... Subentenda-me: dezembro 2014

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

VIVA 2014!

Antes de escrever esse texto eu fiz uma coisa que me engrandeceu. Que fez os meus olhos brilharem, que fez eu sentir orgulho da minha coerência. Li todos os textos que escrevi até aqui. Acho bonito nós nos depararmos com a nossa evolução. Olhar pra trás e notar que muito do que era não é  mais, mas que o essencial permaneceu. É daí que vem o meu orgulho: o essencial realmente permaneceu.

E eu estou aqui muito feliz, três anos depois de ter iniciado esse blog sem qualquer intenção além dessa de fazer com que eu me conhecesse melhor. Estou feliz por perceber que essa minha intenção foi completamente válida, e eu continuo me conhecendo mais com o passar do tempo. E não pretendo parar. É bom ver quem a gente é, ver as nossas confusões, os nossos descabimentos e em seguida nossa serenidade. Eu fui assim não só no que escrevi e escrevo, mas na vida, até hoje. Não quero mudar. Sempre tive os momentos de confusão, indecisão, inquietação, e gosto de perceber que escolhi uma das formas mais bonitas pra conseguir organizar tudo isso: escrevendo. 

Talvez eu não tenha tanta habilidade pra escrever sobre outros temas mais intelectuais, mas tenho pra entender sobre mim. E isso faz de mim alguém melhor. Eu sinto. Sinto que desde 2011 eu deixei pra trás muita coisa, muitos sentimentos que pareciam infinitos, muitas urgências, muitas crises adolescentes que hoje se tranquilizaram. Mas continua comigo isso de ver amor em tudo, de querer viver pra contemplar o amor em tudo. 

Não sei se com esse texto agora quero fazer uma retrospectiva do que foi esse ano, talvez daqui a pouco eu faça algo do tipo só pra eu lembrar depois. Mas agora o que eu quero mesmo é levantar as mãos pro céu e agradecer por estar de bem comigo mesma, por ver que tudo o que eu escrevi até aqui e sentir até aqui foi de verdade. E que a verdade é uma virtude que eu aprendi a honrar por achar tão preciosas todas as consequências que ela provoca. 

Há quem diga que verdade magoa, e quem diz não está errado. Mas agora quero saber quem disse que ficar magoado é algo exatamente ruim. Pra mim a mágoa tem um lado muito bom: é quando a gente revê e reflete. E eu parto do princípio de que quem se magoa possui o mínimo de sensibilidade, e quem é sensível e mergulha dentro de si, consegue ser lúcido para admirar a verdade por trás da mágoa. 

Eu fui lúcida pra conseguir isso, e estou aqui pra dar meu testemunho. Sim, e gostei tanto do alívio que dá ser magoada pela verdade, que só quero ser da verdade, mesmo com todos os riscos. Verdade em tudo, em cada sentir, em cada bom dia, em cada discussão. Verdade moderada, verdade acompanhada de respeito, e não de crueldade. Verdade acompanhada de sentimentos bons, de sentimentos que impulsionam para tudo o que gera crescimento. 

E eu fui assim até hoje, e quero continuar sendo, e quero dizer pro mundo ser de verdade. Que sejam de verdade em tudo, nas roupas que usam, no discurso que propagam, na opinião que emitem. Mas que seja verdade e não maldade. Porque todo mundo é livre pra dizer o que pensa e pra fazer o que sente que tem que fazer desde que não fira ninguém de forma intencional. De resto pode ser, de resto a gente encara, aguenta, leva.

E de 2014 eu só consigo tirar os melhores dias. As aflições, as angústias, e os medos também. Mas principalmente a felicidade, o amor e os risos. A sorte de ver o mundo ganhar um colorido novo bem aos pouquinhos. De sentir que a vida vai se encaixando do jeito que tem que ser. De 2014 eu tiro a consciência de que nem tudo vai ser sempre um mar de rosas, e de que pra fazer sol vão haver alguns diazinhos nublados. E aprender a ver beleza nesses dias também. 

2014 foi VIVIDO, e muito bem vivido. Com surpresas, nervosismos, saídas, encontros, beijos, abraços, cheiros, parceria, desentendimentos, entendimentos. Teve vida nesse ano, sem águas paradas. Com desistências efêmeras que logo se desfizeram. Com vontade de lutar pelo que acredito e sinto, justamente por ser de verdade aqui dentro de mim. Por não me importar com o que alguns julgam como improvável e seguir em frente com a força que vem de todo amor que eu tenho por tudo.

