eu queria ser livre mas eu sou prisioneira de mim, do que eles me ensinaram a ser. é triste, forte e sufocante. eu tô assim por dentro e por fora, me dói a rigidez com que eu fui ensinada a obedecer, a calar. me paralisa. eu não sou quem eu sempre quis ser porque estou e sempre estive inserida numa realidade estática, limitada aos padrões do suficiente. não existe qualquer voo compreensível pra eles que não aqueles em que eles estejam ao lado, de resto é tragédia, de resto é desapego e afastamento irreversível. então eu não vou, eu não voo, eu permaneço. permaneço presa aqui dentro, no interno, no externo, eu tenho medo das pessoas e eu também aprisiono elas porque o amor me foi ensinado assim. mas eu sei que eu sou passarinho, foi e é tudo o que eu sempre quis ser. como eu não posso eu luto por dentro, presencio meus dois eus se debatendo. o que quer ir e o que quer continuar preso pelo carinho possessivo ao qual eu sou fiel. sempre quis gente, sempre gostei e me orgulhei quando estava rodeada, festejando e experienciando o calor de um afeto desamarrado. mas eu nunca entendi direito porque essa minha felicidade não era constante a ponto de não me fazer buscar cada vez mais pela liberdade das minhas relações. nunca entendi porque tanto ciume, tanto apego, tanto "não me larga", "não me troca". compreender isso agora me alegra e me corrói. é bom pela culpa que eu tento deixar de sentir, é ruim por tudo o que eu me desencorajei a ser pelo medo da reação. não foi saudável, não é. hoje o meu maior desespero é querer respirar, me desprender, e não conseguir. eu sou o reflexo da intolerância, desorganização e nervosismo, sou as confusões que eu presenciei e a ansiedade pra me sentir livre de noite, já que de tarde não podia. isso explica muita coisa, inclusive. explica esse meu jeito de querer viver na frente, projetar. todos os dias eu projetava a fantasia, a brincadeira, a música que a gente ia ouvir, e torcia pra não ter perdido muita coisa, e quando eu via que perdia me sentia tão peixinho fora d'água que era como se nada daquilo me acolhesse. eu não sabia ser de nenhuma tribo porque eu só chegava atrasada e nem todo mundo tinha paciência pra me contar o que eu tinha perdido. então eu ia, meio deslocada e tentando não perder nada do que ainda tinha pela frente. tentando viver mais pra aquele tempo ser mais longo, pra me fazer ser lembrada, pra que a minha presença fizesse falta ao ponto de me esperarem chegar. e quem espera chegar quando se tem 10 e o mundo é maior a cada segundo? ninguém tem culpa, nem eu. só sei que devo a isso a minha mania de intensidade, a minha euforia. é como querer viver cada detalhe de qualquer coisa que me faz feliz porque eu sei que eu posso não estar muito em breve, e eu queria, ah, eu queria estar. em mil lugares, ouvindo mil histórias, rindo com mil piadas ao mesmo tempo. e quase nunca estou. hoje talvez eu compreenda que essa tentativa de avançar no tempo me faz perdê-lo, me faz apreciar com menos delicadeza os detalhes, mas do mesmo jeito sinto que eu sinto um amor absurdo por tudo o que eu não queria que passasse, e como dói ter que assistir a partida, o fim. eu não lido bem com o fim porque eu só quero reunir o começo de tudo e não posso. inclusive, queria poder voltar e mudar aquele começo em que eu nada entendia e absorvi pra ser o que sou. me leva pro instante em que eu internalizei o bloqueio, a superproteção, o carinho em forma de rispidez, o amor travestido de todo ódio acumulado durante uma vida inteira e despejado em forma de grito pra uma criança que não era nada além disso. me leva pro começo e faz com que, no momento da fecundação, eu me divida em dois, porque é muito difícil ser sozinha e carregar esse peso todo que me prende no chão pra sempre. eu não quero esse pra sempre, eu quero ter coragem. eu quero ir sem precisar sair de perto mas me encontrar em algum lugar que me permita sentir que eu sou minha. me sinto deles, propriedade inalienável, intransmissível. não quero mais ser. e ser, do jeito que é, me tira a força, me desorganiza desde a tentativa de começar, de começar a ser melhor, de começar a amar direito. eu não sei amar direito porque me ensinaram a amar com posse, me ensinaram que o amor, nas suas infinitas variáveis, só pode ser se estiver algemado comigo, nos meus moldes, debaixo das minhas asas como estou debaixo das asas deles. eu quero um amor leve, um amor do jeito que a parte de mim que grita mudo pra ter voz tenta ser, um amor igual o que eu quero sentir por mim mesma. que forte isso. como eu vou poder amar assim se ainda não desatei os nós por mim? talvez seja por isso tanta expectativa. eu busco insistentemente, loucamente, desesperadamente por alguém que me ajude a desamarrar, e me ensine a me amar porque eu sozinha não consigo, porque essa força que me prende é muito maior que eu. sim, eu sei que só eu posso me desamarrar mas ainda assim, inundada por um desespero profundo, eu peço por quem me liberte, porque eu tento, eu, fraquinha, só tento e não consigo. alguém que me leve daqui e me ensine que eu posso ter o amor maior do mundo pela pessoa que mais pode me fazer feliz, que sou eu mesma. por isso aquele moço que eu não soube lidar me afetou. ele trombou de frente com tudo de bom que eu tenho aqui dentro mas tá preso sem saber se soltar, ele fez parecer que sabia como me fazer libertar disso mas foi embora porque assim como todos os outros que eu deixo ir não era obrigado a lidar com tudo de ruim que eu carrego por não achar a chave dessa gaiola. mas eu queria que ele soubesse que eu sou leve sim, que eu sou doce sim, que eu tenho muito amor aqui dentro que tem tudo pra amar desapegado, que tem tudo pra aprender a ser assim. eu queria que ele me desculpasse a imprecisão com que eu me declarei certa porque nada tá certo aqui dentro. essa insegurança, esse medo, esse desajuste. eu queria, eu queria. eu queria um próximo que me entendesse e estendesse a mão. eu queria