... Subentenda-me: 2014

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

VIVA 2014!

Antes de escrever esse texto eu fiz uma coisa que me engrandeceu. Que fez os meus olhos brilharem, que fez eu sentir orgulho da minha coerência. Li todos os textos que escrevi até aqui. Acho bonito nós nos depararmos com a nossa evolução. Olhar pra trás e notar que muito do que era não é  mais, mas que o essencial permaneceu. É daí que vem o meu orgulho: o essencial realmente permaneceu.

E eu estou aqui muito feliz, três anos depois de ter iniciado esse blog sem qualquer intenção além dessa de fazer com que eu me conhecesse melhor. Estou feliz por perceber que essa minha intenção foi completamente válida, e eu continuo me conhecendo mais com o passar do tempo. E não pretendo parar. É bom ver quem a gente é, ver as nossas confusões, os nossos descabimentos e em seguida nossa serenidade. Eu fui assim não só no que escrevi e escrevo, mas na vida, até hoje. Não quero mudar. Sempre tive os momentos de confusão, indecisão, inquietação, e gosto de perceber que escolhi uma das formas mais bonitas pra conseguir organizar tudo isso: escrevendo. 

Talvez eu não tenha tanta habilidade pra escrever sobre outros temas mais intelectuais, mas tenho pra entender sobre mim. E isso faz de mim alguém melhor. Eu sinto. Sinto que desde 2011 eu deixei pra trás muita coisa, muitos sentimentos que pareciam infinitos, muitas urgências, muitas crises adolescentes que hoje se tranquilizaram. Mas continua comigo isso de ver amor em tudo, de querer viver pra contemplar o amor em tudo. 

Não sei se com esse texto agora quero fazer uma retrospectiva do que foi esse ano, talvez daqui a pouco eu faça algo do tipo só pra eu lembrar depois. Mas agora o que eu quero mesmo é levantar as mãos pro céu e agradecer por estar de bem comigo mesma, por ver que tudo o que eu escrevi até aqui e sentir até aqui foi de verdade. E que a verdade é uma virtude que eu aprendi a honrar por achar tão preciosas todas as consequências que ela provoca. 

Há quem diga que verdade magoa, e quem diz não está errado. Mas agora quero saber quem disse que ficar magoado é algo exatamente ruim. Pra mim a mágoa tem um lado muito bom: é quando a gente revê e reflete. E eu parto do princípio de que quem se magoa possui o mínimo de sensibilidade, e quem é sensível e mergulha dentro de si, consegue ser lúcido para admirar a verdade por trás da mágoa. 

Eu fui lúcida pra conseguir isso, e estou aqui pra dar meu testemunho. Sim, e gostei tanto do alívio que dá ser magoada pela verdade, que só quero ser da verdade, mesmo com todos os riscos. Verdade em tudo, em cada sentir, em cada bom dia, em cada discussão. Verdade moderada, verdade acompanhada de respeito, e não de crueldade. Verdade acompanhada de sentimentos bons, de sentimentos que impulsionam para tudo o que gera crescimento. 

E eu fui assim até hoje, e quero continuar sendo, e quero dizer pro mundo ser de verdade. Que sejam de verdade em tudo, nas roupas que usam, no discurso que propagam, na opinião que emitem. Mas que seja verdade e não maldade. Porque todo mundo é livre pra dizer o que pensa e pra fazer o que sente que tem que fazer desde que não fira ninguém de forma intencional. De resto pode ser, de resto a gente encara, aguenta, leva.

E de 2014 eu só consigo tirar os melhores dias. As aflições, as angústias, e os medos também. Mas principalmente a felicidade, o amor e os risos. A sorte de ver o mundo ganhar um colorido novo bem aos pouquinhos. De sentir que a vida vai se encaixando do jeito que tem que ser. De 2014 eu tiro a consciência de que nem tudo vai ser sempre um mar de rosas, e de que pra fazer sol vão haver alguns diazinhos nublados. E aprender a ver beleza nesses dias também. 

2014 foi VIVIDO, e muito bem vivido. Com surpresas, nervosismos, saídas, encontros, beijos, abraços, cheiros, parceria, desentendimentos, entendimentos. Teve vida nesse ano, sem águas paradas. Com desistências efêmeras que logo se desfizeram. Com vontade de lutar pelo que acredito e sinto, justamente por ser de verdade aqui dentro de mim. Por não me importar com o que alguns julgam como improvável e seguir em frente com a força que vem de todo amor que eu tenho por tudo.

Já não me envergonho por ser clichê, por ser doce, por apostar na delicadeza. Eu gosto é do valor de tudo, e tudo que tem valor me tem. E eu vou atrás, em 2015 e nos próximos anos. E farei mais textos lamentando, esperneado, me revoltando. Mas também farei expressando o quanto eu sou feliz mesmo quando não tenho tantos motivos porque eu tenho o principal: EU TÔ VIVA. E nunca me senti tão assim como agora. 

E viva a vida! Viva 2014, viva os amigos, os amores, a família, os passeios, os carinhos, os sorrisos, a verdade!!!! Viva!!!!! 


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Desabafo adolescente de um coração partido/ sou melhor que tudo isso/ "você desperdiçou o amor, partiu e nunca mais ligo-ô-uôu"/ Você não foi o primeiro, não vai ser o último. / Autoajuda para decepções futuras

Fala sério, amor, olha só pra minha vida, olha só pros textos que eu te escrevi. Eu cheguei até a escrever um feito à mão pra te entregar caso a gente desse certo. E agora você sabe como eu me sinto? Me sinto como alguém que acabou de deixar cair um copão de milk shake de chocolate numa poça de lama. É, foi com você que eu desperdicei a doçura da vez. Pra você fazer o que? Passar por mim e fingir que não viu. Engraçado, dias atrás, nesse mesmo local, ao invés de me ignorar você me deu um beijo e me desejou bom dia. Que loucura! Fico me perguntando o que você é. Um oportunista que disfarça as suas reais intenções pra conseguir o que quer ou um ingênuo garoto disfarçado em pose de homem que não sabe lidar com o que sente, que não tem peito pra comportar um sentimento maior do que o que estava prevendo? Acredito que as opções têm um sinônimo em comum, tanto uma quanto a outra pode ser facilmente substituída pelo adjetivo "covarde". Sinto tanto.

E saiba que nada está com você. E saiba que não é amor. Não tem choro interrompido por nenhum colorido bonito, não tem delicadeza nenhuma a não ser a minha. Não tem sinceridade, encanto, urgência da sua parte, e sem reciprocidade não há amor. Há desilusão, sim. Mas isso jamais pode ser comparado com amor de verdade. Desilusão amorosa não existe, se fosse amor não teria sido desiludido. E se eu me importo? Obviamente. Vou chorar em mais algumas manhãs, no ônibus, indo pro trabalho. Vou chorar quando ouvir as minhas músicas preferidas que você estragou. Vou sentir uma dor enorme no peito quando te encontrar e fingir que nós nunca fomos nada. Vou ficar com um nó na garganta vendo os casais felizes que há pouco tempo eu via e não me sentia tão distante de viver algo parecido. 

Agora já não tenho vontade de carregar tuas bagagens. E nem você de que eu as carregue. O que fazer com o não querer do outro? Aceitar. Aceitar o teu não querer só que dessa vez com menos generosidade, com menos compreensão. Porque eu não aceito quem joga, quem atua, quem não sabe ser digno.

E eu vou continuar aqui amando a minha vida mesmo meio torta, meio doída, moída, corroída. Eu sei me reconstruir. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

O insistente não saber dos corações apaixonados.

Eis que um belo dia uma pessoa surge. Te surpreende assim de repente, te encanta logo nos primeiros minutos de conversa. Fala da vida, te alcança. E então vocês ficam cada vez mais próximos. Com o passar dos dias você percebe que já vai ficando mais complicado encarar a realidade sem contar com os momentos em que vocês vão dividir os acontecimentos do dia-a-dia. Antes mesmo de se dar conta vocês se incluem, às vezes até demais, nas decepções do passado do outro, nas ambições pro futuro.

E você passa a semana esperando o momento de vocês se encontrarem, e quando se encontram a mágica está na simplicidade com que ele deita no tapete da sua sala e te puxa pra junto dele. A mágica está na preocupação que ele tem ao ver que você está comendo besteira no jantar. A mágica está naquele final de tarde que vocês passaram rindo à toa e ele se deitou na sua rede pra descansar e acabou dormindo abraçado no seu braço esquerdo. Você passou quase meia hora com o braço dormente pra não acordá-lo. 

E você sente que cada momento foi eterno, cada conversa, cada cheiro no cangote, cada piada. Foi eterno quando ele disse que poderia ficar pra sempre ali. Você concordou porque até este exato momento da sua vida você nunca tinha se sentido tão plena, tão tranquila, tão em paz. Você concordou porque ficou revirando o baú da sua memória pra ver se conseguia encontrar alguma imagem mais bonita do que os olhos castanhos dele te sorrindo. Nada superou. Nada superou vocês dois deitados na rede, nada no seu histórico conseguiu ser mais significante. 

