... Subentenda-me: 2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A menina que ama demais.

Eu sempre me defini como "a menina que ama demais". Sim, não é de hoje que eu me encanto por pessoas que me transmitem sentimentos bons das mais variadas formas. Meu encantamento é diversificado e varia de pessoa pra pessoa, além do que e do quanto ela me transmite. A verdade é que eu enxergo encanto como amor, ou amor no encanto, tanto faz. Pra mim, tudo que me interessa, me causa curiosidade e tranquilidade, só pode ser amor. Amor é amor quando é algo que muda, que mexe e que acrescenta. Existem vários tipos de amor, e quanto a isso não há dúvida, pelo menos pra mim. A verdade é que eu amo demais, e amo tudo o que me guia pra uma profunda reflexão sentimental sobre mim, sobre o que me guia, ou sobre a mente das pessoas em geral. Acredito que eu sempre gostei de gente, de saber o que todo mundo pensa, de analisar detalhadamente a reação de alguém diante de qualquer tipo de situação. Eu tenho amores pra isso, pra me aprofundar no meu conhecimento humano, pessoal. Logo, o amor passa a ser aquilo que é bonito e que gera um grande aprendizado sobre tudo, não apenas sobre ele mesmo como também sobre os outros vários tipos de sentimentos. Costumo pensar que o amor é a base pra todas as emoções que temos. Se sentimos ódio é porque conhecemos o amor e vemos que o ódio é o oposto do que sentimos quando amamos. É basicamente isso, uma obviedade até. E sobre as pessoas, não sei, sinto amor. Eu amo mais aqui do que ali, eu me dedico mais a isso do que aquilo, porém sempre vai ser amor desde que me cause o mínimo de interesse bom. Eu amo o amor que tá longe, e amo muito, e amo com uma intensidade mais forte do que amo outros dos meus amores quaisquer. Amo o bem que me traz, a tranquilidade, a curiosidade, a perturbação. Eu amo a mistura de tudo em uma só pessoa, das contradições até. Eu não amo o individual, eu amo o coletivo. A grande diversidade de qualidades em alguém, a grande diversidade de defeitos em alguém. É, eu amo. Eu amo o meu amor de longe porque ele vai do pobre ao requintado, do tudo ao nada, do longe ao perto, e bem perto. Eu amo porque eu quero, amo porque eu choro ao lembrar que eu não tenho, eu choro ao lembrar o quanto eu quero ter, pra sempre. Eu amo imaginar um milhão de beijos que eu quero dar. Eu amo o abraço apertado e eterno e apertado e eterno e apertado que eu quero sentir. Eu amo o cheiro na camisa. Eu amo o cheiro na memória. Eu amo odiar tudo ser tão longe e difícil. Eu amo odiar o meu amor de longe. Eu amo a voz, amo o gato, amo os carinhos que faz no gato e que eu queria que fizesse em mim, amo o tudo que eu nunca posso ter. Eu amo querer correr pra encontrar mesmo sabendo que não adiantaria. Eu amo meus impulsos repentinos de "não quero mais", mesmo sabendo que quero sempre e pra sempre. Eu amo o sorriso, os dentes, as mãos, os cabelos, a barba. Eu amo o sotaque. Eu amo o choro de felicidade e de tristeza que me causa. Eu amo porque pode não existir, pode não acontecer, mas já é meu, já é amor, e quando é amor é eterno, eu guardo, eu quero ter mesmo sem poder viver. Eu amo a voz. Eu amo o ver presente nas minhas previsões pro futuro. Eu amo o ver presente no meu presente. Eu amo o jeito que já é meu e independente de qualquer affair seu, sempre vai ser meu, que se dane. Eu sou boba demais. Eu amo tanto, eu quero tanto. Eu amo o medo e o frio na barriga. Eu amo sentir ciúme, e um ciúme altamente prejudicial pra minha saúde. Eu amo muito. Eu amo me trocar minha definição agora de "a menina que ama demais" para "a menina que ama você".

