sábado, 18 de agosto de 2012
sábado, 11 de agosto de 2012
Eu só preciso me perder mais, de vez em quando
Fiquei sentada vendo a minha rota se afastar e não me desesperei. Pensei: "Que bom. Que me leve pra bem longe daqui". E levou. Ri do meu descompasso, da minha distração. No caminho já diferente do destino inicial, encostei a cabeça na janela, - com o tremor do ônibus fazendo minha cabeçabater no vidro deixando meu drama menos dramático - e me veio o antigo costume de pensar pra onde eu realmente queria estar indo. Diferente das outras vezes, eu não sabia. Eu só queria continuar ali imaginando os exageros com que eu iria repassar a história sobre o que aconteceu quando subi no onibus errado. Algo como: "E veio um assaltante, apontou a arma pra minha cabeça, levou todo o meu dinheiro e o meu cordão paz e amor". Ou: "E então apareceu um moço muito mal encarado e sentou do meu lado, querendo me alisar. Saí correndo, desci num bairro estranho, e lá tentaram me sequestrar pra fazer um tráfico com os meus órgãos. Nem sei como consegui escapar". Sim, eu fiquei pensando nisso, e dei risada sozinha outra vez. Eu sei me divertir comigo mesma. Como ninguém me daria ouvidos, fui pensar em outra coisa. Pensei em descer em qualquer lugar pra ver se algum lugar se encaixava em mim. Até me enchi de coragem pra puxar a cordinha, porém eu ficaria muito assustada caso as minhas mentiras imaginadas virassem realidade. Vai saber, né? Então decidi controlar a minha vontade permanente de me encaixar, de me encontrar. Continuei. Eu não queria achar o caminho de volta pra casa, mas precisava. Pensei: "Uma hora ele vai voltar pra onde veio, e eu vou descer bem onde eu subi". Até que lá pelas tantas chega o fim da linha. O fim da minha linha já chegou faz tanto tempo, só naquele momento que pôde, finalmente, se fazer literal. Tive que voltar. Voltar pra esse não sei o que. Que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porquê. Cheguei nem sei como no lugar que minha distração tentou me desviar. Depois de imaginar outras inúmeras utopias no ônibus certo, e de estar atrasada umas duas horas, subi aquelas escadas, conhecidas por terem como ofício principal me lembrar um dia ruim. Fui atrás do compromisso talvez já adiado. Cadê? Não estava. Ao descer pelas mesmas escadas, senti a tristeza do mundo sobre as minhas costas, e o barulho da sandália nos degraus de mármore se assemelhava a bombas atômicas explodindo dentro da minha cabeça. Sentei. Chorei. Chorei porque pensei na agonia de não caber em nada e de nada caber em mim. Chorei por me demorar sempre, por nunca estar ao mesmo tempo que alguém. A essa altura a ausência do meu celular se deu como empecilho. Eu queria a minha mãe. Não pude fazer nada. Não tinha ninguém, e o meu pânico de desconhecidos jamais me permitiria pedir um celular emprestado. Fui atrás de outro ônibus. E, ora vejam só, mais um ônibus errado. Antes de ficar distante outra vez, saí. Eu nunca fiquei tão sem saber pra onde ir, mas fui. Pouco importava o norte, pouco importava o sul. Por mais que tenha havido um instante de extrema bravura, logo recordei do meu medo de tudo, do meu medo de estar em meio a tudo. Um... dois... três... quatro... cinco. Cinco quarteirões até eu decidir se ia pra casa ou continuava andando reto - visto que ir pra minha casa necessitava que eu dobrasse a esquerda. Continuei reto e cantarolei baixinho: "Quando eu te vi fechar a porta, eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar..." E de repente me dei conta, sem querer, que estava na rua de um grande amigo meu. Ao me aproximar o avistei, sentado na calçada, junto com a família que eu adoro. Abracei. Liguei pra mãe, pra avisar que eu estava bem. Ela sabia. Eu fiquei. Deitei no ombro do meu amigo. O ombro me coube. E agora, já em casa, refleti sobre o dia turbulento e cheguei à conclusão: às vezes a gente complica o nosso encontro com o lugar que nos pertence, quando, no fundo, sabemos exatamente onde ele fica, só precisamos nos perder um pouco pra chegar lá.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Que seja...
Juro que já consigo lidar com a minha indisciplina, com as minhas indecisões. Já consigo acompanhar uma rotina incansável e me sentir satisfeita no fim do dia. Satisfeita, mas não feliz. É que bate, às vezes, aquela dorzinha de costume. Aquela coisinha me lembrando da falta de ser feliz. Então eu penso, repenso, tripenso em você, que tão recentemente tem me cativado e me feito sentir "cosquinha" no coração quando pede pra eu não ir embora. Eu queria que você pudesse saber que eu estou me apaixonando, que eu estou gostando de ver você fazendo questão de mim. Eu quero alguém pra ficar direito, pra guardar uma flor bonita dentro de um livro e achar ela com as marcas do tempo anos depois. Alguém que esteja comigo ao guardar e ao achar a flor. Alguém que ache isso bonito. E eu sei, você acharia bonito. Você é bonito. É correto, é honesto, é sensível e ninguém vê. Eu vejo. Eu vejo a sua vontade de ter alguém, igual eu. E eu queria te falar que estou aqui, que a gente podia unir essas nossas coincidências. Não posso. Não sei porque desde sempre, por algum motivo, ficar perto de você me causa um certo rebuliço. Porque você sorri tão lindo? Porque você tem que gostar do meu papo e aparecer quando eu peço pra aparecer? Porque desde já me dá um medo enorme de te perder? De te perder pra alguém, pra vida, pro trabalho, pro acaso. Medo de não poder mais rir das nossas piadas e das nossas conversas que duram pra sempre. Medo de você não ser meu, mesmo sabendo que é tão difícil. Eu quero é te olhar direito e dizer que eu sempre quis você. Alguém como você. Eu quero fazer parte da família que você planeja. Eu quero ser nora da sua mãe, porque eu adoro ela. Eu quero que você seja o genro da minha, porque ela torce pra você gostar de mim desse jeito que eu estou gostando de você. Que você esteja aqui. Que eu não me engane. Que a gente possa ser tudo isso que a gente quer de alguém. Que você venha sempre correndo quando eu disser que vou dormir tarde. Que você continue na minha madrugada. Que a gente continue. Que a gente se encontre. Que a gente se beije. Que a gente fique junto e sinta tudo o que a gente diz gostar de sentir. Que seja você. Que seja.
Assinar:
Postagens (Atom)