E é aí que você percebe que está perdida, que não tem saída, que ou aceita que está realmente apaixonada ou passa o restante do mês de dezembro triste por achar que vocês não vão dar certo porque ele confessou que coleciona fracassos nas tentativas de esquecer a antiga namorada. 

É certo que ele insinua que desde aquele fim ninguém o fez querer tanto voltar pra um abraço, um beijo, um cafuné como você. Mas é certo também que você tem doutorado em amar errado e isso faz com que você reconheça de longe o perigo. E então você passa manhãs inteiras se perguntando se a coluna aguenta carregar uma bagagem tão pesada quanto a dele, e se isso valeria a pena. Uma hora você pensa que sim, que sente que quando ele fica te olhando e te fazendo carinho na orelha ele está se permitindo viver algo novo e bom, que o fato de ele não querer ir embora demonstra o empenho em tentar fazer dar certo. Outra hora você pensa que não, afinal, como convencer alguém que viveu boa parte da vida achando que não encontraria amor em outra pessoa de que você está aqui e disposta a fazê-lo feliz? Por fim, você pensa também que independente do que for pelo menos ele está sendo honesto. Pelo menos.

Você não sabe se consegue defender a tese de que você é maravilhosa e perfeita pra ele. Não sabe se consegue não derramar uma lágrima ao dizer pra ele olhar em volta e observar o quanto ele combina com a sua sala, com a sua rede que agora está com todo o cheiro dele. Não sabe se consegue falar sem gaguejar que foi lindo tê-lo visto dormir e que queria passar o resto da vida assim, o admirando num sono gostoso. Não sabe se conseguiria listar cada compatibilidade sem ficar exaltada pelo fato de ainda restar algum tipo de dúvida de que vocês se encaixam perfeitamente. Você simplesmente não sabe. Mas você quer. Você quer tudo com ele. Você quer viagens, passeios, e mais tardes chuvosas. 

Você não sabe. Você tem que decidir se deixa de lado a pessoa que conseguiu em alguns meses te fazer desfrutar de todas as sensações maravilhosas possíveis de quando se gosta de alguém ou se o deixa ficar mesmo sabendo que corre um grande risco de ser apenas uma figurante, ou alguém que faz bem e é confortável de ter por perto. Você sabe que seria difícil ser o "tudo" dele, e a parte mais difícil é ter que admitir que ele tem séria propensão a ser o seu. 

Você sabe que não deve dedicar toda a sua existência a uma só pessoa e sabe também que não quer precisar de alguém, mas você já não consegue lidar com o fato de que tudo seria mais triste sem as doses, ainda que pequenas, de felicidade que ele te dá. E você tenta ser otimista, e você tenta ver que trás consigo todo o amor do mundo capaz não de apagar outro amor falido da vida dele, mas sim de fazer ele viver um amor completamente novo, leve e inspirador. E você até acha que consegue, e inspira fundo e sente que deve permanecer. No entanto um segundo depois você solta o ar e repara que a garganta dá um nó.

E depois você volta a se perguntar por que diabos não pode ter algo que quer muito sem muita dificuldade? Você olha pros personagens da sua vida e repara que pra eles foi fácil se estabilizar. Que foi fácil aquele seu antigo amor começar um namoro e engatar pra uma união estabilíssima, que foi fácil pra aquele outro reencontrar a namorada de infância e noivar com ela, e que foi fácil pra sua melhor amiga começar a viver o amor mais lindo, puro, sincero e desinteressado que você já pôde ver diante dos seus olhos. Foi muito fácil pra todo mundo. E então você tenta entender o motivo de pra você ser tudo tão difícil. Por que os poréns sempre marcaram presença em todas as suas histórias? Poréns que remetem ao conteúdo dos roteiros em questão um quê de exagerada impossibilidade. Por quê? 

Você não sabe. 

Você não sabe o que fazer com o pendrive dele que está aqui, não sabe o que fazer com as lembranças boas que ele já enraizou em você. Com certeza não saberá o que fazer com todas as músicas que vocês cantaram juntos enquanto se olhavam e sorriam. Músicas que certamente farão com que você chore rios de lágrimas quando voltar a ouvir sozinha. 

E então você começa timidamente a reparar que essa é a sua vida. Que surpreendente seria se não fosse impossível, complicado, complexo e absurdamente apaixonante. 

E então você pensa em interromper a angústia, tomar um calmante ou algo que te faça dormir, ligar o ar condicionado, se encasular no edredom e acordar só quando você souber um pouco mais. Ainda que você saiba que isso é uma ilusão porque na realidade você saberá muito menos. 

O que você faz? 

Ah, se você não sabe, imagine eu...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O primeiro de muitos depois da volta

Estar do teu lado acalma minhas urgências. Apesar de enlouquecer ao pensar na possibilidade de não te ver mais, de não sentir teu cheiro, saber que você existe me acalma. Me acalma cheirar a tua nuca, me acalma ver os teus cabelos voando. O teu sorriso me acalma. 

E apesar de você conviver com tanta insegurança, eu sei. Eu sei que eu também te acalmo. Eu acredito até o fundo da minha alma que é verdade que gosta de mim, apesar do medo, apesar do receio de mudança. Eu respiro e sinto. Sinto quando te vejo olhar pro nada depois de me ouvir discursar sobre os nossos prós e contras. Sinto que está tentando arrumar tua bagunça pra me deixar entrar. E eu te espero. 

Eu te espero porque ouvir você me falar do seu dia vale a pena. Ouvir as tuas histórias, sobre a tua irmã, a tua mãe, os teus cachorros, os teus amigos. Eu espero. Eu exercito a minha paciência te esperando, e te espero enquanto eu me apoio no teu ombro, enquanto eu faço carinho nos pelinhos da tua perna. Eu te espero nos detalhes que você nem nota, mas espero.

Não ligo se ninguém me aguenta mais. Não ligo se os outros reviram os olhos pra mim quando estou rindo pra você, por você. Eu já deixei muita coisa passar, mas eu não te deixo. Eu te deixo espaço pra querer ficar, pra respirar, pra sentir falta, pra voltar todos os dias. 

E eu vou te fazer carinho, vou beijar teus olhos, vou te abraçar apertado.

E quero acreditar que ainda vamos viver muitas coisas. Ainda vamos assumir, ainda vamos viajar, ainda vamos compartilhar mais músicas, mais filmes, mais histórias, mais risos, mais saudade, mais chegadas. 

E quero te ouvir me chamar "psiu" muitos dias, tardes e noites. E ficar irritada com tudo o que você faz pra atingir esse único fim. E quero te contar as minhas mancadas e te ver rindo comigo de todas elas. Quero que todas as minhas provas fiquem mais fáceis pela positividade que você ainda vai me mandar muito junto com a sorte. 

"Eu podia ficar feio, só, perdido. Mas com você eu fico muito mais bonito, mais esperto". E é assim que eu me sinto, e não quero deixar de sentir.

Por enquanto não dá pra te expor tantas querências, mas posso querer quieta no meu canto. E quero tanto, com tanto amor, que você está. Então vou continuar querendo pra que você esteja, e queira. E eu vou tentar te fazer querer um pouco mais todo dia. Esqueça o que eu disse sobre as bagagens, eu aguento carregar todas. E você me ajuda a carregar as minhas. E eu te ajudo a deixar pra lá esse escudo do qual você não consegue se livrar, que te protege de ser feliz. A gente não precisa de proteção pra ser feliz, a gente precisa de quem saiba fazer feliz. Eu sei. 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Please, don't forget me

Se você fosse embora amanhã, você lembraria de mim?
Você lembraria daquela solenidade de formatura em que sentou do meu lado pra conversar e me fazer companhia?
Você lembraria daquele filme que a gente assistiu na mesma semana e se surpreendeu pela coincidência?
Você lembraria que no nosso primeiro encontro de verdade eu estava muito gripada e ainda assim você me beijou?
Você lembraria dos poucos momentos que passamos juntos?
Você lembraria de como eu achava lindo o seu sinal de beleza que na verdade era uma espécie de cicatriz? 
Você lembraria de mim beijando os seus olhos sem querer? 
Você lembraria dos amassos bons que a gente dava?
Você lembraria de mim sorrindo pra você e elogiando o seu jeito de tratar as pessoas? 
Você lembraria de mim dando voltas ao seu redor enquanto você me segurava pela mão?
Você lembraria das nossas risadas?
Você lembraria de quando me deu bom dia pela janela e me mandou um beijo?
Você lembraria da gente olhando as estrelas?
Você lembraria de quando dizia que queria que desse certo?
Você lembraria de quando dizia que eu te fazia muito bem?
Você lembraria de quando dizia que há tempos você não ficava tão feliz?
Você lembraria de quando eu lagrimei por causa da sua repentina incerteza?




Que tolo da minha parte perguntar... 
A maconha não te deixa lembrar nem que um dia você já esteve comigo. 

(E ah, você lembraria do fato de que eu adorava você ser um maconheirozinho sem vergonha e com o sorriso mais lindo do mundo?)

Não, você não lembraria. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Conselhos, ordens, cláusulas pétreas.