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sinto muito

Sinto muito por mim, por gostar, por querer. Sinto muito o peso na consciência dos homens que fazem o que não devem. Sinto muito a pouca força de vontade, ou quem sabe a pena. Sinto muito não conseguir olhar sem ficar nervosa, sinto muito que isso ainda não passou. Sinto muito me impressionar com uma alegria tão banal. Sinto muito querer chorar um choro de lágrimas frias e geladas como eu. Sinto muito ler sobre a felicidade, sinto o horror que é pra mim aceitar que a minha ainda não chegou. Sinto muito querer alguém tão perto e tão de repente. Sinto que eu quero sumir, não responder mensagens, não atender ligações, só pra ver se sente a minha falta. Sinto muito, muito, muito. Sinto muito não saber fazer nada certo. Sinto muito dizer que não quero, sinto mais ainda me arrepender depois. Sinto muito não querer encarar e ter que assumir pra mim que não posso sentir. Sinto muito ainda sustentar. Sinto muito o mal que me faço. Sinto muito sentir muito.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O amor é o prêmio para quem relaxa.

     “As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas - Norman Mailer”.

       Copiem. Decorem. Aprendam.

       Temos a mania de achar que amor é algo que se busca. Buscam o amor em bares, buscam o amor na internet, buscam o amor na parada de ônibus. Como num jogo de esconde-esconde, procuram pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas plateias dos teatros. Ele certamente está por ali, você quase pode sentir o seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível, pois só o amor constrói, só o amor salva, só o amor traz felicidade.

      Pois eu preciso dizer-lhes, meus caros, que, na verdade, o amor não é um medicamento que cura todos os seus males. Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproximará, e, caso o faça vai frustrar suas expectativas, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza. Ele não suporta a ideia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima.

      Você já deve ter ouvido muitas vezes alguém dizer: “quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu”. Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas.

     “As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas - Norman Mailer”.

       Divulguem. Repitam. Se convençam.

      O amor, ao contrário do que se pensa, não tem que vir antes de tudo: antes de estabilizar a carreira profissional, antes de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir do seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir diante de você sem máscaras e sem fantasia. É esta a condição. É pegar ou largar.

      Para quem acha que isso é chantagem, arrisco sair em defesa do amor: ser feliz é uma exigência razoável e não é tarefa tão complicada. Felizes aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é serenidade. Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipes encantados.

      O amor é o prêmio para quem relaxa.

    “As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas - Norman Mailer”.


Martha Medeiros

Tosse, febre, moleza e morte.

Eu não sabia que era preciso eu ficar doente do jeito que eu estou pra perceber que o meu desejo de liberdade é muito maior do que quando eu estou bem. Na verdade, funciona assim: quando eu não estou doente, sinto prazer em ficar em casa ouvindo músicas, conversando com amigos e namorado. Certamente que sinto vontade de sair, mas, me contento em ficar em casa, ouvindo músicas, conversando com amigos e namorado. Porém quando eu estou doente, assim como agora, me sinto totalmente inconformada de estar doente, causando uma revolta por não sair e ficar aqui, ouvindo músicas, conversando com amigos e namorado. Porque quando eu estou aqui, ouvindo músicas, conversando com... ah, enfim... quando estou aqui, saudável, eu faço essas coisas paralelamente, em momentos diferentes, debatendo assuntos diferentes, só com uma música de fundo. E quando eu me deparo com a minha fraqueza, percebo que eu deveria ter vivido bem mais do que isso. Não significa que eu estou a beira da morte, o fato é que eu reflito mais. E enquanto eu posso ouvir músicas, conversar com amigos e namorado, simultaneamente, ficar aqui é realmente o fim. O fato é que o meu incômodo não gira em torno de uma gripezinha, o problema não é esse. O problema é meu instinto de indecisão. Eu sei que estou onde eu quero estar... aah... mas eu queria estar em tantos lugares além daqui, e agora... queria estar em todos os lugares que eu realmente quero estar ao mesmo, isso seria muito bom. Sabe aqueles momentos que você vive, aquele cheiro de certas situações que você sabe que um dia sentirá saudade de viver? Pois é. Esse meu desejo vem daí, da necessidade de sentir saudades de momentos bons. Sei que não vou viver muita coisa do que eu quero, do que eu sonho. Mas acho que o resumo dos meus problemas é dizer que eu simplesmente num fui feita pra monotonia, tédio, insipidez, fastio, invariabilidade e todos os outros sinônimos que essa palavra pode ter.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Eu não sei o que quero ser quando crescer.

