... Subentenda-me: novembro 2015

sábado, 21 de novembro de 2015

Texto sobre dúvidas (quem me dera fossem dívidas). 

Teus olhos castanho claro ou a vastidão de cores mundo a fora? 

Tua boca vermelha ou a diversidade de gostos a minha volta? 

Teus cabelos lisos ou um monte de outros mais pra engatar meus dedos? 

Teus 26 ou os meus 20 muito pouco aproveitados? 

Uma vida inteira do teu lado ou uma existência cheia de insatisfação e desejos reprimidos? 

Vários dos teus dizeres superficiais ou o mundo profundo cheio de tons, cores e poemas que sempre me encantou? 

A tua empatia forçada ou gente que sente como o outro sente e chora como o outro chora? 

Tua paciência que tolera a minha raiva visceral e faz pouco dos meus motivos ou alguém que se perca como eu mas se ache na minha ausência? 

O futuro estruturado, a casa, a família, os filhos, os negócios ou a poesia que deve ser fazer o amor mais gostoso de uma vida inteira? 

A tua irresponsabilidade com os meus sentimentos ou olhos que só sabem me ver e notar todas as possíveis causas de dores futuras a tempo de interrompe-las? 

A tua perspectiva limitada de vida ou os meus objetivos traçados e planejados, sem que haja espaço para as tuas indecisões?

A tua necessidade de exibicionismo ou a minha extroversão cheia de bom senso?

O teu apego pelo "ter" ou a minha paixão pelo "ser"?

As tuas festas cheias de barulho ou uma reunião íntima com música calma e luzes aconchegantes?

Os teus vícios ou os meus sonhos?

Os teus defeitos ou as minhas qualidades?

O meu amor por ti ou o meu amor pela vida?


Não sei.
Se não fossem dúvidas, seriam certezas.
E se fossem certezas, eu provavelmente saberia o que fazer.
Ou não.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

A velha mania de fugir pra lá quando aqui fica ruim

Às vezes é difícil. Às vezes não.
Às vezes qualquer letra de música romântica me faz lembrar, qualquer dia é um dia propício pra eu cavar lembranças, me fazer perguntas ou imaginar situações.

Às vezes... Bom... às vezes eu esqueço. Juro, às vezes eu esqueço completamente e tenho dias plenos, felizes, reais.

Internamente eu até acho graça por me dar conta disso, mas é chato perceber que mesmo tendo a maioria dos meus dias cheios da ausência que de fato existe, quando lembro me deparo instantaneamente com uma nuvenzinha cheia de melancolia e um sentimento inquietante, uma coisa que eu sinto sempre quando chego à conclusão de que tudo isso não tem razão pra ser, pra ainda existir.

É, não tem porque ainda existir, mas existe. E sobre essa existência já não faço nada. Não luto contra, não abafo, não reprimo, não escondo de mim mesma, não tento me enganar.

Acho que por ser tão recorrente já aprendi a lidar. Já notei que isso dura uns dois dias e depois passa. Depois eu reparo no sorriso de orelha a orelha que a vida me dá todo dia. E que sorriso.

Mas eu não posso deixar de pensar, nos dias em que a ausência é presente, sobre o que os anos fazem com a gente, sobre os sentimentos que parece que fizeram morada em um lugarzinho muito específico lá no fundo da gente. 

E não faço nada. Cuido. Alguém segue eternamente responsável pelo o que cativou.