... Subentenda-me: maio 2018

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Reiki, bloqueios, e o que eu preciso fazer pra melhorar

Agora eu preciso retomar a minha experiência de autoconhecimento, e, por óbvio, eu não posso deixar de considerar os tantos conselhos que já recebi até aqui. Bem, é sobre esse assunto de ver força em mim, de me ver com uma outra lente, que eu ando pensando bastante. E como por coincidência, ou não, encontrei a página de uma moça que muito me interessou por tratar de assuntos espirituais, energia, entre outras coisas mais que sempre foram objetos a despertar minha atenção. 

Em um compilado de vídeos, a moça, que é especialista na execução de um tipo de terapia energética chamada Reiki, tratou de certos assuntos que talvez expliquem muito superficialmente a razão pela qual eu me trato de maneira a não visualizar meus pontos positivos com intensidade maior àquela com que observo e evidencio meus pontos negativos. Pontos negativos estes realmente intensificados e demonstrados a partir da forma frágil e vulnerável de eu me apresentar e de assumir pra mim mesma como sendo essencialmente o que eu sou. 

Não sei ainda exatamente do que se trata o Reiki, mas pra destacar a sua importância é que a terapeuta apresentou argumentos que muito têm me feito refletir, tendo em vista que a breve explanação deles causou em mim uma série de identificações que há poucos minutos me fizeram chorar e geraram o impulso necessário pra eu estar escrevendo isso agora. 

Objetivamente, então, ela explicou que as nossas inseguranças, os nossos medos, e a forma com a qual nos apropriamos disso pra nos posicionar diante das situações reflete diretamente no que acontece de bom ou ruim na nossa vida. Bom, evidentemente não é preciso ser nenhum especialista pra ter ampla consciência de tudo isso. Contudo, a origem de todo o processo que nos leva a ter os medos, as inseguranças, é algo muito pouco explorado ou questionado. Segundo ela, isso decorre da perda do nosso amor incondicional pelas coisas, que acontece quando ainda somos crianças.

É que quando a gente nasce esse tal amor incondicional pelas coisas nos é dado, e nos inicia justamente no aprendizado, no entendimento sobre o mundo. O amor incondicional é exatamente o que a significação das palavras expressa, amor ilimitado, pleno, por tudo ao nosso redor. Sim, porque agora, encarnados, nós passamos a sentir, sentir na pele as sensações físicas e também as emocionais, as espirituais, etc. Então enquanto ainda somos crianças amamos tudo, tudo é mágico, tudo é novidade. A dor é intensa, a alegria é intensa. O sentir, como um todo, é intenso. 

Eis que então pra sermos "adequadamente" inseridos na nossa vida em sociedade precisamos, ao longo do nosso crescimento, ser apresentados aos limites, às repressões. Ao "não". O que é algo um tanto cruel a ser despejado pra um ser que nada entende, apenas sente. Enfim, a forma como essas limitações nos são apresentadas são determinantes pro resto da nossa vida e criam a lente com a qual vamos nos enxergar e vamos enxergar o mundo ao nosso redor.  

O que antes era incondicional passa a ser extremamente condicionado. Aquele sentir já não pode mais ser tão explícito porque chorar de dor, pular de alegria, gritar de raiva, não são comportamentos aceitos em qualquer contexto ou situação. Mas apesar disso, enquanto os verbos são proibidos, os substantivos ainda existem bem dentro da gente. Apesar de eu não poder mais chorar, pular ou gritar em determinada ocasião, a dor, a alegria e a raiva ainda existem em mim. E, bem, é daí que decorre toda a construção da forma como vamos lidar com essas emoções para com o resto do mundo e para com nós mesmos. 