ser com alguém tudo o que eles não foram juntos. eu queria apoio, compreensão. eu queria um pouco da minha loucura, um pouco do meu jeito de me entregar e de viver as coisas como se o mundo fosse acabar amanhã. eu queria quem me firmasse no chão sem me fazer perder de mim pra ser só dele. eu não queria mais a palavra prender. eu queria ser balão, solta, mas segura num fiozinho lá embaixo que me fizesse lembrar que ainda vivo no planeta terra. eu queria família, eu queria almoços de domingo sem desaforos, sem grosserias, sem instabilidade de humor. queria reunião, amor, música, amigos. eu queria tanta coisa que tá tão longe. queria meu amigo que tá longe, ele que me entende mesmo sendo meio desligado e talvez um pouco desequilibrado como eu, ele que há anos frequenta o que eu escrevo mas hoje seria pra onde eu ia querer correr e dar um abraço, e deitar no colo, e ouvir cantar. eu quero ser eu, ainda, mas quero me libertar da minha falta de amor por mim. quero me libertar dos meus receios em me entregar, em ser livre. eu quero não me sentir culpada quando faço sexo. eu quero fazer sexo com o amor da minha vida mas antes disso eu quero saber gostar do sexo por si só e eu não sei. eu quero não problematizar um gesto, eu quero sentir prazer por mim. eu quero esquecer do mundo lá, como dizem. eu quero não ter medo do meu corpo, das minhas escolhas. eu quero saber lidar com a RE-JEI-ÇÃO. eu quero não me rejeitar e aceitar que isso basta. que eu basto. e ver essa vontade que eu tenho de ser de verdade, adulta de verdade, mulher de verdade, me deixando por aí, pelos cantos onde me der na telha, tomando um café na livraria que eu sempre estive a fim de ir sozinha e não fui por medo do julgamento que nem existe diante da minha invisibilidade que não existe mas eu acho que existe e mesmo assim eu digo que serei julgada invisivelmente. não faz sentido, mas eu tenho medo. medo de sair sozinha, de ser sozinha, de não saber ficar sozinha. e eu entendo aquele moço e por isso ele me afetou porque a gente talvez compactuasse do mesmo medo mas ele se sabe, ele se acha, ele se basta e eu não. ele nunca vai ficar só e eu vou. e tudo bem pra ele se ele ficar mas pra mim não. ainda não. eu quero não ter medo da solidão! ou então ter medo da solidão mas saber que se eu ficar só tudo bem também porque eu sou maravilhosa, e amável, e alegre. porque eu contagio, porque eu faço bem pra todo mundo que tá perto e também posso fazer bem pra mim. porque eu sou muita alegria de viver. agora com medo de viver, com medo de me entregar pra tudo, com medo de sofrer o que eles me disseram que eu sofreria se eu não me desse ao respeito. e é só ao que eu aprendi a me dar e não quero mais. quero me dar aos abraços, aos beijos, aos cheiros, à tudo que eu nunca fiz e se fiz foi só uma vez e que saudade daquela vez porque foi quando eu me senti viva, fugida de casa, de tudo, do mundo e com ele que eu coloquei na minha lata de descrença e desconfiança. a mesma que talvez eu habite. e isso não é sobre, ele, sobre eles, sobre aqueles, é sobre mim e tudo o que eu quero ser porque eu simplesmente... cansei... de... ser... triste. melancólica, como o meu antigo chefe dizia que eu era. ele que também muito me inspirava e me indicava o caminho do amor próprio que eu tinha que sentir, ele que foi o meu amor por um ano e depois nunca mais, porque nunca soube e se soube não me quis, e se não me quis é porque eu não me fiz querer pelo meu pior defeito que é esse de não acreditar em mim. ele me falava pra acreditar, e me dizia que eu era capaz, e eu nem sei como ele viu isso em mim, ou talvez eu saiba sim, agora eu saiba. agora eu sei. sei que é porque eu sou, porque tá estampado na minha cara o quanto eu consigo chegar em qualquer lugar. ele viu. muita gente vê, só eu não vejo. não via. eu quero ver, é sobre isso esse texto. sobre o desprendimento que eu quero começar com tudo que me proíbe e me afasta de ser e ver quem eu sou. é sobre o que eu tenho que fazer pra viver essa coisa bonita que tem aqui dentro, porque tem. tem gentileza, tem alegria, tem um jeitinho de garota, tem ousadia de mulher, tem garra, tem inteligência, tem um beijo maravilhosamente bom, tem uma bundinha linda!
eu tenho muita coisa, agora me deixa ser. eu eu eu eu, me deixa ser. te desamarra da culpa e da consciência pesada. te desprende, não aceita perpetuar o jeito das pessoas que tu mais ama mas que também são aquelas que te fazem afastar de todo o amor por ti!!!!!!!!
eu falo comigo mesma, sozinha, e numa súplica eu digo: vamos ser felizes, Carolina!!!!!!
seu pranto não vai nada mudar, porque é hora de aproveitar lá fora, amor...
domingo, 16 de setembro de 2018
terça-feira, 10 de julho de 2018
O mês dentro do próprio mês
Será que eu tô me entendendo melhor hoje em comparação há um mês atrás? O que pode acontecer em um mês pra me modificar?
Que bobagem, as coisas não precisam de tempo pra acontecer.
A todo instante eu tô atribuindo um significado novo a algo nem tão significativo assim.
É, eu gosto disso, significados. Gosto da palavra e do significado que significado tem pra mim.
E aqui estou, agora, significando um mês, um período, dando relevância ao tempo mesmo, contraditoriamente, achando que eu não preciso mais de tempo pra nada.
Eu sempre deixei muita coisa nas mãos do tempo, e ao mesmo tempo, eu sempre senti que não tinha tempo. Logo, as coisas não estavam nas mãos de quem deveriam estar.
Deixei o tempo resolver, né? E sim, ele resolve.
Mas o paradoxo tá aí, eu confio no tempo querendo atropelar ele o tempo todo.
Eu digo que o tempo conserta, mas eu estrago tudo querendo ultrapassar o tempo das coisas.
Outro dia meu chefe, tão filósofo, tão irritado, tão imprevisível, parou pra dar uma aula e lançou um trecho que deve ter lido em algum livro que o coach dele deve ter indicado pra ele ser uma pessoa mais equilibrada:
"A depressão acontece quando a gente vive 60% no passado, 20% no presente e 20% no futuro.
