Queria, muito sinceramente, saber em quem botar a culpa. Se nos desenhos, nas princesas, nas novelas, na minha mãe. Eu juro que queria.
Mas mesmo fazendo esse exercício constante de tentar lembrar, a verdade mesmo é que eu sinto que isso sempre esteve aqui, essa tendência ao conto de fadas.
Lembro que eu, desde sempre, olhava pros garotinhos romanticamente, idealizava que eles se apaixonariam por mim e me escreveriam cartinhas de amor. Imaginava a gente, mais adolescente, gravando nossas iniciais dentro de um coração, em uma árvore.
Eu era apaixonada por um garoto na infância que chamava Matheus. Perto dele eu ficava abobalhada, ou então vendo ele pela janela olhando, admirando.
Ele era lindo. Os olhos, o sorriso, os dentes amarelos e tortos, o boné pra trás. Eu lembro das mãos dele, e dos pés. Eu sempre fui completamente fascinada nos detalhes dos meus amores, desde menina.
Ele não gostava de mim, óbvio. Nem me convidou pro aniversário dele.
No dia que ele entregou os convites todo mundo estava brincando, não me lembro o nome da brincadeira, mas era alguma coisa que precisava ficar parado enquanto a outra pessoa ia contando os passos até pisar no pé da outra. Enfim. Ele deu o convide pra todo mundo da rodinha menos pra mim. Eu nunca entendi o porquê.
Hoje eu poderia discorrer sobre isso, analisar que talvez isso poderia até ser a confissão de um possível sentimento por mim. Mas não, eu quero falar da dor que foi isso, não ser convidada, me sentir rejeitada, excluída, preterida.
Foi a primeira vez que me senti assim, e de lá pra cá juro que toda vez que acontece algo parecido eu não sinto muito diferente do que sentiu aquela garota de nove ou dez anos.
Com a mesma intensidade da infância, com a mesma confusão de quem não entende o que sente, de quem tá perdido. É arrebatador, é dolorido.
A minha dor dói no peito e no corpo todo. Eu estremeço, eu suo frio.
Queria saber o que me fez sentir aquilo com nove anos pra desconstruir e não me sentir tão assim ainda hoje.
Que a dor no peito e no corpo é efeito colateral do amor forte e intenso que eu sempre senti e da rejeição que me calejou, lá atrás. Além dessa, em algumas outras vezes.
Tenho 24 anos, poucos amigos, alguns amores, e me sinto a maior parte do tempo sozinha, incompreendida e desencaixada das coisas, dos lugares, das pessoas.
Mas de todas as minhas peculiaridades, essa minha questão com o amor sempre foi a mais marcante.
Talvez seja pela relação dos meus pais, talvez seja mesmo pelas novelas e princesas, ou, na realidade e acima de tudo, pode ser que seja pra eu resgatar alguma coisa das vidas passadas.
Não é assim? A gente planta e colhe?
Capaz que em outra vida eu tenha sido perversa e feito alguém sofrer muito, daí nessa eu vim pra aprender a lição, como uma refém do amor da pior forma possível.
Da pior forma porque eu acho que sim, dá pra ser refém do amor e das relações sem sofrer, dá pra entender e sentir claramente, dá pra não idealizar tanto, dá pra só viver a marolinha de um sentimento bom quando ele surge e deixar ir acontecendo.
Mas eu não, eu vim mesmo com todo o tumulto, com toda carência, o medo, a insegurança. Tudo me atinge como um tsunami.
Tô escrevendo isso agora depois de chorar muito porque me dei conta que o meu novo romance é só mais um. E eu, por consequência, sou só mais uma na vida dele também.
A verdade é que infelizmente - ou felizmente - ninguém consegue me tirar da cabeça que em algum momento vai chegar alguém disposto, realmente disposto a me acompanhar, a me mostrar pro mundo, a me levar pra um "brejasco" sábado a tarde mesmo que a gente só esteja se conhecendo porque viu que minha semana foi difícil e isso poderia me animar.
Eu não consigo deixar de pensar que a pessoa, A PESSOA CERTA, ao menos me convidaria, ou me diria "poxa, pior que é tudo pago e não tem mais vaga, senão te levaria comigo só pra tu não ficar aí tristinha". Ou, nem fosse tanto, podia só dizer pra eu não ficar bad vibes, que não podia me dar atenção agora porque já tinha marcado compromisso mas depois a gente ia sair pra fazer algo bem legal.