Falando, assim, nada disso parece inusitado. São explicações muito fáceis de serem visualizadas e compreendidas. Acontece que o simples entendimento de tudo isso não é o bastante pra me fazer expressar ou administrar o que a minha experiência nesse sentido, nesse meu crescimento, representa hoje no jeito com o qual eu lido com os acontecimentos na minha vida. O Reiki, em tese, e até onde eu pude entender, serve pra desbloquear a energia que o ato de reprimir tanto sentir nos causa. Não ter podido chorar, pular, gritar, em algum momento me fez ser quem eu sou, me ver como eu me vejo e me relacionar como eu me relaciono. 

Entendido isso tudo eu fui, enfim, olhar pra dentro de mim tentando lembrar das vezes em que eu calei sentimentos, na tentativa de projetar pro meu presente e visualizar no que isso me afeta hoje em dia. Talvez exercitar isso de um jeito suficientemente organizado pra me fazer mudar as minhas atitudes comigo mesma hoje em dia seja complexo demais pra eu conseguir sozinha, e por conta disso eu talvez precise de ajuda. O que, é claro, eu pretendo buscar.

Mas antes de qualquer ajuda, eu pensei em escrever aqui agora algumas lembranças, algumas razões, que tanto me calaram e que eu julgo como tendo sido responsáveis pela minha atual postura diante do mundo e diante de mim mesma. 

E, é claro, não posso deixar de falar do meu pai. Essa coisa conflituosa entre pai e filha é tão clichê, né? Mas também tão determinante. Eu sempre tive a total consciência de que todos os meus bloqueios, os meus medos, minhas reações enérgicas e agressivas, se originavam a partir da forma como ele me educou. Agora, mais precisamente, eu vejo que é oriundo da forma como ele me calou. 

"Outros tempos, outra criação, outra época", dizia a minha mãe sobre a criação do meu pai na tentativa de justificar a personalidade dificílima dele. De fato, hoje eu sou lúcida o suficiente pra compreender o contexto no qual ele tava inserido e no quanto ele também foi calado e reprimido pra ser como é internamente e externamente. Mas o meu objetivo aqui não é entender meu pai, é me entender. 

Perdi a conta de quantas vezes sentei em frente ao espelho e conversei comigo mesma sobre o que ele representou em toda a história da minha vida. Já enumerei situações, expliquei pra mim mesma o que aquilo causou em mim. Curiosamente eu estava tentando desbloquear essa energia mesmo sem saber como ou se eu estava realmente fazendo isso. E apesar de tanto choro e de ter a total consciência de que sim, muito me afetou e muito me doeu, acho que nada foi desbloqueado.

Lembrar dos gritos, das brigas, da obrigação de ficar calada ouvindo tudo aquilo sem entender quase nada, ou das outras situações em que eu, amedrontada, escutava ele esbravejar e me proibir de falar com meninos, ou me ridicularizar, ou dizer que eu era um monte de coisas que nunca fui e sem razão nenhuma pra tanta insinuação. Nessas e em outras situações ele me calou, de um jeito tão agressivo quanto seria se ele literalmente tivesse me segurado e calado a minha boca com a mão. 

Cresci ouvindo berros desnecessários e nutrindo um misto de terror e afeto pela minha figura paterna. Sim, porque, apesar de tudo isso, ele me garantia ser tudo pro meu bem e pra minha proteção. Consigo me dar conta do quanto essa relação me foi prejudicial. Porque eu ainda não me vejo liberta de certos comportamentos. Ainda tento controlar, aprisionar, possuir, por um ciúme que eu atribuo a minha afeição, ao meu amor. Isso com outros e também comigo mesma. 

Eu que tanto me proíbo, me protejo, me limito e me menosprezo, por achar que fazer isso é como me amar também. Ele fazia tudo isso comigo e me amava, então eu também precisava fazer, não é? E faço, ainda inconscientemente e lutando contra, eu faço. Já gritei comigo, tive terror a mim mesma, me ridicularizei. Quem sabe buscando cuidar de mim, me poupar. E se eu já fiz, e ainda faço, tudo isso comigo mesma, claramente não tinha como não fazer com os outros. A gente dá o que tem. 