A ansiedade acontece quando a gente vive 20% no passado, 20% no presente e 60% no futuro,
A ansiedade acontece quando a gente vive 20% no passado, 20% no presente e 60% no futuro,
A felicidade acontece quando a gente vive 20% no passado, 60% no presente e 20% no futuro."
Diagnostiquei minha ansiedade na hora. Como se eu não soubesse.
Acreditar no tempo é necessário, mas por que eu insisto tanto em querer atropelar as coisas?
Ao fazer esse questionamento e não encontrar resposta eu decidi tentar.
Tentar não pensar no fim de semana, tentar não fazer planos pro meu dinheiro, tentar ser mais tolerante com o defeito dos outros porque o amanhã é totalmente desconhecido.
Foi o mês que me levou a esse questionamento? O que teve esse mês de tão importante pra me desacelerar, afinal?
Acho que teve eu observando a relatividade do tempo, os dias mais dinâmicos, as convivências mais intensas, as responsabilidades mais presentes.
Na verdade, teve eu sentindo a vida e não a existência.
Eu sempre signifiquei os meus momentos. É como se eu me sentisse muito importante por viver algumas coisas.
Por exemplo, quando eu era pequena e de repente cresci o suficiente pra andar de ônibus sozinha.
Eu achei aquilo um marco na minha história. Aquilo não era simplesmente um deslocamento, um meio de transporte me levando a algum lugar, aquilo era a representação da minha independência.
É claro que existem outros marcos, como quando eu dirigi pela primeira vez, quando fiquei bêbada pela primeira vez, quando beijei pela primeira vez.
E assim por diante.
Mas agora preciso dizer que o que esse mês me fez foi me trazer novos marcos e de um jeito sutil, natural, que não me faz querer deixar de apreciar pequenos acontecimentos.
Esse mês, definitivamente, me fez querer estar nele antes do mês seguinte.
Diagnostiquei minha ansiedade na hora. Como se eu não soubesse.
Acreditar no tempo é necessário, mas por que eu insisto tanto em querer atropelar as coisas?
Ao fazer esse questionamento e não encontrar resposta eu decidi tentar.
Tentar não pensar no fim de semana, tentar não fazer planos pro meu dinheiro, tentar ser mais tolerante com o defeito dos outros porque o amanhã é totalmente desconhecido.
Foi o mês que me levou a esse questionamento? O que teve esse mês de tão importante pra me desacelerar, afinal?
Acho que teve eu observando a relatividade do tempo, os dias mais dinâmicos, as convivências mais intensas, as responsabilidades mais presentes.
Na verdade, teve eu sentindo a vida e não a existência.
Eu sempre signifiquei os meus momentos. É como se eu me sentisse muito importante por viver algumas coisas.
Por exemplo, quando eu era pequena e de repente cresci o suficiente pra andar de ônibus sozinha.
Eu achei aquilo um marco na minha história. Aquilo não era simplesmente um deslocamento, um meio de transporte me levando a algum lugar, aquilo era a representação da minha independência.
É claro que existem outros marcos, como quando eu dirigi pela primeira vez, quando fiquei bêbada pela primeira vez, quando beijei pela primeira vez.
E assim por diante.
Mas agora preciso dizer que o que esse mês me fez foi me trazer novos marcos e de um jeito sutil, natural, que não me faz querer deixar de apreciar pequenos acontecimentos.
Esse mês, definitivamente, me fez querer estar nele antes do mês seguinte.
segunda-feira, 2 de julho de 2018
Mais uma conversa com meu eu do futuro
Se eu pudesse te dar um conselho, Ana Carolina do futuro, certamente seria pra administrar melhor as tuas reações, os teus ímpetos de justiça que tiram o teu controle sobre como agir, ou, no caso, reagir, com classe. Mas presta bem atenção, é só pra respirar fundo, deixar a poeirinha baixar, expor teus argumentos, ouvir uma ou duas chorumelas sem se deixar convencer, e sair... Graciosamente.
Entendeu?
Não tô te falando pra não sentir. Sinta! Continue sentindo. Sentir é o que te move. Reaja, sim, pautada nos sentimentos, mas, acima de tudo, decida a partir do que teus olhos veem, e não do que os teus ouvidos ouvem. Isso é muito, muito importante. E acho que até agora temos feito o que é certo.
A verdade é que, fazendo uma análise do nosso contexto atual, temos que sentir orgulho de quem nós somos. Sim! Porque até agora, apesar de algumas atitudes impulsivas, nós fomos muito fiéis a nós mesmas. E, ora, sendo quem nós somos, eu não esperava menos da gente.
Porque não é fácil apreciar as coisas sob uma perspectiva interior e sensível. A partir dos valores que nós temos e queríamos que todas as pessoas do mundo tivessem. E aqui vai mais uma dica, que sobrou meio chamuscada no fim da última erupção vulcânica: no expectations!
A origem da lição é meio bad, mas bastante válida. Sim, afinal, por que esperar? E, mais do que isso, por que esperar de ALGUÉM, qualquer coisa? Não cai mais nessa, por favor. A decepção só é evidente porque esperamos. Esperamos porque, ingenuamente, pressupomos que belas palavras também dão origem à belas atitudes. Não se engane mais, isso só serve pra gente, porque nos conhecemos intimamente e sabemos que se falamos, agimos. É assim que somos e nada vai mudar. Mas os outros? Ah, os outros falam sobre lealdade aqui, alí. Mas por que ser, afinal?
Talvez eles pensem que o tempo é quem determina a intensidade da importância, mas sempre soubemos que independe disso. Se refere, de fato, à disposição que se tem em dizer a verdade pra quem importa, seja lá essa importância dada em um dia ou em alguns meses ou anos.
Quem mensura a importância dada a alguém? Nós. Quem mensura a importância que nos é dada? Eles. Temos algum controle sobre isso? Não. Podemos questionar? Ah, sim, isso nós podemos. Pois a partir do momento em que nos é DITO algo, tudo o que é FEITO deve partir do que já ouvimos. Quando não há correspondência é mentira, e quando é mentira não vale a pena ficar pra ouvir o final da história.
Bom, hoje eu estou bem irredutível quanto a isso. Realmente, não vale a pena ficar. Mas sabe aquilo de sair com classe? Isso é algo a ser aprimorado.
É, talvez você, aí na frente, vá ter que aturar algumas incoerências pra virar de costas, linda, digna, e dizer adeus. Não louca, não criança, não bruta.