É simples, e o simples sempre foi tão complicado de acontecer comigo.
Eu sou só mais uma pro meu novo romance e ele é só mais um pra mim. Me dou conta disso agora mas já venho lamentando há semanas da falta de intensidade, de paixão.
Primeiro pensei: que bom que tá indo de vagar, eu precisava de algo leve, equilibrado, que me desse paz.
Agora, infelizmente, penso que esse algo leve não é suficiente, que eu quero amor, que eu quero dormir junto, almoçar, jantar, cinema, teatro, sexo, demonstrações de afeto.
Quero alguém que me mostre pro mundo! É isso!
E então eu choro porque me lembro dele. De novo ele, mais uma vez ele. Há quatro meses: ele.
Lembro dele que foi o ultimo a fazer eu me sentir como aquela garotinha que não foi convidada pro aniversário do menino que era apaixonada.
Aquele sentimento ainda tá aqui, a verdade é essa. Me questiono todos os dias como ainda posso sentir tanto por alguém que ficou tão pouco?
Eu sei o porquê. É porque com ele eu experimentei, por um brevíssimo espaço de tempo, tudo o que eu sempre quis sentir. Todos que me apresentam a essa sensação, essa euforia, me marcam demais.
E com ele foi assim, um turbilhão, um sentimento louco, intenso.
Era ele me buscando pra almoçar no dia dos namorados. Era ele me levando pra jantar no dia dos namorados. Era ele parado dentro do carro abaixando o vidro lentamente enquanto segurava uma rosa, antes de eu entrar.
Era ele preparando um almoço pra mim no meio da semana, era ele me levando pra ponto turístico da cidade e perguntando como estava a minha mãe.
Era ele e o tamanho dele e o cheiro dele e o beijo dele.
É de tudo isso que eu não esqueço, que tá aqui dentro guardado.
São lembranças que querem ser multiplicadas e não podem mais.
É essa idealização que eu queria sim, e sei que não pode, que tá na minha cabeça.
Mas hoje, véspera de círio, eu queria tanto um amor assim, real.
Porque eu sinto tanto que existe, em algum lugar, alguém disposto a isso, como eu. E cadê?
Tá doendo hoje ser só, mais uma vez. Tá doendo essa paixão que não existe mais, tá doendo ter que lembrar dele e desses momentos pra aquecer meu coração.
Eu quero paixão, eu quero a ansiedade pra ver alguém. O frio na barriga, o coração acelerado, os movimentos imprecisos.
Dá até pra dizer que aceito pagar o preço depois, me sentir com nove anos de novo. Hoje eu dava tudo pra viver isso.
É que eu quero repousar e morrer de rir, e ficar quieta, e sentir mais um monte de coisa que eu nunca senti.
Choro por isso. Choro porque queria, sempre quis, sempre pedi pra alguém estar do meu lado pedindo que Deus me abençoe quando a santa passa, como eu também faria por ele.
Nunca tive.
Não sei, talvez seja isso de carma, de resgate. Talvez eu não mereça, nessa vida. Talvez a evolução more no sofrimento pelo não ter, e, quem sabe, o aprendizado da minha vida seja a aceitação da solidão.
Aceitar que nessa vida o amor, a parceria, o companheirismo, a amizade, a segurança estejam ausentes, e daí eu entenda que a única forma de ter isso seja sentir isso e entregar isso pra mim mesma. Blablablá. Eu já sei.
Mas nunca vou deixar de dizer o quanto eu queria um amor pra minha vida toda.
E no fim, a única coisa que eu sei é que talvez ele nunca chegue.
Da pior forma porque eu acho que sim, dá pra ser refém do amor e das relações sem sofrer, dá pra entender e sentir claramente, dá pra não idealizar tanto, dá pra só viver a marolinha de um sentimento bom quando ele surge e deixar ir acontecendo.
Mas eu não, eu vim mesmo com todo o tumulto, com toda carência, o medo, a insegurança. Tudo me atinge como um tsunami.
Tô escrevendo isso agora depois de chorar muito porque me dei conta que o meu novo romance é só mais um. E eu, por consequência, sou só mais uma na vida dele também.