Constatar essas verdades é bem anterior à apresentação daqueles argumentos pela terapeuta que eu segui no Instagram. Mas solucionar todas as consequências continua sendo uma pendência. Ainda não consegui desbloquear essa energia que me faz agir com tanta piedade, me considerando aquele ser frágil e impotente que, lá atrás, ele me convenceu de que eu era. Sim, tenho consciência de tudo mas permaneço com a mágoa, permaneço com aquela lente que faz eu me ver pequena, incapaz, fraca, insegura, desconfiada. 

Então, eu compreendo os conselhos que eu recebo, até acho que podem ser providenciais pra uma mudança no estado em que me encontro. Mas nem tudo é tão simples quanto parece. Não basta uma decisão, um simples arregaçar de mangas, como se entender o que me faz ser assim fosse suficiente pra que eu deixe pra trás uma vida toda de medos e receios e impulsividades.

Sem contar que tem muitos outros motivos ocultos dentro de mim ainda não esclarecidos. Eu só quero saber uma forma de trabalhar em cima de tudo isso sem me perder das minhas partes boas. Porque o que eu sou de bom e de ruim nasce da mesma raiz.

É algo que pretendo buscar, cada vez mais. Pra não perder, não me perder.

E que fique aqui registrado pra que eu não esqueça da busca por esse tal desbloqueio, porque, sim, eu quero ser o meu melhor e, no fundo, eu sei que eu posso. São muitas travas, muitos ressentimentos, inclusive comigo mesma, que eu quero deixar pra trás. E apesar de viver bem, sem lembrar, conduzindo bem algumas situações da minha vida, eu sei que quando eu caio, reajo mal, explodo, choro, fico assustada, tudo isso se apresenta, tudo se manifesta, e eu me recordo.

Não que eu queira só ter partes boas, mas eu sei que o que é preciso é saber lidar com o que me tira do eixo de um caminho bonito e me impede de viver o que eu realmente quero viver. É triste, mas é muito bom saber que isso pode mudar. Enfim, o sentimento é de que algo precisa ser feito, pra já, pra ontem. Como? Ainda não sei. Vou dar um jeito de saber, eu sempre consigo. Tenho que conseguir. 

domingo, 20 de maio de 2018

Re-soluções (?)

Recomeçar ou começar? Eis a questão.

Sim, porque, antes de qualquer busca ou de estabelecer algum critério pro real objetivo do resto dos meus dias, preciso saber se em algum momento já tive um. Ou o plural, aqui, seria mais adequado? (Objetivos) Já tenho? Já comecei pra recomeçar? Ou se inicia agora a aventura de inaugurar qualquer coisa, qualquer caminho, qualquer vida?

Qualquer...

Bem, talvez seja esse o erro. Eu muito me utilizo dessa palavra...

"Qualquer lugar tá bom"
"Qualquer dia desses eu faço isso"
"Qualquer pessoa pode ser o amor da minha vida"

 ... E agora, além de representar hipóteses variadas sobre o que fazer ou ser, o "qualquer" significa, acima de tudo, o grande desconhecimento do que eu de fato quero pra mim. Assim concluo que a resposta é: não.

Não tenho objetivos, nunca os tive efetivamente. Não comecei nada, sendo assim não posso usar o prefixo de repetição. É, eu não posso recomeçar o que nunca começou. E, sim, se inicia agora a aventura maior que é abandonar o "qualquer" e encontrar o que realmente deve ser, ou o que eu quero ser.

Para além das divagações gramaticais, preciso falar comigo mesma. Eu que tanto me orgulhei por escrever e considerar isso uma importante ferramenta para o meu processo de autoconhecimento, abandonei esse hábito. E, consequentemente, me desconheci. 

A escassez de objetivos talvez se deva a uma grande pausa no processo de "saber de mim". Hoje não sei, como nunca soube. Mas pior que não saber é ter desistido de descobrir.