Eu sei, eu sei. Às vezes parece que se a gente não fica pistola a lábia de outras pessoas sobre nós pode acabar nos convencendo, né? Mas a gente, mais do que nunca, já sabe em quem confiar. E isso vem de dentro pra fora, duvido muito que algum dia mude.
E também não se culpe, não culpa a tua intensidade. Somos assim, fazer o quê? Tá na essência a verdade, a lealdade e ela, justamente ela, a tal da intensidade. Não vamos calar nossa essência por quem não está preparado pra lidar, tá bom? Nem hoje, nem nunca.
É lindo sim, e quando recebido por alguém bem resolvido, que fale e aja esclarecidamente, que não oculte e nem limite nada, vai ser mais lindo ainda. Certamente vai ser alguém que não te peça pra ter cuidado com o teu amor por momentos profundos, conversas profundas, olhares profundos. Vai ser alguém que, na realidade, não vai querer tanto cuidado, mas sim apreciar tudo isso, se apaixonar por tudo isso, e valorizar.
Espero que aí na frente já estejas acompanhada desse alguém. Se não for nem perto disso, foge! Se tiver pendência no passado, foge! Se te fizer sentir importantíssima mas não te contar verdades relevantes, idem!
Sabe, é só saber fazer, é só saber dar tchau. E get over. O que não tem remédio, remediado está. Lembrando sempre que "pessoas até muito mais vão lhe amar".
Só não pode ficar "tão apaixonada, que nada, que não sabe nadar". Não! Definitivamente, aprenda a nadar! E, mais do que isso, aprenda a mergulhar!
Daqui pra frente tem que ser assim, ó: coloca a ponta do pézinho na água, vê se tá fria, morna ou quente. Só molha os pés se tiver de morna pra cima. Depois observa se o mar tá calmo ou muito agitado. Vamos dar a preferência inicial pelo mar calmo, ok? Principalmente se você ainda não souber nadar muito bem.
Daí vai entrando, até mesmo pra testar a profundidade. Se só bater na canela, senta um pouco pra brincar na água, já ta alí mesmo. Dá uma brincadinha e depois sai, porque isso não vai te refrescar por muito tempo. Mas se for mais fundo, vai andando, quando bater na cintura, pára. Fica. Curte a marola. Se for agitando e estiver sol, vai ser por você. Se agitou por qualquer mudança de tempo, se anuviou, choveu, trovejou, é alheio a sua vontade.
Observa se é só uma nuvem passageira ou se é uma tempestade que não vai passar tão cedo. Sendo a segunda opção, saia da água. Sendo a primeira, espera o sol voltar que vai ficar tudo bem. Depois dá pra se arriscar, dá pra boiar um pouco, molhar o cabelo, dar uns pulinhos.
Ainda não é hora de não dar pé. Mas quando se sentir segura, vai. Começa modesta, deixa ficar só na pontinha, arrisca flutuar, um nado cachorrinho, bem rápido. E vai curtindo, sentindo que te abraça. E aí, dá uma olhada ao redor, garante que tem salva-vidas alerta, ensaia um mergulho, de leve. Deu certo? Continua. Engoliu água? Recua.
Se continuar tudo be: vai! Nada, de costas, de frente. Mas percebe sempre o caminho longo até poder mergulhar de cabeça. Depende da profundidade da água, da agitação, e nunca fica muito longe de dar pé. Depois de um, dois, três mergulhos... é teu! É a tua praia!
Sim, é uma analogia bonita, eu sei. Na prática é bem difícil reconhecer tudo. Mas já temos uns anos aí de treinamento. Só foca em mim: não deixa de desacreditar! Nem no amor, nem na amizade, nem na verdade. Se você é assim, não é possível que não existam mais exemplares. Com o tempo a gente vai moldando, né? Como foi até chegarmos aqui. Como será até chegarmos aí. Só respira fundo, inspira, não pira!!!!!
As coisas estão exigindo mais equilíbrio, a cada dia, a cada ano. Tá na hora de tentar sem deixar de ser quem somos! E tá tudo bem, também. Padecer por quê? Por quem? Não padeça, jamais! É muita gente linda por aí, são muitos universos inexplorados, são novos dias, novas coisas pra aprender. Só tem que lembrar, sempre: não espere tanto dos outros, não espere tanto dos outros, não espere tanto dos outros.
Que essa como uma das tantas conversas que já tivemos, entre presente e futuro, entre o que somos, sou, serei, seremos, faça com que nada seja esquecido, repetido.
Eu já tinha dito, uma vez, há tempos, pra não deixar uma mentira passar, pra não aceitar, não engolir a seco. Me doeu antes a surpresa, agora não dói mais porque em outro momento me preparei. Sim, é, sad but not surprised. Mas não aceito, não aceite. Siga, estabilize, sinta por quem te dará na mesma proporção, se resguarde, mergulhe no profundo mas em águas cristalinas, desconfie do mal contado, do incompleto, do obscuro. Sem medo, seja! Sem arrependimentos, intensa na ida e na volta, no dar e no receber. E com coração, amor, leveza, alegria.
Seremos mais serenas, agora. Serás mais centrada, mas ainda será você! Recordando o quanto é bom colecionar momentos, memórias e lições.
Vivendo, não é isso pra fazer?
Que venha mais vida. Mais uns romances, mais uns beijos, uns dias bons. Olhando pra frente, como sempre fizemos. Espero saber fazer, pra que você só usufrua dos bons frutos sem decepção.
Agora é só por mim, por você. Quem ficar, ficou. Quem for, que vá...
Fica a dica!
(E VEM HEXA!)
quarta-feira, 23 de maio de 2018
Reiki, bloqueios, e o que eu preciso fazer pra melhorar
Agora eu preciso retomar a minha experiência de autoconhecimento, e, por óbvio, eu não posso deixar de considerar os tantos conselhos que já recebi até aqui. Bem, é sobre esse assunto de ver força em mim, de me ver com uma outra lente, que eu ando pensando bastante. E como por coincidência, ou não, encontrei a página de uma moça que muito me interessou por tratar de assuntos espirituais, energia, entre outras coisas mais que sempre foram objetos a despertar minha atenção.