Mãe, o que a senhora acha disso? É, eu não sei o que quero ser quando crescer. Ser feliz, só feliz, vale? Ah mãe, sabe o que é? A gente tenta, a gente vai atrás, a gente busca. Mas busca o quê? Busca a plenitude, o salário no fim do mês que vai servir pra pagar o salário de outras gentes? Isso é a plenitude? Ah mãe, eu não sei o que eu quero. A senhora sabe e sempre soube de mim, dessa minha indecisão, dessa minha inquietude. Sabe que sempre que estou aqui passo logo pra outro canto, porque o aqui já me cansou. A senhora me conhece, mãe. E se eu cansar, e se eu enjoar de fazer o que eu possívelmente vá decidir fazer? Eu pulo pra outro canto? E se não for tão fácil? Mãe, a senhora não sabe o quanto é difícil não me enxergar nem um pouco completa vendo tudo isso que essa gente importante e bem sucedida faz. O que me completa é tão simples, que de tão simples não existe. Às vezes eu penso em pedir uma grana pra senhora, armar uma quitandinha na feira e vender qualquer coisa. É mãe, eu acho que eu não nasci pra ter chefe. Já tenho a senhora por toda a vida, não quero chefe. Eu gosto da senhora, sabe? Mas é que, mãe, às vezes a senhora pega pesado. E quando pega eu me encolho, choro, ou te respondo, grito, esperneio feito a criança que no fundo sempre vou ser. Ai, e o que a senhora acha de eu virar hippie? É, eu posso me vestir de um jeito mais legal, mais colorido, mais psicodélico, e nem me importar tanto com o cabelo, já que a senhora reclama tanto. Posso viver por aí, de um jeito mais zen, ecoando mantras, espalhando "peace and love" e criticando o uso das armas de fogo. Ah mãe, eu gosto disso tudo que essa gente boa tá me oferecendo. Eu gosto de tudo que eles me ensinam, que me estimulam, e que, de uma forma geral, também querem que eu conquiste. Mas eles sabem tanto, mãe. Eu não sei nada perto deles, perto da senhora. Eu não sei nada, mãe. Eu só sei que eu agradeço por todos esses caras legais. Agradeço aos iluministas mais sãos. Agradeço ao Rousseau por ter dito: "O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe". Acho eles legais, mãe. Acho que faz sentido tudinho que eles disseram. Acho que a história toda faz sentido. E acho que quando se dispuseram a lutar contra o absolutismo eles tinham uma coisa na cabeça, um foco, um objetivo. Se sentiam completos pensando assim, agindo assim, lutando pela liberdade, pelos direitos, transformando o mundo e tentando fazer essas transformações durarem para sempre. Eu não sei, mãe. Eu não acho um foco, eu não faço sentido, eu não mudo o mundo, eu não sei como me libertar, eu só tô confusa. Eu sei que vocês, é, vocês "gente grande", vão dizer coisas do tipo: "Mas ah, todo mundo passa por isso, todo mundo, muitas vezes, se encontra no impasse de não saber o que quer". Eu entendo mãe, e até concordo com vocês. Mas acho que a sociedade me corrompeu. Não que ela tenha me deixado má, ou que tenha me influenciado a não querer nada da minha vida. Eu até quero, mãe. Quero ser muita coisa na vida. Só que não me preencho nesse meio, nessa multidão de gente que também quer muito da vida. Eu posso ser como o Rousseau um dia? Não mãe, eu não posso. Ele já morreu e COM CERTEZA não reencarnou em mim.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Crescendo