Não beba
Não beba na casa de estranhos
Não pague caro pra um táxi te levar pro outro lado da cidade se o que você quer mesmo é ficar em casa vendo um filme
Não deixe pra estudar na véspera
Não diga que não quer se quer, e se disser que não quer mesmo querendo, pelo menos se comporte como quem não quer mesmo
Não crie expectativas, crie vergonha na cara
Não perca mais tempo achando que palavras e momentos isolados querem dizer algo de um sentimento
Não ouça o que o seu melhor amigo tem pra te falar sobre religião
Não conte os seus segredos mais íntimos pra quem não merece
Não se lamente tanto, não chore tanto, não sofra tanto. O jogo muda, o mundo gira. 
Não seja covarde, volte a ter coragem pra mandar uma mensagem dizendo "vem aqui me ver", sem pretensão de continuidade
Viva cada momento
Não diga nunca mais 
Não se surpreenda quando algo do passado ressurgir trazendo de volta emoções esquecidas
Não fique triste se o que mais te fez sofrer é o que mais te dá tesão 
Não se reprima, não diga que não só porque convencionalmente é errado. Errado é acumular desejos possíveis de serem realizados
Não perca o equilíbrio, a sanidade, a ética, mas perca um pouco do juízo 
Não magoe mais quem te ama
Guarde pra você o que é seu, nem tudo precisa ser compartilhado 
Se desespere por cada coisa, a cada dia. Não antecipe os desesperos.
Se organize mais
Não prenda xixi só porque a sensação de alívio é mais gostosa e o banheiro está longe
Não ache que já experimentou o melhor beijo da sua vida
Não ache que já beijou o suficiente
Não corte o cabelo tão curto
Nunca mais troque a moça que acerta as suas sobrancelhas
Nunca mais desperdice sua cara amassada e sua meiguice de logo de manhã cedo pra olhar pela janela pra quem não dá o devido valor
Não troque mais de perfume
Nem de ginecologista
Não brigue tanto com a sua melhor amiga. Ou brigue. Ela sempre vai te ajudar mesmo, até nas situações mais complicadas
Nunca esqueça que a sua mãe é a pessoa mais importante do mundo pra você
Evite frear muito em cima do carro da frente
Evite fazer curvas em ruas estreitas
Evite esquecer de mudar a marcha
E NUNCA, JAMAIS, escreva um texto em um blog que ninguém lê ao invés de estar fazendo trabalhos da faculdade e estudando pra prova do dia seguinte. 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

Hoje eu sinto a necessidade de escrever. Faz tempo que eu não tenho vontade de expor a minha vida, as minhas histórias tão tímidas, as minhas reflexões. Não tão abertamente. É que na maior parte do tempo nada do que eu penso costuma fazer sentido além dos limites da minha cabeça. Mas hoje não. Hoje muita coisa fez sentido. Hoje nem foi um dia tão especial, mas foi um daqueles dias que me trouxe a ternura que eu preciso pra me sentir digna a escrever e por pra fora alguns pesos.
Hoje eu notei que a minha vida mudou, simples assim. É oficial que agora já não sou a mesma de uns textos atrás, de uns dias atrás. Talvez a Ana Carolina de agora já seja outra pessoa, ou então esteja nas fases finais de sua transição. E como é bom mudar! Hoje eu não mudei de cabelo, não mudei o jeito com que me visto, nem deixei de falar com meu jeito estridente, nem de gargalhar alto. Tem abandonei aquelas certas coisinhas que são características próprias demais, únicas demais. Como a minha mania de sempre ir aos mesmos lugares, sentar nas mesmas mesas, pedir o mesmo prato, lanche e/ou suco de abacaxi. Como a profundidade que eu consigo alcançar a partir de conversas tão bobas, tão simplórias. Hoje tudo isso fica, e fica porque no todo eu sou isso mesmo e não vou deixar de ser.
Ainda que a vida esteja acontecendo com tantas mudanças necessárias e queridas, decidi que por hora prefiro não falar sobre elas. Hoje não quero falar sobre o que está vindo, mas sim sobre o que contribuiu e contribui pra chegada de tanta coisa, tanta coisa que eu ainda não conheço e me impulsiona a continuar andando pra encontrar (porque eu conclui curso intensivo sobre diferença entre correr atrás das borboletas e ficar parada esperando que elas pousem¹). Na verdade, quero falar sobre o que nunca vai deixar de ser, consequentemente, sobre o que não muda, mas se aprimora pra me fazer subir degraus.
É, esse texto é sobre o que não muda que me faz mudar.
Hoje eu vi que não quero, não pretendo, não vou mudar a minha forma de ver as coisas, de encarar as coisas, de ser as coisas, ser nas coisas, ser com as coisas. Sei lá. Não quero deixar de ser quem eu sou porque apesar de me angustiar o meu deslocamento, o meu não encaixe, as minhas bolas foras, nada de bom que eu conquistei e continuo conquistando estaria comigo hoje se eu não fosse assim. Meus amigos não seriam os mesmos, eu não compartilharia histórias de vida com as pessoas que eu mais me orgulho de ter por perto ensinando cada vez mais sobre o valor das coisas mais simples e significativas. Porque eu não quero e me recuso até o ultimo dia da minha vida a ser alguém que não ache lindo o amor de mãe, que não se comova com a história de vida de alguém, que não se entregue a tudo o que envolve o mais intimo de quem se quer bem. Eu me recuso a ser quem não valoriza esforços, quem não respeita sentimentos, diferenças, humores. Eu tento todo dia da minha vida não deixar de ser eu e aceitar de todo o meu coração que ninguém tem que deixar de ser quem é.
São tantas coisas que me fazem ser quem eu sou. As pessoas com quem eu convivo, a minha família, os figurantes que em todos os filmes da minha vida que sempre acrescentam um detalhe válido. A minha essência não permite tantas alterações - modéstia a parte -, só acréscimos e aprimoramentos. Talvez o dia de hoje tenha me feito enraizar em mim a máxima que deixar tudo como está não quer dizer estagnação, imutabilidade, mas quer dizer que, desde que o que fica seja essencial pra garantir a própria essência, não tem problema nenhum em continuar ficando.
Se eu estou dizendo agora que coisas novas estão chegando, mudanças boas estão acontecendo, e continuo sendo quem eu sou, é porque ser quem eu sou ocasiona isso. Hoje eu consigo ver que eu nunca mudei quem eu sou, só fui acumulando novas pessoas dentro de uma só, lapidando defeitos e imperfeições dos quais não tenho exatamente como me livrar. É complexo mas ainda assim faz sentido aqui dentro. Eu sou um novo eu com meus eus antigos remodelados. 
Sejam lá mudanças boas ou ruins, elas sempre dependerão unicamente de uma pessoa só: de mim.
Continuar sendo sempre a mesma pessoa não quer dizer que eu não possa ser uma pessoa nova, que fique claro. Não quer dizer que eu nunca vá mudar opiniões ou comportamentos. Quer dizer apenas que o que a vida me ensinou a considerar como útil, eu devo manter.
Eu considero útil pra ser uma pessoa admirável não deixar de ver beleza nas coisas simples, não deixar de me emocionar, de me entregar, de acreditar.
Olha, sociedade, eu não quero ter que deixar de lado uma comilança boa com gente amada sempre que me der vontade só porque isso me acarreta uma dobrinha. Se vocês sabem lidar, que bom, mas eu não. Eu também não ligo a mínima pro meu clichê de estar elaborando um texto de autoajuda pra mim mesma, porque, que se dane, eu preciso me ajudar a perceber que eu sou muita coisa todas as vezes que eu esquecer. Eu não sou a melhor, mas eu sou muita coisa, e não quero deixar passar nada que me ajude a continuar sendo muita coisa.
Eu quero continuar do meu jeitinho com tudo o que tiver que ser, quero me adaptar ao necessário, quero não me acostumar com o que me inibe de mim mesma. Eu quero muita coisa que ainda nem sei. E isso me lembra que, pra acrescentar ainda mais o dia de hoje, o meu professor de Direitos Humanos disse algo que definiu essa minha reflexão: "Eu não sei de tudo o que eu quero, mas eu sei exatamente de tudo o que eu não quero". E é isso. Eu quero tanta coisa que eu nem sei, mas essa parte eu cuido correndo atrás pra conquistar quando souber, mas sei exatamente o que eu não quero: não quero me perder de mim.
Pra finalizar eu gostaria de dizer que, mesmo às vezes chorando e me achando um nada, pensando no quanto eu sou desinteressante, no quanto eu não sou lá essas coisas pra ninguém, e no quanto às vezes nada parece dar certo, ser quem eu sou, incluindo nesses momentos, determina muito do que eu tenho. Se por vezes eu acho que não tenho muita coisa, é porque eu não estou sendo eu, estou sendo uma loucura, a minha diabinha interior que nada tem da minha real personalidade. Porque sendo eu, eu sei muito bem reconhecer a imensidão de grandiosidades que eu possuo, que tudo passa, e que se eu continuar sendo eu, eu chego em algum lugar. Quero seguir me esforçando pra ser eu do jeito certo pra conseguir dormir com a paz de estar em paz comigo.