Em um compilado de vídeos, a moça, que é especialista na execução de um tipo de terapia energética chamada Reiki, tratou de certos assuntos que talvez expliquem muito superficialmente a razão pela qual eu me trato de maneira a não visualizar meus pontos positivos com intensidade maior àquela com que observo e evidencio meus pontos negativos. Pontos negativos estes realmente intensificados e demonstrados a partir da forma frágil e vulnerável de eu me apresentar e de assumir pra mim mesma como sendo essencialmente o que eu sou.
Não sei ainda exatamente do que se trata o Reiki, mas pra destacar a sua importância é que a terapeuta apresentou argumentos que muito têm me feito refletir, tendo em vista que a breve explanação deles causou em mim uma série de identificações que há poucos minutos me fizeram chorar e geraram o impulso necessário pra eu estar escrevendo isso agora.
Objetivamente, então, ela explicou que as nossas inseguranças, os nossos medos, e a forma com a qual nos apropriamos disso pra nos posicionar diante das situações reflete diretamente no que acontece de bom ou ruim na nossa vida. Bom, evidentemente não é preciso ser nenhum especialista pra ter ampla consciência de tudo isso. Contudo, a origem de todo o processo que nos leva a ter os medos, as inseguranças, é algo muito pouco explorado ou questionado. Segundo ela, isso decorre da perda do nosso amor incondicional pelas coisas, que acontece quando ainda somos crianças.
É que quando a gente nasce esse tal amor incondicional pelas coisas nos é dado, e nos inicia justamente no aprendizado, no entendimento sobre o mundo. O amor incondicional é exatamente o que a significação das palavras expressa, amor ilimitado, pleno, por tudo ao nosso redor. Sim, porque agora, encarnados, nós passamos a sentir, sentir na pele as sensações físicas e também as emocionais, as espirituais, etc. Então enquanto ainda somos crianças amamos tudo, tudo é mágico, tudo é novidade. A dor é intensa, a alegria é intensa. O sentir, como um todo, é intenso.
Eis que então pra sermos "adequadamente" inseridos na nossa vida em sociedade precisamos, ao longo do nosso crescimento, ser apresentados aos limites, às repressões. Ao "não". O que é algo um tanto cruel a ser despejado pra um ser que nada entende, apenas sente. Enfim, a forma como essas limitações nos são apresentadas são determinantes pro resto da nossa vida e criam a lente com a qual vamos nos enxergar e vamos enxergar o mundo ao nosso redor.
O que antes era incondicional passa a ser extremamente condicionado. Aquele sentir já não pode mais ser tão explícito porque chorar de dor, pular de alegria, gritar de raiva, não são comportamentos aceitos em qualquer contexto ou situação. Mas apesar disso, enquanto os verbos são proibidos, os substantivos ainda existem bem dentro da gente. Apesar de eu não poder mais chorar, pular ou gritar em determinada ocasião, a dor, a alegria e a raiva ainda existem em mim. E, bem, é daí que decorre toda a construção da forma como vamos lidar com essas emoções para com o resto do mundo e para com nós mesmos.
Falando, assim, nada disso parece inusitado. São explicações muito fáceis de serem visualizadas e compreendidas. Acontece que o simples entendimento de tudo isso não é o bastante pra me fazer expressar ou administrar o que a minha experiência nesse sentido, nesse meu crescimento, representa hoje no jeito com o qual eu lido com os acontecimentos na minha vida. O Reiki, em tese, e até onde eu pude entender, serve pra desbloquear a energia que o ato de reprimir tanto sentir nos causa. Não ter podido chorar, pular, gritar, em algum momento me fez ser quem eu sou, me ver como eu me vejo e me relacionar como eu me relaciono.
Entendido isso tudo eu fui, enfim, olhar pra dentro de mim tentando lembrar das vezes em que eu calei sentimentos, na tentativa de projetar pro meu presente e visualizar no que isso me afeta hoje em dia. Talvez exercitar isso de um jeito suficientemente organizado pra me fazer mudar as minhas atitudes comigo mesma hoje em dia seja complexo demais pra eu conseguir sozinha, e por conta disso eu talvez precise de ajuda. O que, é claro, eu pretendo buscar.
Mas antes de qualquer ajuda, eu pensei em escrever aqui agora algumas lembranças, algumas razões, que tanto me calaram e que eu julgo como tendo sido responsáveis pela minha atual postura diante do mundo e diante de mim mesma.
E, é claro, não posso deixar de falar do meu pai. Essa coisa conflituosa entre pai e filha é tão clichê, né? Mas também tão determinante. Eu sempre tive a total consciência de que todos os meus bloqueios, os meus medos, minhas reações enérgicas e agressivas, se originavam a partir da forma como ele me educou. Agora, mais precisamente, eu vejo que é oriundo da forma como ele me calou.
"Outros tempos, outra criação, outra época", dizia a minha mãe sobre a criação do meu pai na tentativa de justificar a personalidade dificílima dele. De fato, hoje eu sou lúcida o suficiente pra compreender o contexto no qual ele tava inserido e no quanto ele também foi calado e reprimido pra ser como é internamente e externamente. Mas o meu objetivo aqui não é entender meu pai, é me entender.
Perdi a conta de quantas vezes sentei em frente ao espelho e conversei comigo mesma sobre o que ele representou em toda a história da minha vida. Já enumerei situações, expliquei pra mim mesma o que aquilo causou em mim. Curiosamente eu estava tentando desbloquear essa energia mesmo sem saber como ou se eu estava realmente fazendo isso. E apesar de tanto choro e de ter a total consciência de que sim, muito me afetou e muito me doeu, acho que nada foi desbloqueado.
Lembrar dos gritos, das brigas, da obrigação de ficar calada ouvindo tudo aquilo sem entender quase nada, ou das outras situações em que eu, amedrontada, escutava ele esbravejar e me proibir de falar com meninos, ou me ridicularizar, ou dizer que eu era um monte de coisas que nunca fui e sem razão nenhuma pra tanta insinuação. Nessas e em outras situações ele me calou, de um jeito tão agressivo quanto seria se ele literalmente tivesse me segurado e calado a minha boca com a mão.
Cresci ouvindo berros desnecessários e nutrindo um misto de terror e afeto pela minha figura paterna. Sim, porque, apesar de tudo isso, ele me garantia ser tudo pro meu bem e pra minha proteção. Consigo me dar conta do quanto essa relação me foi prejudicial. Porque eu ainda não me vejo liberta de certos comportamentos. Ainda tento controlar, aprisionar, possuir, por um ciúme que eu atribuo a minha afeição, ao meu amor. Isso com outros e também comigo mesma.