A verdade é que infelizmente - ou felizmente - ninguém consegue me tirar da cabeça que em algum momento vai chegar alguém disposto, realmente disposto a me acompanhar, a me mostrar pro mundo, a me levar pra um "brejasco" sábado a tarde mesmo que a gente só esteja se conhecendo porque viu que minha semana foi difícil e isso poderia me animar.
Eu não consigo deixar de pensar que a pessoa, A PESSOA CERTA, ao menos me convidaria, ou me diria "poxa, pior que é tudo pago e não tem mais vaga, senão te levaria comigo só pra tu não ficar aí tristinha". Ou, nem fosse tanto, podia só dizer pra eu não ficar bad vibes, que não podia me dar atenção agora porque já tinha marcado compromisso mas depois a gente ia sair pra fazer algo bem legal.
É simples, e o simples sempre foi tão complicado de acontecer comigo.
Eu sou só mais uma pro meu novo romance e ele é só mais um pra mim. Me dou conta disso agora mas já venho lamentando há semanas da falta de intensidade, de paixão.
Primeiro pensei: que bom que tá indo de vagar, eu precisava de algo leve, equilibrado, que me desse paz.
Agora, infelizmente, penso que esse algo leve não é suficiente, que eu quero amor, que eu quero dormir junto, almoçar, jantar, cinema, teatro, sexo, demonstrações de afeto.
Quero alguém que me mostre pro mundo! É isso!
E então eu choro porque me lembro dele. De novo ele, mais uma vez ele. Há quatro meses: ele.
Lembro dele que foi o ultimo a fazer eu me sentir como aquela garotinha que não foi convidada pro aniversário do menino que era apaixonada.
Aquele sentimento ainda tá aqui, a verdade é essa. Me questiono todos os dias como ainda posso sentir tanto por alguém que ficou tão pouco?
Eu sei o porquê. É porque com ele eu experimentei, por um brevíssimo espaço de tempo, tudo o que eu sempre quis sentir. Todos que me apresentam a essa sensação, essa euforia, me marcam demais.
E com ele foi assim, um turbilhão, um sentimento louco, intenso.
Era ele me buscando pra almoçar no dia dos namorados. Era ele me levando pra jantar no dia dos namorados. Era ele parado dentro do carro abaixando o vidro lentamente enquanto segurava uma rosa, antes de eu entrar.
Era ele preparando um almoço pra mim no meio da semana, era ele me levando pra ponto turístico da cidade e perguntando como estava a minha mãe.
Era ele e o tamanho dele e o cheiro dele e o beijo dele.
É de tudo isso que eu não esqueço, que tá aqui dentro guardado.
São lembranças que querem ser multiplicadas e não podem mais.
É essa idealização que eu queria sim, e sei que não pode, que tá na minha cabeça.
Mas hoje, véspera de círio, eu queria tanto um amor assim, real.
Porque eu sinto tanto que existe, em algum lugar, alguém disposto a isso, como eu. E cadê?
Tá doendo hoje ser só, mais uma vez. Tá doendo essa paixão que não existe mais, tá doendo ter que lembrar dele e desses momentos pra aquecer meu coração.
Eu quero paixão, eu quero a ansiedade pra ver alguém. O frio na barriga, o coração acelerado, os movimentos imprecisos.
Dá até pra dizer que aceito pagar o preço depois, me sentir com nove anos de novo. Hoje eu dava tudo pra viver isso.
É que eu quero repousar e morrer de rir, e ficar quieta, e sentir mais um monte de coisa que eu nunca senti.
Choro por isso. Choro porque queria, sempre quis, sempre pedi pra alguém estar do meu lado pedindo que Deus me abençoe quando a santa passa, como eu também faria por ele.
Nunca tive.
Não sei, talvez seja isso de carma, de resgate. Talvez eu não mereça, nessa vida. Talvez a evolução more no sofrimento pelo não ter, e, quem sabe, o aprendizado da minha vida seja a aceitação da solidão.
Aceitar que nessa vida o amor, a parceria, o companheirismo, a amizade, a segurança estejam ausentes, e daí eu entenda que a única forma de ter isso seja sentir isso e entregar isso pra mim mesma. Blablablá. Eu já sei.
Mas nunca vou deixar de dizer o quanto eu queria um amor pra minha vida toda.
E no fim, a única coisa que eu sei é que talvez ele nunca chegue.
Ou talvez chegue amanhã...
Eu não quero deixar de acreditar.
Eu não quero deixar de acreditar.