¹ Sobre isso, a lição que ficou foi: é, pode ser que estando parado uma linda borboleta pouse e te traga muitas alegrias, mas determinar a borboleta como sendo a sua condição pra chegada de alegrias é um fato futuro e muito incerto. Você pode esperar demais e se decepcionar, porque talvez a borboleta nem vá mudar muito a sua vida. Mas se você for atrás das suas, você as escolhe, e não perde tempo, e no meio do caminho vai aprendendo exatamente o que realmente te faz feliz.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Queria ter mais tempo pra ler Bukowski

Queria ter mais tempo pra ler Bukowski. Não sei. A putaria, o lirismo da devassidão me fascina. Porque a vida é desse jeitinho, devassa, porca, amarga na sua superfície. E, ainda assim, é magnífica. Mesmo não valendo nada, a porra da vida vale muito, muito quando se repara na profundidade da porcaria. É terrível, mas é profundo e bonito sentir tanta coisa ruim e ainda conseguir gostar de estar aqui. E a gente gosta porque nada é tão infame que não guarde no fundo o desejo pela beleza de tudo. 

domingo, 27 de julho de 2014

Carta à um desconhecido.

Olá, moço. Desculpa o incômodo, mas é que eu tô precisando demais lhe dizer umas coisas. Nem sei se vai ser possível, já que você não existe. E eu não te culpo por não existir. Eu sei, eu sei, nada é como a gente quer. Eu bem que queria que você existisse, sabe? Mas não é possível. Não tem sido possível. Você não existe, e se existe eu não o conheço. E se o conheço, você ainda não chegou. Ainda assim, imagino as flores que você vai me mandar. Imagino como vamos nos conhecer de fato, ou quem sabe, nos encontrar de verdade. Vai ver já nos conhecemos. Vai ver nos vemos todos os dias e não ligamos. Vai ver você esteja aqui comigo me fazendo rir e me enchendo de promessas que até então são apenas dúvidas, mas que podem se tornar reais. Vai ver você não exista mesmo. Ou vai ver você exista pro mundo e eu nunca vou te achar. A verdade é que acredito que você terá o olhar mais penetrante de todos. Que me deixará completamente sem jeito, coração congelado. E então desviarei desse olhar, quando na verdade isso só vai querer dizer que eu poderia passar toda eternidade te olhando e morrendo de vontade de levantar e te dar um abraço pra ver se nossas almas se encaixariam como eu provavelmente vou imaginar que façam. Talvez a gente vá permanecer assim durante algum tempo. Até eu achar que meu coração já está mais do que gasto devido à todas as palpitadas que ele dará quando nosso olhar se chocar. Até eu achar que eu já te conheço o suficiente sem precisar trocar uma só palavra. Até eu poder sonhar e acordar menos culpada, menos boba, por não poder te dizer que tenho a leve impressão de que você seria um forte candidato a me fazer feliz. Acho que você também poderia aparecer de um jeito imprevisível. Num dia qualquer nos tornaríamos amigos, eu te contaria o meu dia, você o seu. Nós construiríamos uma ligação de almas distantes, ou próximas até. Nós nos complementaríamos a cada palavra, a cada piada, a cada discussão, a cada plano, a cada momento só nosso. E eu não sei por que, se você fosse assim, ou se você é assim, eu sinto que eu seria feliz demais. E eu já te falei do meu medo de ser feliz demais? É que sabe, você roubaria todo o meu coração a cada olhar, mas aí eu correria sérios riscos de você não estar nem aí pra mim. O que me faria te querer mais, te olhar mais, e tentar decifrar do que se faz toda essa ternura que eu sentiria ao te ver sorrir, ou te ver olhar lentamente, fechando os olhos, pra outro canto, me fazendo simplesmente querer morrer de tanto que você me causaria dor por ser inalcançável. Se juntássemos nossas almas, nossos desejos, e se fossemos felizes, se fossemos nós a cada instante nosso, sem lembrar de ninguém, apenas do nosso encontro, eu te amaria, e te desejaria mais, e te alcançaria muito menos. A verdade é que você seria totalmente inalcançável pra mim, de qualquer forma. Se você não existir, que exista logo. Mas que exista assim. A verdade é que eu quero tanto, e espero tanto que você saia já crescido de dentro de um repolho com todas essas qualidades, que eu esqueço que tenho vida. Ou, quem sabe até, eu espero tanto que você desembarque, ou caia de paraquedas em cima da minha casa, que eu esqueço que tenho vida. A verdade mesmo é que eu te amo. Não te conheço, mas te amo. Você não existe, mas te amo. Se você existe, já te amo. Mas chega logo. Despenca logo aqui do meu ladinho. Estou com saudades de você existir...

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Aí você acorda de manhã...

... E olha pra isso:



Só consigo pensar naquela música:

"Falta tanta coisa na minha janela, como uma praia. Falta tanta coisa na memória, como o rosto dele. Falta tanto tempo no relógio quanto uma semana. Sobra tanta falta de paciência que me desespero. Sobram tantas meias verdades que guardo pra mim mesmo. Sobram tantos medos que nem me protejo mais. Sobra tanto espaço dentro do abraço. (...)

Sei lá se o que me deu foi dado, Sei lá se o que me deu já é meu. Sei lá se o que me deu foi dado ou se é seu..."


O Teatro Mágico - Sobra tanta falta.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Eu amo homens

Posso contar pra vocês quando eu gostei de um cara pela primeira vez na vida? Bom, eu devia ter uns 12 anos. Conheci pelo msn porque era amigo do namoradinho da minha amiga. Esse carinha e eu ficamos muito amigos, e tínhamos tudo a ver. Uma vez ele veio me ver aqui no prédio, lá no parquinho. Joguei areia nele, coisa que não é de se surpreender vinda de mim (futuros pretendentes, me desculpem e fiquem longe de mim quando eu segurar algo que pode sujar). Ele era mais velho (o que quase nunca significa muita coisa) e fazia Jiu-Jitsu. Não namoramos, ele me enrolou e eu fiquei caidinha por ele. Muito apaixonada meesmooo!!!!! Até que um belo dia, quando tudo aparentava estar na mais perfeita ordem, o cara some, me bloqueia do msn e altera o status do orkut para: NAMORANDO A MINHA EX QUE TINHA ME TRAÍDO MAS ESTAVA ARREPENDIDA PEDINDO PRA VOLTAR E EU VOLTEI SEM NEM DAR TCHAU PRA CAROL, AQUELA OTÁRIA. 

É, eu nunca esqueci disso. Essa foi a primeira demonstração do quanto eu teria azar nos relacionamentos daí pra frente. 

Depois disso eu fiquei meio cética por um tempo, mas nunca desisti de gostar de alguém. Nunca me permiti isso, até hoje não me permito (apesar de que hoje eu estou muito afim de mandar todos os fdps da minha vida pra longe, mas isso eu explicito mais lá na frente). Uns anos comecei a namorar de verdade, durou um ano. Foi bem legal, só que não muito. Até hoje não sei bem porque, acho que não amava o cara, acho que ele não soube me segurar. Ele me deixava entediada. É, eu não o amava mesmo, e depois de ter empurrado um namoro com a barriga logo percebi que não tenho paciência pra isso. Nunca mais namorei sem amar. E pra falar a verdade, amor, amor mesmo, eu só senti duas vezes na vida, de jeitos beeeeem diferentes. 

O carinha do Jiu-Jitsu não foi meu primeiro amor, e nem o meu primeiro namorado foi. Eu até achei que era, mas no máximo ele pode ficar com o título de meu primeiro romancinho. Meu primeiro amor mesmo foi o Victor. Já escrevi tanto sobre ele e pra ele que hoje em dia nem tenho mais paciência. Mas amei pra caramba e foi um amor totalmente fora das CNTP. Depois amei outra pessoa que não posso mencionar o nome, porque, sabe lá. Fomos secretos. 

Esse moço me fez querer ficar com ele pra sempre e depois me fez chorar tanto que quase coloquei as tripas pra fora pelos olhos mesmo. Ele sabe. Não faz muito tempo (dois meses atrás) tive a oportunidade de falar tudo o que eu senti e fazer ele se sentir culpado por ter sido tão canalha. Ele me iludiu. Até hoje tenta me convencer que não, mas iludiu. Agiu de acordo com as conveniências e se aproveitou do jeito que eu era bobona por ele. Tudo o que a gente NÃO tinha (o fdp nem meu namorado era, olha esse absurdo) acabou e me deixou devastada. Mas, de novo, eu pensei que não iria me deixar abater porque eu sou uma menina muito legal e gente boa e deve ter algum cara no mundo que me mereça. 

Larguei mão do desespero e pensei em simplesmente deixar a vida me levar. Infelizmente não sei o que me dá que a vida sempre me leva pro lado sentimental. Ninguém faz ideia do quanto eu queria ser desprendida disso. Às vezes dá vontade de pegar geral e não me apegar. Quem disse que eu sei fazer isso? (outro motivo pra eu odiar amar os homens: não consigo amá-los descompromissadamente). 

Depois sempre aparecia alguém pra me encantar, e, nossa, eu me encanto fácil demais. Desencanto também. Enfim, até hoje nunca deu certo. Ou era chato, ou ciumento, ou escrevia errado, ou tratava as pessoas mal, ou não beijava bem, ou insistia em ser perfeito mas não gostar de mim. 