Eu que tanto me proíbo, me protejo, me limito e me menosprezo, por achar que fazer isso é como me amar também. Ele fazia tudo isso comigo e me amava, então eu também precisava fazer, não é? E faço, ainda inconscientemente e lutando contra, eu faço. Já gritei comigo, tive terror a mim mesma, me ridicularizei. Quem sabe buscando cuidar de mim, me poupar. E se eu já fiz, e ainda faço, tudo isso comigo mesma, claramente não tinha como não fazer com os outros. A gente dá o que tem.
Constatar essas verdades é bem anterior à apresentação daqueles argumentos pela terapeuta que eu segui no Instagram. Mas solucionar todas as consequências continua sendo uma pendência. Ainda não consegui desbloquear essa energia que me faz agir com tanta piedade, me considerando aquele ser frágil e impotente que, lá atrás, ele me convenceu de que eu era. Sim, tenho consciência de tudo mas permaneço com a mágoa, permaneço com aquela lente que faz eu me ver pequena, incapaz, fraca, insegura, desconfiada.
Então, eu compreendo os conselhos que eu recebo, até acho que podem ser providenciais pra uma mudança no estado em que me encontro. Mas nem tudo é tão simples quanto parece. Não basta uma decisão, um simples arregaçar de mangas, como se entender o que me faz ser assim fosse suficiente pra que eu deixe pra trás uma vida toda de medos e receios e impulsividades.
Sem contar que tem muitos outros motivos ocultos dentro de mim ainda não esclarecidos. Eu só quero saber uma forma de trabalhar em cima de tudo isso sem me perder das minhas partes boas. Porque o que eu sou de bom e de ruim nasce da mesma raiz.
É algo que pretendo buscar, cada vez mais. Pra não perder, não me perder.
E que fique aqui registrado pra que eu não esqueça da busca por esse tal desbloqueio, porque, sim, eu quero ser o meu melhor e, no fundo, eu sei que eu posso. São muitas travas, muitos ressentimentos, inclusive comigo mesma, que eu quero deixar pra trás. E apesar de viver bem, sem lembrar, conduzindo bem algumas situações da minha vida, eu sei que quando eu caio, reajo mal, explodo, choro, fico assustada, tudo isso se apresenta, tudo se manifesta, e eu me recordo.
Não que eu queira só ter partes boas, mas eu sei que o que é preciso é saber lidar com o que me tira do eixo de um caminho bonito e me impede de viver o que eu realmente quero viver. É triste, mas é muito bom saber que isso pode mudar. Enfim, o sentimento é de que algo precisa ser feito, pra já, pra ontem. Como? Ainda não sei. Vou dar um jeito de saber, eu sempre consigo. Tenho que conseguir.
É algo que pretendo buscar, cada vez mais. Pra não perder, não me perder.
E que fique aqui registrado pra que eu não esqueça da busca por esse tal desbloqueio, porque, sim, eu quero ser o meu melhor e, no fundo, eu sei que eu posso. São muitas travas, muitos ressentimentos, inclusive comigo mesma, que eu quero deixar pra trás. E apesar de viver bem, sem lembrar, conduzindo bem algumas situações da minha vida, eu sei que quando eu caio, reajo mal, explodo, choro, fico assustada, tudo isso se apresenta, tudo se manifesta, e eu me recordo.
Não que eu queira só ter partes boas, mas eu sei que o que é preciso é saber lidar com o que me tira do eixo de um caminho bonito e me impede de viver o que eu realmente quero viver. É triste, mas é muito bom saber que isso pode mudar. Enfim, o sentimento é de que algo precisa ser feito, pra já, pra ontem. Como? Ainda não sei. Vou dar um jeito de saber, eu sempre consigo. Tenho que conseguir.
domingo, 20 de maio de 2018
Re-soluções (?)
Recomeçar ou começar? Eis a questão.
Sim, porque, antes de qualquer busca ou de estabelecer algum critério pro real objetivo do resto dos meus dias, preciso saber se em algum momento já tive um. Ou o plural, aqui, seria mais adequado? (Objetivos) Já tenho? Já comecei pra recomeçar? Ou se inicia agora a aventura de inaugurar qualquer coisa, qualquer caminho, qualquer vida?
Qualquer...
Não defini meus sonhos, lá atrás, porque me abandonei no meio do caminho. Subestimei a importância do descobrimento do meu eu. Com isso fiquei à deriva, não me impus metas, não enraizei perguntas, não comecei a buscar respostas.
Entender isso é o que me traz aqui, agora, no meu lugar de tantas linhas, pra tentar me achar de novo. Pra tentar, enfim, começar. Não posso considerar aquele esboço como um começo. De novo, me perdi do começo. Comecei sem começar. Não comecei.
Mas pra apertar o play, ainda perdida, ainda indefinida, eu preciso, antes de tudo, abandonar o "qualquer". Qualquer coisa não vale mais, qualquer amor não vale mais, qualquer satisfação não vale mais, qualquer prazer não vale mais.
Eu bem sei da dificuldade que é começar do zero. Sei que o conforto de me impor o "qualquer" internalizou em mim uma preguiça mal acostumada. Porque já que não sabia o que eu deveria querer, qualquer coisa estava bom. Agora não está.
Sabendo disso é que eu parto pra minha louca aventura de encontrar perguntas. E essa aventura, por si só, já representa um objetivo. Vou começar conversando comigo. Sessões diárias de conversas e mais conversas a fim de definir tudo o que eu preciso solucionar. Ou me perguntar.
Talvez com toda essa constatação eu tenha encontrado um sonho, sem querer, provando que o que me falta é diálogo comigo mesma.
Sim, porque, antes de qualquer busca ou de estabelecer algum critério pro real objetivo do resto dos meus dias, preciso saber se em algum momento já tive um. Ou o plural, aqui, seria mais adequado? (Objetivos) Já tenho? Já comecei pra recomeçar? Ou se inicia agora a aventura de inaugurar qualquer coisa, qualquer caminho, qualquer vida?
Qualquer...
Bem, talvez seja esse o erro. Eu muito me utilizo dessa palavra...