Já não me envergonho por ser clichê, por ser doce, por apostar na delicadeza. Eu gosto é do valor de tudo, e tudo que tem valor me tem. E eu vou atrás, em 2015 e nos próximos anos. E farei mais textos lamentando, esperneado, me revoltando. Mas também farei expressando o quanto eu sou feliz mesmo quando não tenho tantos motivos porque eu tenho o principal: EU TÔ VIVA. E nunca me senti tão assim como agora. 

E viva a vida! Viva 2014, viva os amigos, os amores, a família, os passeios, os carinhos, os sorrisos, a verdade!!!! Viva!!!!! 


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Desabafo adolescente de um coração partido/ sou melhor que tudo isso/ "você desperdiçou o amor, partiu e nunca mais ligo-ô-uôu"/ Você não foi o primeiro, não vai ser o último. / Autoajuda para decepções futuras

Fala sério, amor, olha só pra minha vida, olha só pros textos que eu te escrevi. Eu cheguei até a escrever um feito à mão pra te entregar caso a gente desse certo. E agora você sabe como eu me sinto? Me sinto como alguém que acabou de deixar cair um copão de milk shake de chocolate numa poça de lama. É, foi com você que eu desperdicei a doçura da vez. Pra você fazer o que? Passar por mim e fingir que não viu. Engraçado, dias atrás, nesse mesmo local, ao invés de me ignorar você me deu um beijo e me desejou bom dia. Que loucura! Fico me perguntando o que você é. Um oportunista que disfarça as suas reais intenções pra conseguir o que quer ou um ingênuo garoto disfarçado em pose de homem que não sabe lidar com o que sente, que não tem peito pra comportar um sentimento maior do que o que estava prevendo? Acredito que as opções têm um sinônimo em comum, tanto uma quanto a outra pode ser facilmente substituída pelo adjetivo "covarde". Sinto tanto.

E saiba que nada está com você. E saiba que não é amor. Não tem choro interrompido por nenhum colorido bonito, não tem delicadeza nenhuma a não ser a minha. Não tem sinceridade, encanto, urgência da sua parte, e sem reciprocidade não há amor. Há desilusão, sim. Mas isso jamais pode ser comparado com amor de verdade. Desilusão amorosa não existe, se fosse amor não teria sido desiludido. E se eu me importo? Obviamente. Vou chorar em mais algumas manhãs, no ônibus, indo pro trabalho. Vou chorar quando ouvir as minhas músicas preferidas que você estragou. Vou sentir uma dor enorme no peito quando te encontrar e fingir que nós nunca fomos nada. Vou ficar com um nó na garganta vendo os casais felizes que há pouco tempo eu via e não me sentia tão distante de viver algo parecido. 

Agora já não tenho vontade de carregar tuas bagagens. E nem você de que eu as carregue. O que fazer com o não querer do outro? Aceitar. Aceitar o teu não querer só que dessa vez com menos generosidade, com menos compreensão. Porque eu não aceito quem joga, quem atua, quem não sabe ser digno.

E eu vou continuar aqui amando a minha vida mesmo meio torta, meio doída, moída, corroída. Eu sei me reconstruir. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

O insistente não saber dos corações apaixonados.

Eis que um belo dia uma pessoa surge. Te surpreende assim de repente, te encanta logo nos primeiros minutos de conversa. Fala da vida, te alcança. E então vocês ficam cada vez mais próximos. Com o passar dos dias você percebe que já vai ficando mais complicado encarar a realidade sem contar com os momentos em que vocês vão dividir os acontecimentos do dia-a-dia. Antes mesmo de se dar conta vocês se incluem, às vezes até demais, nas decepções do passado do outro, nas ambições pro futuro.

E você passa a semana esperando o momento de vocês se encontrarem, e quando se encontram a mágica está na simplicidade com que ele deita no tapete da sua sala e te puxa pra junto dele. A mágica está na preocupação que ele tem ao ver que você está comendo besteira no jantar. A mágica está naquele final de tarde que vocês passaram rindo à toa e ele se deitou na sua rede pra descansar e acabou dormindo abraçado no seu braço esquerdo. Você passou quase meia hora com o braço dormente pra não acordá-lo. 

E você sente que cada momento foi eterno, cada conversa, cada cheiro no cangote, cada piada. Foi eterno quando ele disse que poderia ficar pra sempre ali. Você concordou porque até este exato momento da sua vida você nunca tinha se sentido tão plena, tão tranquila, tão em paz. Você concordou porque ficou revirando o baú da sua memória pra ver se conseguia encontrar alguma imagem mais bonita do que os olhos castanhos dele te sorrindo. Nada superou. Nada superou vocês dois deitados na rede, nada no seu histórico conseguiu ser mais significante. 