Desisti de mim, sem perceber. Por um ano ou dois ou três, desisti de encontrar os íntimos questionamentos sobre o que eu, de fato, sou. Ter me perdido ao longo do caminho não me torna, necessariamente, avulsa do meu eu. Mas me torna, sim, menos entendedora de mim. 

Me afasta não dos meus princípios, mas sim dos meus sonhos. Sonhos que um dia já tive. Tímidos, distorcidos, aguardando o aprimoramento da minha relação comigo mesma pra desabrocharem. Abandonei a construção da definição dos meus sonhos. Deixei pela metade, fui embora sem tê-los. Não reguei e não colhi.

Hoje estou sentindo falta. Falta de um sonho, de uma razão. Porque o problema real, posso me dar conta agora, não é encontrar ou não as respostas, mas sim determinar as perguntas. Categorizá-las, colocá-las em ordem alfabética, com escalas, gráficos e fluxogramas que organizem a importância da busca para a solução de cada questão correspondente.

Um grande passo foi dado e devo me orgulhar: admitir que a ausência dos sonhos decorre da ausência de mim. 

Não mais me procurei, por muito tempo negligenciei a minha própria evolução. Apesar disso, não vou ser cruel comigo mesma por ter mais de vinte anos sem ter mais de mil perguntas sem respostas. Não vou ser cruel por eu ainda não estar ligada num futuro blue. Serei, ao contrário, generosa comigo e com meu atraso. Até mesmo em respeito a má escolha que foi ir embora de mim. 

Mereço uma segunda chance.

Sendo assim, antes das respostas me proponho e me disponho agora a, primeiramente, encontrar as perguntas. Aquele tal questionamento íntimo sobre o que sou, que me aproxime dos meus sonhos evaporados. 

Buscar por isso escrevendo e me encontrando talvez seja um bom ponto de partida. Contudo, eu sei que muito provavelmente não vou encontrar os mesmos sonhos por ter perdido, há tempos, o fio daquela meada. E tudo bem. É querer demais encontrar tudo no mesmo lugar depois de abandonar o lar com as janelas abertas.

Não defini meus sonhos, lá atrás, porque me abandonei no meio do caminho. Subestimei a importância do descobrimento do meu eu. Com isso fiquei à deriva, não me impus metas, não enraizei perguntas, não comecei a buscar respostas. 

Ter me largado pela metade não quer dizer que eu não pensei nos danos durante esse tempo todo. No fundo eu sabia que em algum momento o vazio tomaria conta de mim por inteira. E tomou.

Entender isso é o que me traz aqui, agora, no meu lugar de tantas linhas, pra tentar me achar de novo. Pra tentar, enfim, começar. Não posso considerar aquele esboço como um começo. De novo, me perdi do começo. Comecei sem começar. Não comecei.

Mas pra apertar o play, ainda perdida, ainda indefinida, eu preciso, antes de tudo, abandonar o "qualquer". Qualquer coisa não vale mais, qualquer amor não vale mais, qualquer satisfação não vale mais, qualquer prazer não vale mais.

Eu bem sei da dificuldade que é começar do zero. Sei que o conforto de me impor o "qualquer" internalizou em mim uma preguiça mal acostumada. Porque já que não sabia o que eu deveria querer, qualquer coisa estava bom. Agora não está.

Sabendo disso é que eu parto pra minha louca aventura de encontrar perguntas. E essa aventura, por si só, já representa um objetivo. Vou começar conversando comigo. Sessões diárias de conversas e mais conversas a fim de definir tudo o que eu preciso solucionar. Ou me perguntar.

Talvez com toda essa constatação eu tenha encontrado um sonho, sem querer, provando que o que me falta é diálogo comigo mesma. 

O primeiro sonho (quem sabe o mais importante tendo em vista tudo o que foi aqui ressaltado) é saber o que sonhar. Eu sonho, portanto, em encontrar a minha fonte inesgotável de sonhos. Que não admite o "qualquer" e se constrói a partir das minhas perguntas.

Que perguntas, afinal?

Bem... acho que já tenho uma.