"Qualquer lugar tá bom"
"Qualquer dia desses eu faço isso"
"Qualquer pessoa pode ser o amor da minha vida"
... E agora, além de representar hipóteses variadas sobre o que fazer ou ser, o "qualquer" significa, acima de tudo, o grande desconhecimento do que eu de fato quero pra mim. Assim concluo que a resposta é: não.
"Qualquer lugar tá bom"
"Qualquer dia desses eu faço isso"
"Qualquer pessoa pode ser o amor da minha vida"
... E agora, além de representar hipóteses variadas sobre o que fazer ou ser, o "qualquer" significa, acima de tudo, o grande desconhecimento do que eu de fato quero pra mim. Assim concluo que a resposta é: não.
Não tenho objetivos, nunca os tive efetivamente. Não comecei nada, sendo assim não posso usar o prefixo de repetição. É, eu não posso recomeçar o que nunca começou. E, sim, se inicia agora a aventura maior que é abandonar o "qualquer" e encontrar o que realmente deve ser, ou o que eu quero ser.
Para além das divagações gramaticais, preciso falar comigo mesma. Eu que tanto me orgulhei por escrever e considerar isso uma importante ferramenta para o meu processo de autoconhecimento, abandonei esse hábito. E, consequentemente, me desconheci.
Para além das divagações gramaticais, preciso falar comigo mesma. Eu que tanto me orgulhei por escrever e considerar isso uma importante ferramenta para o meu processo de autoconhecimento, abandonei esse hábito. E, consequentemente, me desconheci.
A escassez de objetivos talvez se deva a uma grande pausa no processo de "saber de mim". Hoje não sei, como nunca soube. Mas pior que não saber é ter desistido de descobrir.
Desisti de mim, sem perceber. Por um ano ou dois ou três, desisti de encontrar os íntimos questionamentos sobre o que eu, de fato, sou. Ter me perdido ao longo do caminho não me torna, necessariamente, avulsa do meu eu. Mas me torna, sim, menos entendedora de mim.
Desisti de mim, sem perceber. Por um ano ou dois ou três, desisti de encontrar os íntimos questionamentos sobre o que eu, de fato, sou. Ter me perdido ao longo do caminho não me torna, necessariamente, avulsa do meu eu. Mas me torna, sim, menos entendedora de mim.
Me afasta não dos meus princípios, mas sim dos meus sonhos. Sonhos que um dia já tive. Tímidos, distorcidos, aguardando o aprimoramento da minha relação comigo mesma pra desabrocharem. Abandonei a construção da definição dos meus sonhos. Deixei pela metade, fui embora sem tê-los. Não reguei e não colhi.
Hoje estou sentindo falta. Falta de um sonho, de uma razão. Porque o problema real, posso me dar conta agora, não é encontrar ou não as respostas, mas sim determinar as perguntas. Categorizá-las, colocá-las em ordem alfabética, com escalas, gráficos e fluxogramas que organizem a importância da busca para a solução de cada questão correspondente.
Um grande passo foi dado e devo me orgulhar: admitir que a ausência dos sonhos decorre da ausência de mim.
Hoje estou sentindo falta. Falta de um sonho, de uma razão. Porque o problema real, posso me dar conta agora, não é encontrar ou não as respostas, mas sim determinar as perguntas. Categorizá-las, colocá-las em ordem alfabética, com escalas, gráficos e fluxogramas que organizem a importância da busca para a solução de cada questão correspondente.
Um grande passo foi dado e devo me orgulhar: admitir que a ausência dos sonhos decorre da ausência de mim.
Não mais me procurei, por muito tempo negligenciei a minha própria evolução. Apesar disso, não vou ser cruel comigo mesma por ter mais de vinte anos sem ter mais de mil perguntas sem respostas. Não vou ser cruel por eu ainda não estar ligada num futuro blue. Serei, ao contrário, generosa comigo e com meu atraso. Até mesmo em respeito a má escolha que foi ir embora de mim.
Mereço uma segunda chance.
Sendo assim, antes das respostas me proponho e me disponho agora a, primeiramente, encontrar as perguntas. Aquele tal questionamento íntimo sobre o que sou, que me aproxime dos meus sonhos evaporados.
Sendo assim, antes das respostas me proponho e me disponho agora a, primeiramente, encontrar as perguntas. Aquele tal questionamento íntimo sobre o que sou, que me aproxime dos meus sonhos evaporados.
Buscar por isso escrevendo e me encontrando talvez seja um bom ponto de partida. Contudo, eu sei que muito provavelmente não vou encontrar os mesmos sonhos por ter perdido, há tempos, o fio daquela meada. E tudo bem. É querer demais encontrar tudo no mesmo lugar depois de abandonar o lar com as janelas abertas.
Não defini meus sonhos, lá atrás, porque me abandonei no meio do caminho. Subestimei a importância do descobrimento do meu eu. Com isso fiquei à deriva, não me impus metas, não enraizei perguntas, não comecei a buscar respostas.
Ter me largado pela metade não quer dizer que eu não pensei nos danos durante esse tempo todo. No fundo eu sabia que em algum momento o vazio tomaria conta de mim por inteira. E tomou.
Entender isso é o que me traz aqui, agora, no meu lugar de tantas linhas, pra tentar me achar de novo. Pra tentar, enfim, começar. Não posso considerar aquele esboço como um começo. De novo, me perdi do começo. Comecei sem começar. Não comecei.
Mas pra apertar o play, ainda perdida, ainda indefinida, eu preciso, antes de tudo, abandonar o "qualquer". Qualquer coisa não vale mais, qualquer amor não vale mais, qualquer satisfação não vale mais, qualquer prazer não vale mais.
Eu bem sei da dificuldade que é começar do zero. Sei que o conforto de me impor o "qualquer" internalizou em mim uma preguiça mal acostumada. Porque já que não sabia o que eu deveria querer, qualquer coisa estava bom. Agora não está.
Sabendo disso é que eu parto pra minha louca aventura de encontrar perguntas. E essa aventura, por si só, já representa um objetivo. Vou começar conversando comigo. Sessões diárias de conversas e mais conversas a fim de definir tudo o que eu preciso solucionar. Ou me perguntar.
Talvez com toda essa constatação eu tenha encontrado um sonho, sem querer, provando que o que me falta é diálogo comigo mesma.