E é aí que você percebe que está perdida, que não tem saída, que ou aceita que está realmente apaixonada ou passa o restante do mês de dezembro triste por achar que vocês não vão dar certo porque ele confessou que coleciona fracassos nas tentativas de esquecer a antiga namorada. 

É certo que ele insinua que desde aquele fim ninguém o fez querer tanto voltar pra um abraço, um beijo, um cafuné como você. Mas é certo também que você tem doutorado em amar errado e isso faz com que você reconheça de longe o perigo. E então você passa manhãs inteiras se perguntando se a coluna aguenta carregar uma bagagem tão pesada quanto a dele, e se isso valeria a pena. Uma hora você pensa que sim, que sente que quando ele fica te olhando e te fazendo carinho na orelha ele está se permitindo viver algo novo e bom, que o fato de ele não querer ir embora demonstra o empenho em tentar fazer dar certo. Outra hora você pensa que não, afinal, como convencer alguém que viveu boa parte da vida achando que não encontraria amor em outra pessoa de que você está aqui e disposta a fazê-lo feliz? Por fim, você pensa também que independente do que for pelo menos ele está sendo honesto. Pelo menos.

Você não sabe se consegue defender a tese de que você é maravilhosa e perfeita pra ele. Não sabe se consegue não derramar uma lágrima ao dizer pra ele olhar em volta e observar o quanto ele combina com a sua sala, com a sua rede que agora está com todo o cheiro dele. Não sabe se consegue falar sem gaguejar que foi lindo tê-lo visto dormir e que queria passar o resto da vida assim, o admirando num sono gostoso. Não sabe se conseguiria listar cada compatibilidade sem ficar exaltada pelo fato de ainda restar algum tipo de dúvida de que vocês se encaixam perfeitamente. Você simplesmente não sabe. Mas você quer. Você quer tudo com ele. Você quer viagens, passeios, e mais tardes chuvosas. 

Você não sabe. Você tem que decidir se deixa de lado a pessoa que conseguiu em alguns meses te fazer desfrutar de todas as sensações maravilhosas possíveis de quando se gosta de alguém ou se o deixa ficar mesmo sabendo que corre um grande risco de ser apenas uma figurante, ou alguém que faz bem e é confortável de ter por perto. Você sabe que seria difícil ser o "tudo" dele, e a parte mais difícil é ter que admitir que ele tem séria propensão a ser o seu. 

Você sabe que não deve dedicar toda a sua existência a uma só pessoa e sabe também que não quer precisar de alguém, mas você já não consegue lidar com o fato de que tudo seria mais triste sem as doses, ainda que pequenas, de felicidade que ele te dá. E você tenta ser otimista, e você tenta ver que trás consigo todo o amor do mundo capaz não de apagar outro amor falido da vida dele, mas sim de fazer ele viver um amor completamente novo, leve e inspirador. E você até acha que consegue, e inspira fundo e sente que deve permanecer. No entanto um segundo depois você solta o ar e repara que a garganta dá um nó.

E depois você volta a se perguntar por que diabos não pode ter algo que quer muito sem muita dificuldade? Você olha pros personagens da sua vida e repara que pra eles foi fácil se estabilizar. Que foi fácil aquele seu antigo amor começar um namoro e engatar pra uma união estabilíssima, que foi fácil pra aquele outro reencontrar a namorada de infância e noivar com ela, e que foi fácil pra sua melhor amiga começar a viver o amor mais lindo, puro, sincero e desinteressado que você já pôde ver diante dos seus olhos. Foi muito fácil pra todo mundo. E então você tenta entender o motivo de pra você ser tudo tão difícil. Por que os poréns sempre marcaram presença em todas as suas histórias? Poréns que remetem ao conteúdo dos roteiros em questão um quê de exagerada impossibilidade. Por quê? 

Você não sabe. 

Você não sabe o que fazer com o pendrive dele que está aqui, não sabe o que fazer com as lembranças boas que ele já enraizou em você. Com certeza não saberá o que fazer com todas as músicas que vocês cantaram juntos enquanto se olhavam e sorriam. Músicas que certamente farão com que você chore rios de lágrimas quando voltar a ouvir sozinha. 

E então você começa timidamente a reparar que essa é a sua vida. Que surpreendente seria se não fosse impossível, complicado, complexo e absurdamente apaixonante. 

E então você pensa em interromper a angústia, tomar um calmante ou algo que te faça dormir, ligar o ar condicionado, se encasular no edredom e acordar só quando você souber um pouco mais. Ainda que você saiba que isso é uma ilusão porque na realidade você saberá muito menos. 

O que você faz? 

Ah, se você não sabe, imagine eu...