Eu já gostei de muita gente, é sério. Eu amo os homens PRA CARAMBA. 

Porém os odeio também.

Homens são maus. SIM, MUITO MAUS. Quando eu falo "homens" estou me referindo aos portadores de testículos por quem já me apaixonei. Hoje, inclusive, acho que nenhum era homem de verdade. Todos se encaixam muito bem naquela parte da música do Kid Abelha que diz: 

Garotos gostam de iludir
Sorrisos, planos, promessas demais.
Eles escondem o que mais querem
Que eu seja outra entre outras iguais
São sempre os mesmos sonhos,
De quantidade e tamanho. 
Garotos fazem tudo igual
E quase nunca chegam ao fim... 

Aham, pois é. Gostei de garotos.

Sabe, eu amo me apaixonar, amo me iludir achando que pode ser ele, que com ele pode dar certo, que ele não vai me criticar por eu não gostar de cebola, que ele não vai me chamar atenção quando eu gargalhar alto demais. 

Não sei se odeio amar os homens ou se odeio não encontrar homens que me amem. Acho que odeio amar os homens errados, na verdade. Já encontrei homens que me amavam, mas pra cagalizar tudo eu nunca sentia nada por eles. Por que os que me amam insistem em ser chatos e meio boring?

Eu me pergunto se o problema é comigo. Me digam, homens, vocês não gostam mesmo de moças queridas como eu? Eu sou divertidíssima, poxa. É sério isso? Porque fala sério, não é possíveeeeeeeeel. Só porque eu levo tudo um pouco a sério demais? Responsabilidade com o sentimento de alguém é tão difícil assim de lidar? Por que vocês fogem, rapazes?

Sei mais de nada, não.

Sei que eu amoooooooooo os homens. Amo cheiro de homem, amo mãos de homens, e braços e pernas de homens. Odeio a safadeza, a brincadeira, o papo furado, o charminho, o cinismo, a atuação dos homens. 

Homens, aqui vai um apelo: PAREM! Parem de me fazer ter que me referir a vocês como homens porque visualmente e biologicamente vocês são, mas só por esse motivo, porque socialmente são garotos. PAREM de ser garotos!!!!!!!!!!!!!!! 

Parem de nos conhecer e tentar nos convencer de que vocês são diferentes dos outros, sempre. Não precisa tentar convencer de nada, só sejam homens de verdade (eu com a minha experiência já devia saber que quem é não precisa convencer de nada, sou muito burra também). Alheia à minha insistência em ser idiota sempre, está a minha esperança em acreditar que toda a demonstração é válida, e não apenas uma encenação. Estão vendo? EU AINDA TENHO ESPERANÇA QUE VOCÊS PRESTEM, MAS VOCÊS NÃO COLABORAM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 

Eu ainda não desisti, porém venho aqui declarar como oficial o hiato da minha saga. Cansei de vocês, meninos. Não me procurem, não me liguem, não me chamem no WhatsApp. Não mandem e-mail e nem sinal de fumaça, até vocês crescerem. Beijos.

terça-feira, 17 de junho de 2014

She Will Be Loved

Esse título diz tudo. Esse é sobre você. Você da boca mais linda e da barba que melhor me arranha no mundo todo. É. Você cantou pra mim "She Will Be Loved" enquanto dirigia e me sorria tão bonito. Eu nunca esqueci. Eu me odeio por gostar tanto de amar pessoas inconsequentes que não se preocupam comigo e nem com o quanto eu me apego. E me apego demais. Já faz tanto tempo que me apeguei a você, agora tenho que desapegar. Desapegar porque eu amo o seu jeito, amo o seu sorriso, o seu cheiro. Amo como você me faz rir, amo fugir de casa pra te encontrar nem que seja por uns vinte minutos. Amo. Eu vou sentir falta de cantar bem alto e de gargalhar até a minha barriga doer. Eu vou sentir falta de você. Mas, sabe, não dá. A gente também não serve nem nunca vai servir, por mais que me dê vontade de te aceitar de qualquer jeito, e te aceitaria mesmo, menos desse jeito, menos pela metade. Eu desisto.

sábado, 15 de março de 2014

Se joga, menina

Você está desafogando. Sente que já não expressa mais desespero, urgência. Agora a sua alma se estica em uma superfície firme e segura. Já não flutua, se estende, se fixa, se acalma. E todos aqueles amores não te atormentam mais, agora te acolhem, te afagam, te fazem lembrar das melhores partes que lhe compõem. Você já não pensa no futuro com tanta obsessão em seguridade, com a paranoia de ser pra sempre. Você já não nem liga pra isso.

Agora você anda dançando com o vento. Deita pra ver a lua e respira fundo e sente que, é, até queria um certo moço deitado do seu lado sim, mas ele já não faz tanta falta, ninguém mais faz a falta que te intimidava antes, ninguém mais te prende. Você tem se bastado. Você deseja do fundo do coração que nada chegue perto se não for quem também já esteja plenamente abastecido com todas as partes de si. Quer distância de quem não se completa na sua própria incompletude. Quer ao redor quem se reconhece em você, mas porque se sabe muito bem. E você sabe, querida, ainda sobre esse moço: ele não se reconhece em ninguém, muito menos nele mesmo.

Agora ele te inquieta e te provoca, mas você sabe que não precisa dele, e sabe também que nada do que eu digo é pra te convencer, você sente essa verdade.

E sobre o que você sente, digo mais: você ainda quer ter as mãos quentes desse moço te tocando. Sim, nós duas sabemos que você quer. Você ainda quer aqueles olhos cansados te olhando fundo. Você ainda quer fazer carinho nos cabelos negros e lindos que ele tem. Você ainda quer beijá-lo, meu bem, e como quer... Você quer que ele volte a te abraçar por trás e cheirar o seu pescoço. Você ainda quer a euforia desse moço, ainda quer provocar as risadas dele, e provocar também diálogos sérios e mais alguns momentos de tensão. Você quer rir com ele e abraçá-lo. Você ainda quer que ele te aperte e te tire o ar. Você quer ter mais alguns bons momentos ao lado dele. Quer ajudá-lo a carregar as bagagens pesadas que ele possui por mais alguns quilômetros. Você quer a fuga que ele te transmite e ao mesmo tempo quer sentir de novo o gostinho do real que ele te dá. Porque com ele você foge mas pisa no chão e olha a verdade bem de perto, coisa que antes você não costumava fazer. Ele te afasta da corrente pesada da fantasia idealizada que você tanto insistia em arrastar. Sim, você quer esse moço pra você durante mais alguns dias ou meses pra te tapar esse velho buraco de sempre. Só ele consegue isso.

Mas veja, pode ser qualquer pessoa. Qualquer um que te tire da sua bolha de ilusões, do tal juntos para sempre. Então, sendo assim, seu querer quer um caso, um romance, uma efemeridade. Se joga. Você não precisa mais dessa figurinha repetida, por mais brilhante que ela seja, não faz sentido colar por cima. 

Olha bem pra você. Você cresceu.

Enquanto os seus outros amores tinham um quê de eternidade, esse moço aí é todo feito de passagem, de momento. E você sabe. Você quer, mas você sabe. Sabe e aguenta a tentação. Isso me dá gosto de ver. Consegue sentir daí o orgulho que eu estou sentindo de você?

Você já não é mais aquela menina dos choros compulsivos, e soluços. Você já não tem medo do fim. Quanta maturidade! Eu sempre te disse que o tempo resolve. Atrapalha, confunde, perturba, mas resolve. Eu sempre te disse que esse dia ia chegar.

Você já tem deixado outros chegarem. Outro. E você quer mesmo é que ele bagunce e vire tudo do avesso, você quer que ele tire tudo das gavetas, tire de ordem os seus livros e os seus papéis. Você quer esse furacão e nem se preocupa com o estrago. Você quer a juventude, a liberdade, a esperteza. Você não quer parar de ser louca e nunca se sentiu tão bem por isso. Você já não se obriga mais a querer a quietude, o amor em paz, a estabilidade, o relacionamento sério. Você teria que passar por isso, você teria que querer viver tudo isso.

Você tem esquecido os seus desejos de fixar os pés no chão. Agora você quer ser o balão de gás que nunca se permitiu ser. Quer que ele te segure mas não te proíba de ir e vir com o vento. Você não é mais a menina que acreditava no príncipe que mora longe, e nem a moça que sonhava em ser o amor da vida do rapaz com quem você foge de casa pra dar uns beijos salientes. Você já não quer ter ninguém. Você só quer ser!

E seja. E corra, ainda dá tempo de não deixar aquele esse outro moço escapar de te fazer feliz por mais um tempo. Ele está logo atrás de você, ou na frente da sua janela, como preferir. Olha, grita, chama. Ele não é seu, mas vai te ajudar a ser, com certeza.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Remexendo aquele brinquedinho do fundo do meu baú porque mesmo aparentemente esquecido de lá nunca sai

Não sei, mas você é uma daquelas pessoas que me dão vontade de sentar junto, tomar um café, ou um chocolate, ou um suco de abacaxi num fim de tarde laranjado. Sim, você que eu nunca vi. Talvez não você, mas o que eu imagino de você, o que eu idealizo de você. Hoje eu sinto que se pudesse escolher uma pessoa pra marcar um encontro desses amanhã, pra contar sobre a minha vida, as minhas atuais frustrações e as minhas ambições, eu escolheria você. 

