eu sempre acabo, não sabendo de nada. Certo que não faria nenhuma diferença pois gostando ou não de alguém, eu sempre sinto o peso de tudo, de tudo que não é meu, de toda a dor que não é minha mas acaba sendo. Sinto o peso das minhas saudades, dos meus mais terríveis e inevitáveis medos. Sinto o peso da prisão interna que muita gente se coloca por ter medo de sair de casa, por não querer sair de casa. Sinto isso tudo comigo porque eu também me prendo, me evito, me escondo nas coisas que eu crio e não vejo mudança por mais que eu tente, por mais que eu grite e implore pra mim mesma uma auto piedade necessária, pra que eu possa tomar as decisões mais difíceis, saber realmente pra onde ir. E dói, dói perceber que eu preciso ter pena de mim, pena do meu esconderijo, do lugarzinho bonito que eu arrumei aqui quando o mundo gritava comigo, quando tudo me dizia "esquece teus sonhos, é tudo mentira". E era. Ninguém foi cruel, ninguém. Todo mundo faz o que tem que ser feito. Eu que enfeito, eu que invento. Eu inventei as minhas facas, as minhas dores de cabeça, as minhas próprias condições de existência que não eram reais, não eram. E dói. Dói ainda tudo isso porque eu quero parar de sentir dor, a minha dor, a dor de tudo, mas não consigo. Chega a tarde e falta disposição, eu realmente queria falar da felicidade que eu sei que sinto, e sinto muito. Mas não. Eu choro, eu me encolho de tudo que me faz sentir medo, me encolho como sempre. Medo da perda, medo da ausência, da falta. Tudo já me fez muita falta e dói. Tem gente que fica longe e dói. Me dói a dúvida de não saber se volta, se volta igual, se volta como saiu. E eu tenho medo da minha própria dor, dor essa que me instiga a pensar no medo que a possui. São dois assassinos infelizes, a dor e o medo, intimamente ligados e contratados exclusivamente pra me trucidar aos poucos. E eu sou cruel comigo, com a minha dor, com o meu medo, com a minha vida. Eu sou cruel com os outros, eu sou cruel com quem eu amo. Eu sou cruel quando ao primeiro sinal de problema penso em dizer adeus, me despedir, sumir no mundo, mudar de endereço. Como se isso não me levasse à causa da minha morte, à perda. Eu reconheço todos os indispensáveis, e ainda assim penso em dispensar. Não aguentar, não querer aguentar, não querer suportar o meu mal necessário. E dói. Dói a minha ambiguidade, dói me ver escrevendo sobre as melhores das melhores das melhores expectativas e depois me afundar no lixo que eu joguei fora ontem. Não tem lixeiro pra buscar, e eu corro, corro até ele, até o lixo fedido que eu chamo de lindo. Porque meu lixo me dói, a verdade me dói, a fantasia me dói, a falta, o medo, o medo da própria dor. E isso não leva a nada, não faz sentido. Eu choro mesmo. Eu choro quando não tenho notícias, quando eu sinto saudade. Eu choro porque alguém me disse pra fazer o ano valer a pena, choro porque encarei como convite mas depois me dei conta de que eu mesma me convidei. Choro porque eu disse outro dia: "só escrevo quando estou triste". E escrevo sempre, sempre, sempre. Minha vida, meu romance solitário, melancólico opcional, dramático eventual, e feliz... feliz quando eu me calo?
domingo, 1 de janeiro de 2012
HAPPY NEW YEAR!!!!!!!
Eu não poderia deixar de falar de 2011, de me despedir, de dizer um adeus definitivo pra tudo que, hoje, eu deixei pra traz. O ano é passado, o amor, a raiva, a desilusão, as tristezas, tudo é passado. Faço questão de agradecer aqui a cada um que fez parte das minhas conquistas, que foi a causa do meu sofrimento ou felicidade, que foi sincero, que se tornou indispensável e importante. Como uma deixa pra eu me libertar do que não me serve mais e me dedicar a quem tem feito tudo valer a pena. Primeiramente ele, claro. Eu não poderia ignorar o meu recorde de tempo perdido com alguém durante esses meus breves 16 anos presente nesse mundão. Então, ele. Ele que eu amei loucamente, absurdamente, tendo apenas sentido. E sentido muito errado, inclusive. Ele que conseguiu ser o mais importante da minha vida durante alguns meses torturantes. Certo que eu não posso deixar de considerar a sua devida importância. Sim, ele foi muito importante, mais importante do que eu costumava considerar a maioria das pessoas que faziam parte da minha vida há bem mais tempo que ele. Eu sinceramente agradeço a sua participação no meu 2011, por todos os sorrisos que me causou, por todas as vezes que me fez ir dormir feliz por causa de simples bobagens que eu encarava, na minha mais utópica fantasia, como a promessa pra uma realidade que eu necessitava viver pra poder, sei lá, ser feliz. Agradeço pelas músicas que ele me apresentou, apesar de não terem sido muitas, mas acho que eu levei bastante em consideração o gosto de quem eu achava que era tudo no mundo. Agradeço pelo mínimo de senso crítico que conseguiu implantar em mim - e olha que hoje em dia eu ainda não estou lá essas coisas, mas isso não é mais trabalho dele. Agradeço, principalmente por ter me dado a chance de conhecer alguém que foi de extrema importância na minha nova - e melhor - fase, quando eu me vi longe dele de fato. Agradeço e sinto que ele não poderia ter me deixado um maior presente do que ter me feito, de alguma forma, mais mulher, mais madura. Também gostaria de agradecer aos meus poucos amigos, que se mantiveram perto quando eu achei que ia morrer - sem exageros - por causa desse moço que não foi nada além da minha imaginação sendo fértil como sempre. Aos meus verdadeiros amigos. A quem enxugou as minhas lágrimas, me falou de Deus, me defendeu - mesmo que de um jeito muito estranho - de toda e qualquer possibilidade de outro sofrimento imprevisto. A quem foi na minha casa, levou um pouquinho de mim - além dos meus livros, é claro. Agradeço a quem soube me ensinar da vida sem precisar me fazer chorar, coisa que é meio difícil se tratando de mim. Agradeço também aos que foram embora, aos que deixaram a máscara cair a tempo de me fazer não perder mais tempo com o que não vale de nada. Coisas boas começam a acontecer depois que a gente se livra de tudo o que fez mal. Agradeço a minha mãe que foi a razão, a força e a felicidade até o último minuto do ano de 2011. Agradeço pela família meio às avessas mas que nunca deixou de comemorar as minhas vitórias. Então, deixo aqui registrados os meus agradecimentos, as minhas expectativas de felicidade para o ano de 2012, os objetivos que eu pretendo realizar. Deixo as minhas sinceras desculpas se não pude ser capaz de corresponder a todas as coisas boas que esperavam de mim, mas prometo fazer o meu melhor pra quem merece o meu melhor. E que venha o vestibular!!!!! Que os deuses, o cosmos, as estrelas e todos os talismãs (passei a carregar alguns) me tragam sorte e disposição pra fazer o que tem que ser feito. Afrodite e Santo Antônio, só espero que dessa vez não comece em Janeiro e termine em Setembro, tá? Vamos alongar um pouquinho mais a felicidade? Acho que não é pedir demais. Enfim, adeus 2011. Seja bem vindo 2012 - vulgo "o ano da minha vida". Que seja doce ou amargo. MAS QUE SEJA!
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