O primeiro sonho (quem sabe o mais importante tendo em vista tudo o que foi aqui ressaltado) é saber o que sonhar. Eu sonho, portanto, em encontrar a minha fonte inesgotável de sonhos. Que não admite o "qualquer" e se constrói a partir das minhas perguntas.
Que perguntas, afinal?
Bem... acho que já tenho uma.
Que perguntas, afinal?
Bem... acho que já tenho uma.
domingo, 4 de março de 2018
Parei no tempo
Sinto que parei no tempo. Olho pra trás e não me vejo muito diferente daquela menina que antes escrevia a espera de apreciar, com o passar dos anos, as mudanças registradas nesse endereço eletrônico que ninguém conhece.
De certa forma sempre me orgulhei por fazer com que o essencial permanecesse intacto, mas hoje me preocupa não mais saber lidar com o que sobra disso. Eu sou, agora com 22, um acúmulo de tralhas que eu nem ao menos consigo diferenciar. Hoje não consigo categorizar o que é mais novo ou mais velho em mim.
De certa forma sempre me orgulhei por fazer com que o essencial permanecesse intacto, mas hoje me preocupa não mais saber lidar com o que sobra disso. Eu sou, agora com 22, um acúmulo de tralhas que eu nem ao menos consigo diferenciar. Hoje não consigo categorizar o que é mais novo ou mais velho em mim.
Eu sou um novelo de lã todo embaraçado, desfiado, emaranhado. Quem é o gato que brinca comigo e me destroça? A vida...
Eu continuo dormindo tardes inteiras na esperança de abafar um pouco da dor que é estar acordada e não saber o que fazer ou por onde começar.
Eu realmente não sei o que fazer
Eu realmente não sei por onde começar
Muito do que eu era se perdeu nesse caminho pra vida adulta. Se escondeu. O desabrochar não aconteceu ainda. Eu ainda sou muda.
Penso em detalhar tanta coisa, e não consigo. É assim todas as vezes que tento colocar em prática algo que faz sentido na minha cabeça. Nada faz sentido fora dela.
Mas a verdade é que eu me encontro no momento de olhar pra trás, de lamentar o que não foi vivido, o que eu não tive coragem de fazer, de dizer, de viver. O que eu deixei de me acrescentar por medo, os mesmos medos de sempre. Eu sou a mesma pessoa de sempre porque eu convivo com os mesmos medos de sempre e não consigo me desfazer deles.
O medo de desagradar, de ser insuficiente, de ser pouca coisa. Esse medo de ser pouca coisa é o que de fato me faz ser pouca coisa. Eu me limito nas tentativas, nas ousadias. Limito a minha voz grave pro mundo, me recolho. Tenho medo da autoridade, da minha e da de outros. Isso me fez encolher. E eu nem sei exatamente o que me fez ser assim.
Tá me doendo encolher. Tá me doendo porque também tem tanta coisa aqui dentro. Tanto o que explorar, tanto o que sentir, tanto o que desconstruir. Mas não consigo sair do lugar.
Eu vivo das minhas idealizações. Eu sou exatamente aquela criança suspensa na janela, segurando na grade e o observando o parquinho enquanto todos brincavam. Eu sou exatamente aquela que não foi boa o suficiente pra que ele viesse de longe me ver. Eu não quero mais ser.
É cômodo até, é seguro, é distante da dor real. Mas é uma dor que me cutuca as costelas e assim vem pra minha realidade. É a dor que nasce da minha covardia e me empurra de dentro pra fora como quem diz: "Vai, Amélie, seus ossos não são de vidro!!!!".
Em meio a toda proteção e projeção que me foram dispostas eu penso que se numa realidade onde mais desleixo fosse empregado à minha criação, talvez hoje eu fosse mais forte, mais dura, mais mulher.
Contudo, pelo contrário, os anos me trazem, cada vez mais, a vontade de me recolher no colo da minha mãe. Porque eu sei que a cada ano que passa é um ano a menos dentro desse colo e eu nunca vou estar preparada pra não poder recorrer a ele. Hoje eu só quero morar nesse colo. Todos os dias eu só penso em ficar lá pra sempre porque a velhice chega, porque o tempo passa, porque ele pode não estar.
Dói pensar num futuro sem ele, sem ela. Essa já não mais seria minha dor inventada, minha dor de covardia, minha dor que ataca e me soca as costelas. Seria a dor real que eu não estou pronta pra sentir. Sentir na pele, de fora pra dentro, essa dentre tantas dores que vida há de me impor. Mesmo sem eu querer, mesmo sem o preparo.
A dor do fracasso, a dor de ter escolhido o caminho errado, a dor de não me encontrar um dia. A dor de não ter um amor, a dor de não ter um trabalho que me faça feliz, a dor de sentir que não há em quem confiar. A dor de não ter filhos, a dor de não ter um lar.
São essas, entre outras, as dores que me atormentam.
A dor do futuro, por si só, me inibe mas mesmo assim eu vivo lá, morrendo. E o que eu faço pra doer menos?
Tento me apegar ao meu passado confortável. Ao que eu consigo lembrar de ter sido bom viver. E desse jeito eu paraliso.
Paraliso porque vivo pensando no futuro sem fazer nada a respeito, mirando um passado batido que parece já não contribuir pra mudança que eu preciso fazer em mim.
Paraliso porque vivo pensando no futuro sem fazer nada a respeito, mirando um passado batido que parece já não contribuir pra mudança que eu preciso fazer em mim.
Eu ainda guardo alguns vidros de perfume, alguns bilhetes, alguns detalhes. E não tem um amor do passado (antigo ou recente) que eu não relembre romanticamente, como se na esperança de revivê-los.
E lamento muito. Porém, apesar disso, ainda me derramo um balde de esperança quando penso que a preocupação com essa realidade estagnada de alguma forma me impulsiona. Mesmo que, a olho nu, nenhuma alteração eu perceba.
Sempre quis que fosse leve, tudo. Sempre olhei com amor pras coisas porque queria amor de volta. Então só espero que a vida me retribua em algum momento o meu amor. Que ele esteja bem guardado. E que tanta dor aqui dentro me mude. E que eu consiga, qualquer dia desses, escrever um texto sobre o que, em meio a tanta bagunça, ainda me faz feliz. E que eu encontre alguns novos motivos pra me sentir assim.
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