Te contaria sobre as minhas referências que mudaram, te descreveria as minhas melhores amizades e te deixaria orgulhoso ao ver a pessoa que eu me tornei. Te falaria sobre as músicas que hoje eu ouço, até te envergonharia com uns gostos meio avulsos mas que não deixam de me representar. E te contaria das minhas experiências, e filosofaria um pouco sobre a vida e as voltas que ela dá. 

Eu te deixaria falar e apoiaria meu rosto sobre as duas mãos com expressão de fascínio pra tudo o que você falasse. E eu sei que eu riria de tudo de um jeito muito bobo e que não demoraria muito e já seria noite. Eu ia te admirar como nunca pude fazer de perto, e te dar o meu sorriso mais sincero dos últimos tempos. E te diria que tanto faz o que a gente foi e as decepções que fizeram parte daquela história meio criada, fantasiada, deslocada. Te falaria mais um milhão de coisas que agora não me vêm à cabeça porque eu sempre vou sentir que nenhum texto que eu escreva vá te tocar, te alcançar, te fazer lembrar de nós ou te fazer vir aqui tomar um café, um chocolate, ou/e um suco. 




(Se um dia me ler saiba que não é porque te amo, é porque me desiludo com meus amores de agora e lembro que o teu amor foi o mais especial)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Pra você

Bom dia, hoje não acordei muito cedo, fui dormir meio tarde ontem, e nem foi porque fiquei até tarde vendo tv ou lendo algum texto da faculdade. Fui dormir tarde porque o sono não vinha e eu aproveitei pra pensar em você. Por isso estou te escrevendo agora. Fico muito feliz em saber (ou querer acreditar que sei) que você se importa com o que eu escrevo, que você lê e que quando termina sorri bonito e pensa no quanto é bom pra você que exista alguém no mundo que sinta o que eu sinto, que sinta como você também sente. Antes de eu te conhecer, em uma das minhas lamentações sobre a tristeza de não saber em que parte do mundo estava o amor da minha vida, a minha melhor amiga me surpreendeu com uma coisa bonita: disse que eu sinto, e que ela não conhece ninguém que sinta mais do que eu. Ela não conhece ninguém que sinta a tristeza e a felicidade mais do que eu consigo sentir. E eu parei pra pensar em uma coisa que eu tinha esquecido de relacionar: aquela lamentação não era só uma lamentação, era o meu sentir. Esqueci que quando a gente senta e chora e se odeia a gente só está sentindo à flor da pele. Eu sou essa pessoa, eu sempre senti muito, tudo. Eu sempre consegui alcançar coisas lá no fundo, coisas alheias ao que comumente se consegue observar, absorver. 

Depois dessa conversa, mais uma vez, parei pra pensar se existia alguém no mundo que sinta como eu. Alguém que consiga se sentir verdadeiramente feliz com coisas mínimas. Alguém que se questione, alguém que se sinta insatisfeito mas que depois reflita e volte a valorizar numa intensidade muito maior tudo o que tem, todos que tem. Alguém que se divirta com piadas toscas e que não se importe em parecer só mais um palhaço extrovertido que todo mundo critica por não saber da sua profundidade. Alguém que saiba reconhecer gente de verdade e que saiba permanecer. Alguém que se indigne e se incomode com injustiças. Alguém que conquiste o amor de todo mundo sem precisar fazer tipo, sem precisar subir num pedestal, apenas sendo o que é e gostando das coisas que gosta porque quer, e aprendendo a gostar do que gostam os que gosta. Alguém que saiba falar sério quando necessário, e que saiba ter bom humor, sorrir, e dar motivos pra que os que estão perto sorriam também. 

Eu sempre me considerei desse tipo de gente, e quis comigo alguém exatamente assim. E então apareceu você que não é uma cópia de mim mas veio com sinuosidades que se encaixam às minhas. Apareceu você que se orgulha do que sou e que conhece cada jeito meu, e que me olha e se admira com as minhas expressões e pensa "nossa, como eu amo cada detalhe, cada defeito dessa mulher", assim como eu faço quando te observo. Você que não me sufoca porque sabe que me tem. Você que continua sendo você, e me fazendo continuar a ser quem eu sou, mantendo a nossa individualidade mesmo nós nos compondo tão bem como um só. Você que é como a minha casa, e não me incomoda e me acolhe e é o melhor lugar do mundo. Você que me faz entender agora porque valeu tanto a pena as minhas lamentações, os amores frustrados, os erros, as ressacas por causa de todos os fins. 

Você que é tão importante e tão lindo e tão feito pra mim que me fez esquecer do ridículo, me motivando a te escrever com tanto amor como se eu já te conhecesse, como se você já estivesse aqui. Você que, na verdade, não está aqui mas está por aí assim como eu esperando o dia em que a gente vai finalmente entender a trajetória, o passado. Você que vai ser comigo o que eu espero que seja, esperando de mim tudo o que só eu vou saber te dar. Você que mesmo sem ter aparecido merece desde já um texto escrito com todo o amor que eu estou te guardando há tempos. Você que talvez já esteja perto, ou muito longe, mas que está caminhando até mim. Você que me motiva a procurar, a chorar por todos os caras errados na esperança de que esses caras errados sejam ou me encaminhem pro cara certo que é você. Você, que fará valer a pena as minhas noites de insônia, os meus textos com verbos no passado mesmo eu ainda estando no presente e as minhas cartas sem destinatário. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Minha vida quase sem mim

A morte me incomoda bastante e em todas as minhas divagações ela quase nunca fica de fora. É ruim ter a certeza de que um dia tudo acaba e de que estamos caminhando pra isso, inevitavelmente. Semestre passado, em uma das aulas onde a professora apresentava situações hipotéticas a respeito do que seria uma breve introdução ao assunto das sucessões, eu tive que me lembrar de que as coisas findam e de que o fim ainda vai se relacionar com a continuidade de tudo enquanto a gente já está fora do jogo. Não é nada fácil pensar na morte dos que eu amo, e também não é fácil pensar na minha morte. Eu gostaria muito de possuir a serenidade de algumas pessoas e aceitar a morte como sendo algo natural e necessário. Pensar em morrer pode ser muito reconfortante em algumas ocasiões, como quando penso que apesar de tantas diferenças entre todas as pessoas do mundo, todas terão o mesmo fim. Enfim, essa é só uma introdução dispensável pra descrever e registrar o dia em que eu achei que iria morrer (claro, se a morte não acontecer antes de eu voltar aqui pra recordar).

Bem, eu sempre fui muito nervosa com relação à saúde, meu pai até costuma dizer que desde que nasci ele não se lembra de um mês sequer em que eu tenha ficado sem ir a um hospital. É bem provável que ele esteja exagerando, pois nesses quase dezenove anos eu consigo lembrar de vários meses saudáveis da minha vida. Sim, é verdade que a quantidade de meses visitando um hospital supera, mas e daí? Isso só é válido mesmo pra ressaltar a aflição que se faz presente em mim todas as vezes em que passo mal. E como muitas outras vezes, três dias atrás eu comecei a sentir coisas estranhas e resolvi me adiantar um pouco e consultar o doutor Google colocando os meus sintomas e esperando um diagnóstico não muito preocupante, a fim de me tranquilizar e achar a solução rápida pros meus problemas. Pois é, mas acontece que o doutor Google só faltou imprimir automaticamente o meu atestado de óbito. E, claro, eu automaticamente pirei, os sintomas se agravaram a nível máximo, eu fiquei ofegante, comecei a tremer, senti como se o chão estivesse abrindo. 

SIM, EU ACHEI QUE EM MENOS DE 48 HORAS EU ESTARIA MORTA. Claro, não por acaso, afinal o doutor Google fez questão de me dizer que em casos como o meu, na melhor das hipóteses eu ficaria em coma. Então eu imediatamente mudei de planos, larguei meu material, entrei no carro do meu pai e chorando disse a ele pra correr comigo ao hospital. Nunca vou esquecer daquele caminho e nem de como eu convenci a mim mesma de que era o último da minha vida. Agora, parando pra pensar, me impressiono com a forma de como mergulhei de cabeça nessa realidade e de como foi tão intensa a forma como me senti. Não sei, se o doutor Google tivesse me dito que eu ainda teria algumas semanas de vida, ou um mês pelo menos, acho que eu ficaria menos louca (ou muito mais) e teria feito tudo o que desse na telha já que eu teria pouco tempo de vida. Mas o fato é que foi tudo muito forte, todos os pensamentos ruins vinham até mim com uma veracidade que me faria ganhar um oscar se eu estivesse atuando num filme. Crise de ansiedade total. 