O tempo tá passando, e com isso, a cada dia eu aprendo mais coisas. Aprendo sobre pessoas, aprendo sobre mim... Sobre as pessoas, é que cada uma tem a sua própria forma de ver certas situações, e que nem sempre vêem da forma que eu vejo, e estou tento que me acostumar com isso. Me acostumar com a ideia de ter que ver gente chorando, voltando atrás, sabendo que corre o risco de repetir o mesmo erro. É aí que entra a famosa AMIZADE. Estou tendo que aprender que o melhor que posso fazer para as pessoas que amo é estar sempre presente em qualquer circunstância, é me fazer de alicerce para uma estrutura frágil. Às vezes me faz mal, às vezes só me faz pensar que entre tantos defeitos talvez eu tenha a qualidade de entender, de ouvir e apoiar. Já o que aprendo sobre mim, é simplesmente rever meus limites e adquirir experiências a minha vida. Nada é tão simples quanto eu pensei que fosse quando era menor. Quando se é criança agente pensa num mundo só nosso, onde cabe apenas nós e os nossos brinquedos favoritos... mas aí passam os anos, e pessoas vão entrando na nossa vida e ganhando uma proporção enorme dentro dela, só que junto com essas pessoas, vem também outra vida, outra história, outra educação, diferente ou não da nossa, que acaba por nos magoar, nos alegrar, tanto faz... o que mais importa é que quando vamos crescendo não temos mais aquela liberdade de manter o nosso mundo com nós mesmos e nossos brinquedos favoritos (que se substituem por pessoas), e logo aparecem outras vidas inevitáveis de fazer não passar pela nossa, e que infelizmente tem a finalidade de nos fazer mal ou vendo por outro ângulo, apenas a obrigação de nos fazer fortes e desde cedo nos fazer aprender a enfrentar problemas. Até hoje, no que eu vi, vejo e vivencio, a vida se baseia nisso, no que aprendemos com nós mesmos e no que aprendemos com as pessoas que entram em nossa vida.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Esvaziando excessos

Hora de expressar meus sentimentos. Não que isso ajude muito quem lê, mas quando eu não me sentir bem, sei que é o que vou fazer. Ler e reler as bobagens que eu escrevo. Hoje, eu to meio assim, sei lá... entendem? Faltei aula, ainda não tomei a dose diária de quem eu preciso tomar. Ah... eu não vejo muito problema nisso. Quer dizer, às vezes eu vejo, hoje não. Hoje eu estou afim de mim. Ai, nossa. Como eu queria fugir daqui pra um lugar só meu. Isso tudo tá me sufocando, ai, que vontade de liberdade. Nem quando eu tento fugir de mim, sozinha, no meu quarto, tentando pensar no quão bom seria essa sorte. Não consigo. Queria ir pra longe até de quem eu mais amo, pra ver se isso diminui e eu consigo me amar um pouco mais do que amo tanta gente. Eu sei, é normal sentir isso, não só pra mim. Sou uma pessoa comum, com a diferença entre pensamentos e costumes, personalidade e manias. Sou normal. Pessoas normais são assim. Eu queria fazer tudo de uma vez, Hoje. Minha vontade é de dirigir, em uma velocidade média, rápido o suficiente pra sentir o vento no meu rosto, e devagar o necessário pra não tomar multas de trânsito. Chegar em um lugar deserto, lindo, sem o perigo de conter maníacos e pessoas com um mau caráter. Queria apenas eu, hoje, apenas eu. Sozinha em uma praia, em uma casa, em uma estrada. Deixando fluir os pensamentos que só na minha cabeça invade. Nos meus desejos mais profundos, que eu ainda não conheço. Na minha própria história, até hoje, e na que eu ainda quero viver. Isso seria bom pra decidir um pouco sobre mim, sobre o que eu quero, e sobre o que me faz feliz. Quero jogar tudo fora. Tudo que não me faz falta. Quero, hoje, só o que me faz feliz, perceber isso, e poder manter toda essa minha felicidade, até meu próximo surto instantâneo de querer ficar sozinha pra esvaziar os excessos que se acumularam de um momento pra outro.