Fomos a caminho do hospital, e a cada sinal vermelho eu pensava nas coisas que eu mais amava e nas coisas que eu ainda queria fazer. "Meu Deus, e a minha mãe? Como a minha mãe vai sobreviver sem mim? Por favor, alguém tem que acalmar a minha mãe.", "E o meu curso? Merda! Logo agora que eu realmente estou me apaixonando pelo Direito. Não quero morrer, preciso me formar", "E o meu marido, e os meus filhos? Eu quero ter filhos, eu quero ter um amor de verdade", "E meus amigos? E minha família? Eu não posso morrer às vésperas do aniversário de quatro anos da Laurinha. Não posso não ver o Rhyan crescendo.", "Eu realmente não vou ver o final de How I Met Your Mother? Vou morrer sem ter assistido os melhores filmes da face da terra, sem ter escutado as melhores músicas?". Então, esses foram alguns dos pensamentos que me fizeram chorar copiosamente no trajeto casa-hospital. E meu pai do lado, tentando me acalmar: "Fica calma, tu vais ficar bem". 

Chegando lá a médica começa a me atender já preocupada, pois eu não parava de chorar. Como o que eu estava sentindo não se relacionava com a especialidade dela, ela resolveu me encaminhar pra um especialista de sobreaviso, e, caso não fosse a especialidade dele, ele me encaminharia pra outro. Eu já sabia o que eu tinha, quase digo pra ela me internar de uma vez e acabar logo com isso. Mas não, e que bom que não falei nada, apenas obedeci (apesar de meio neurótica eu ainda consigo ser racional). Resumindo tudo, o médico que me atendou apontou o problema, me examinou, marcou alguns exames e disse que todas as minhas dores eram reflexo do meu estado emocional. 

Ainda não fiz os exames, ainda não sei com exatidão o que tenho e ainda continuo sentindo os mesmos sintomas, em proporções bem menores, claro. Eu ainda não sei se vou morrer logo, se o doutor Google estava certo, se eu posso acusar o hospital de negligência por não ter providenciado exames mais a fundo naquele momento mesmo. Continuo não sabendo se vou me formar, ou se estar viva pra ver o crescimento do Rhyan e da Laurinha, ou se vou ter filhos e um amor de verdade. Não sei como vai ser o final de himym, nem vi os melhores filmes, nem ouvi as melhores músicas. Eu não sei absolutamente nada sobre o dia de amanhã e nem sobre o final do dia de hoje. Sei que eu tenho muitos planos e muitos sonhos e muitos medos e muitas ambições. Depois desse episódio aprendi que é assim mesmo que as coisas acontecem, e num piscar de olhos tudo pode sumir. Talvez o doutor Google estivesse errado, ou talvez esteja certo. Mas o que eu consigo alcançar agora, após esse surto momentâneo, é que a vida é surpreendente. Eu já sabia, sim, mas eu ainda não havia me deparado tão assustadoramente com a sua brevidade. 

Eu ainda não morri, mas consegui aprender, com toda essa loucura que durou menos de duas horas, tudo o que realmente me importa. O amor importa, a vontade adquirir conhecimento pra ajudar as pessoas e tentar minimamente transformar o mundo importa, dar valor a cada personagenzinho que já passou por mim e me ensinou algo de bom importa. Muita coisa importa. Eu não sou um nada como muitas vezes já achei, eu não sou incapaz de praticar mudanças como muitas vezes, até por comodidade, me acusei. Eu não sou feia, nem burra, nem boba, nem insuficiente como muitas vezes já fizeram eu me achar. Eu sou muito mais do que isso. Eu sou o carinho e a cumplicidade e o companheirismo que tenho por meus pais. Eu sou as conversas profundas sobre juventude e relacionamentos que tenho com a Milena. Eu sou os conselhos que ela me dá. Eu sou as tardes caminhando até a casa do Willame e conversando sobre como pensar positivamente encaminha até nós coisas positivas e sobre como a felicidade está nos breves momentos em que atingimos a paz de espírito. Sou os conselhos que dou ao Pedro e também sou as palavras de conforto que ele precisa ouvir quando está triste e pensa em desistir do curso, ou da namorada. Sou as minhas lágrimas quando alguém machuca a Renata. Sou a minha dor por conseguir ser empática o suficiente pra sentir a dor de quem vive indignamente, de quem não é amparado e é tratado como lixo. Eu sou a vontade de continuar e melhorar a mim, e de ajudar a melhorar os outros, e de ajudar a melhorar o mundo. Eu sou as minhas saudades, eu sou o amor que tenho aqui acumulado pra dar pra alguém que realmente mereça. Eu sou a minha vontade de ser mãe. Eu sou muita coisa e peço encarecidamente a Deus que ainda me deixe continuar sendo.

E pra finalizar, se eu pudesse dar um conselho pra alguém, eu diria: sei que às vezes pode ser intuitivo e sei também que existe algo que nos impulsiona a isso, mas, por favor, em hipótese alguma consultem o doutor Google, tenho sérias suspeitas de que ele é um charlatão. 


domingo, 19 de janeiro de 2014

Mergulhando de cabeça no fundo do poço...

Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

(...)

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho


Treinando o cérebro

Não é você
Não é você
Não é você
Não é você
Não seremos nós
Não seremos nós
Não seremos nós
Não seremos nós
Nunca mais
Nunca mais
Nunca mais
Nunca mais
Eu já te esqueci
Eu já te esqueci
Eu já te esqueci
Eu já te esqueci
Seu beijo não foi o melhor
Seu beijo não foi o melhor
Seu beijo não foi o melhor
Seu beijo não foi o melhor
Não foi
Não foi
Não foi
Não foi
Não te amo mais
Não te amo mais
Não te amo mais
Não te amo mais
Você foi o maior erro da minha vida
Você foi o maior erro da minha vida
Você foi o maior erro da minha vida
Você foi o maior erro da minha vida
Acabou
Acabou
Acabou
Acabou


Quem sabe assim eu me convenço...
Se precisar aumento as repetições.

Vômitos e sacadas

O que dizer depois de uma noitaça daquelas com os amigos? O que dizer quando se acorda às 6:33 da manhã com uma dor de cabeça irritante que você sabia que apareceria mas não fez nada pra evitar? Não sei. Não sei muito bem o que dizer, só sei que ontem eu fui feliz. Fui feliz ao não conseguir subir as escadas de tão bêbada, fui mesmo. E fico feliz agora quando lembro de ter vomitado pela sacada com a minha amiga batendo nas minhas costas e rindo, sem saber o que fazer. Inclusive, está aí uma coisa que sempre vai me fazer rir quando eu lembrar, vomitar na sacada. Já fui melhor do que isso. Bem, o fato é que, sendo inconsequente ou não, eu preciso pirar um pouquinho. E preciso sempre ter a consciência de que não fazendo mal pra ninguém, que mal tem? Por que eu fico me perguntando, será que não dói? Sim, magoar, não dói nada em quem o faz? Me desculpa mundo mas eu prefiro ficar louca e vomitar pela sacada do que abraçar os bons costumes e sair por aí fazendo o que eu bem entendo sem me preocupar se isso vai doer em alguém. Porque, sabe, vai doer. Eu viveria bem ao saber que alguém acorda de manhã sem vontade de se olhar no espelho por minha causa? O meu estômago não embrulharia ao imaginar que alguém poderia estar se sentindo um lixo por eu ter usado essa pessoa de acordo com as minhas conveniências? E nem ia doer a minha cabeça quando eu fosse tentar dormir ao pensar que alguém está andando por aí meio borocoxô, meio de cabeça baixa, meio com medo do mundo, meio se escondendo de toda a humanidade porque eu não me importei com os sentimentos dessa pessoa? Bom, se tratando de mim, prefiro mesmo ser a pessoa meio borocoxô, porque eu aguento! Eu aguento todas as rasteiras e me levanto. Fico um pouco bêbada, choro no ombro de um amigo e peço pra ele nunca me deixar, depois ele lava o meu rosto e tudo fica bem. Eu aguento!

sábado, 18 de janeiro de 2014

Hoje decidi escrever sobre ele

É fato que me encontro em um estagnado estado de inspiração e é inevitável e necessário admitir que de todos os meus amores ele é o mais inspirador. Perturbador, interessante, impossível, e estupidamente charmoso de um jeito erradamente compreendido devido a minha realidade de nunca tê-lo visto. Agora faz um frio que me remete quase que imediatamente à época em que eu o amava. À época em que o meu maior desejo era conhecê-lo e com isso atormentava-me todos os dias a irresistível vontade de correr até o seu encontro. Corrida esta que, curiosamente determinada por mim como a quantidade de passos que representava a minha quantidade de amor, nunca pôde ser iniciada, fora algumas vezes em sonhos e em delírios noturnos sem grande influência em minhas ações. Pois bem. Ele. Ele que nunca soube por mim o quanto eu o amava, soube apenas pelo que foi capaz de deduzir como sendo o meu amor. Talvez pra ele isso não tenha se resumido a muito além de uma paixão passageira que não conseguiu ter uma significativa importância em razão das nossas condições. Sim, nossas condições de amor nunca foram muito favoráveis. Inclusive, nem sei porque chamo de condição visto que condição não havia, nunca houve. Mas eu jamais acreditei na possibilidade de amor como algo comum. Na verdade, quero dizer, sim, eu acreditava. Antes dele aparecer, é claro. Quando a sua personalidade cruzou o meu caminho de adolescente confusa e sem perspectivas eu tive a certeza irremediável de que um romance comum e cotidiano não caberia, pois era aquele erro e alucinação que eu queria viver, ou, com todo o perdão que o clichê da palavra exige, sonhar. E sim, sonhei. Mais do que sonhei, levitei, desincorporei de mim. E quanto mais, agora, eu classifico tudo o que fomos, a inverdade que fomos, me divirto. Não em sentido de deboche a pessoa que fui ou a quem fomos, me divirto pela diversão de fato existente. Divertido o passar do tempo, o não passar do tempo, o sair do tempo. Inegável o quanto era desejada uma tal viagem, uma tal possibilidade. Até hoje não sei ao certo o que esse moço de tão indecifráveis intenções tinha para cativar todas as partes de mim, mas tinha. E, diferente dos meus amores posteriores, irrelevantes em suas possíveis realidades que poderiam ser facilmente trocadas pela irrealidade dele, ele conseguiu, de tão distante, me aproximar de tudo o que bastava a aproximação. Me bastava aproximar de mim. Ele conseguiu, me aproximou do que eu sempre quis estar do lado, do que eu sempre quis entender, caminhar junto e atender a pedidos. Acho que conseguiu fazer com o que eu soubesse o que eu era e o que sou por motivos de também ser muito como eu, ou completamente o inverso de mim, ou, quem sabe até, ser apenas o que inventei dele. Diferente de tudo, de todos, ele veio com a única finalidade de, sem saber, fazer eu me saber um pouco mais, me saber o quanto ele não se sabia. Talvez ele seja aquela pessoa que aparece uma vez na vida de todo mundo, mudando as coisas, reorganizando as coisas, misturando. Deixou muito do não sei o quê que ele aprendeu e quis me ensinar. Levou de mim, pelo menos, um pingente dourado pra guardar em um baú junto de alguns perfumes, e uma carta largada em algum canto da casa. Sinto muito pelo pingente não ser de ouro, e pela carta não estar grafada pelas minhas juras de amor eterno que de tão eterno me faz escrever sobre ele - não mais para ele - mesmo depois de ter deixado de amá-lo. Na realidade, eu me pergunto todos os dias se deixei de amar, se passou, se dói, se algum dia doeu. Não encontro respostas cabíveis para poder definir a minha atual situação e o meu atual sentimento. Sei que doeu, não sei se dói, sei que passou e sei também que nunca passará. Se deixei de amar? Talvez sim e talvez não. Talvez sim por ter percebido, não muito tempo depois, que não nascemos pra morar na mesma cidade, ou bairro, ou rua, ou ilha. Morar no mesmo país nos bastava, nos bastou. Talvez não, porque, enfim, como deixar de amar? Como deixar de querer o que mais se quis na vida? Sei lá. Só sei que ele foi um diazinho como esse, ele foi alguns desenhos, algumas músicas, algumas bandas apresentadas e que ainda permanecem na minha playlist. "This is no declaration, I just thought i'd let you know goodbye". Ele foi um vidro, um do outro lado da tela, da vida, do mundo, do continente. Ele sabe. E de amor, amor mesmo, eu não sei falar. Eu digo que foi amor, a gente acha que foi amor. Mas o que é o amor? O amor foi ter querido fazer cafuné enquanto ele dormia? Foi ter ligado às três da madrugada pra falar barbaridades adequadas para o horário? Foi o que eu sentia quando ele perguntava por que eu era tão longe? É. Acho que amor são esses detalhezinhos e aparentemente insignificantes que a gente não esquece. Quero dizer, que eu não esqueço. E me proíbo de esquecer, saiba você ou quem quer que seja. Chame das maiores incoerências, ou coerências, tudo o que digo que senti, mas senti. Pobre de quem não sente nem de perto, pobre de quem acha que sente, pobre de quem engana o que sente, pobre de quem não quer sentir o que sente, pobre de quem não liga pro que o outro sente. Pobre eu não sou. Eu senti. Senti o que não presta, o que presta, o descartável, o quase insubstituível.  Por ele, senti e sinto saudade. Saudade daquilo que ainda não encontrei, daquilo que faz eu mentir para as minhas razões, paixões e exatidões que de tão inexatas me fazem perder o senso, o juízo, o equilíbrio, a veracidade de tudo o que eu admiro e admirei. Mas não me importo porque enquanto eu lembrar dele está tudo bem. Mesmo que nós não sejamos mais o que nunca fomos, mesmo que nós nos acompanhemos como bons amigos e apreciadores mútuos de uma sagacidade só presente no outro. Espero que este seja o meu papel. E, como diz a música, isso não é uma declaração. Isso aqui é um registro, uma causa a ser defendida por mim até o fim da vida. Porque eu gosto do que puxa, do que suga, do que detém uma dedicação imprudente e quase que indecifrável a alguém, a um querer, a um mistério, a uma mentira. Gosto do meu inexplicado gosto pelo inexplicável. Gosto de tentar explicar o que ele foi porque ele não se explica, não se vê e não se alcança. Não sinto mais vergonha ao expressar esses sentimentos persistentes. E me orgulho, do tamanho de um universo cheio de galáxias inexploradas, por tê-lo conhecido. Me orgulho por ter me apaixonado e, pra isso, não ter precisado tocá-lo com o dedão do pé ou ter visto qual a cor dos olhos dele ao sol.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Li enquanto estava numa sala de espera e lembrei de você.

As Moléculas. O amor.


Sempre soube que não duraria muito tempo. De fato, durou bem pouco. Mas a verdade é que o tempo do amor não é o mesmo tempo da vida. Este se mede em minutos, dias, anos; e aquele se conta em batidas cardíacas. E neste rápido tempo que passamos juntos, meu coração bateu tão forte e tão ligeiro, que sinto como se te amasse antes de te conhecer... Antes mesmo de começar a rodar o cronômetro da vida... Como se nosso amor fosse (e é) uma invenção de outra era, de outra vida. Como se o nosso sentimento fosse mais do que um simples afeto, porém a energia cósmica que mantinha as estrelas no céu...

O teu toque em mim era o imã que ativava a conexão invisível entre a transcendência e o universo; e entre o artista e sua obra. E nós – eu e tu – éramos o passo do bailarino, a palavra do escritor e a explosão de uma supernova a anos-luz de distância.

Mas no nosso último enlace, enquanto estávamos unidos em lágrimas acesas, minha essência se dissipou pelos teus braços e minha alma se dissolveu em moléculas, para vagar a esmo por entre os prédios desta cidade ou no vazio da galáxia, buscando novamente uma força que as una derradeiramente em um só corpo.

E tudo que tenho. Tudo que tu tiveste. Todos os objetos que existem no cosmo perderam a razão de ser na tua ausência e tendem a despencar do infinito, rasgando o céu como estrelas cadentes. E só então entendo para onde vão as alianças de um amor perdido e em que dimensão estão as cartas de amor de uma paixão que não existe mais. E, em brasa, descubro como destruir a memória da dança que as estrelas faziam no céu toda vez que tu seguravas a minha mão.

E imagino os livros que te dei, as roupas, as joias e as minhas esperanças derrotadas explodindo em faíscas coloridas e brilhando nos céus das noites mais escuras; nossa paixão falida, sendo estrelas mortas, mas fazendo sonhar os novos amantes.

E nesta queda, eu te chamo. E sei que tu me ouves... Porque a minha voz é a voz de tudo. É a voz da tua solidão. É a voz do infinito.

Que os meus objetos signifiquem por mim...
Que tu nunca me esqueças...
Que os pássaros sejam a música que guia teus passos de ballet e o universo vazio seja a inspiração para eu continuar escrevendo nessa vida...
Que as estrelas parem de despencar... E que meus dedos dilacerem o tempo e, numa outra dimensão, minhas moléculas consigam se unir novamente.
Que minha alma te acompanhe na tua dança... E tua voz sussurre as belas frases dos meus textos...

E que eu continue te amando de longe... Até o dia em que uma chuva de meteoros faça brilhar em ti novamente a estrela repetida de uma paixão que já morreu há tempos.
* Saulo Sisnando é escritor.

Viajante

Tempo, era isso pra ser? Eram estes pra estar? Por que tu te calas? Meus sinais o universo não manda, e tu, o que fazes? Só fazes passar. Está passando agora e trazendo contigo, na mesma viagem, um cheirinho de passado. Que injusto tu és! Por que tu me atiças com as tuas bagagens, com as minhas bagagens que tu brincas de levar pra um lado e pro outro? Tu te aproveitas que essas tais lembranças não são frágeis e as trasporta, e me enlouquece. Queria eu poder entrar nessa mala e ir junto. Por que não? Tempo, tu que és um dos deuses mais poderosos, o que te custa me levar? Eu posso desintegrar  e se chegar lá meio torta, meio descompensada, meio do lado errado, não vou me importar, talvez eu me endireite. Eu quero ir só olhar, não sejas tão cruel. Deixa eu ver de longe o que eu nunca vi, deixa eu olhar de perto o que tu só prometeste e não cumpriu. Tuas bagagens, minhas bagagens, essas lembranças serão mais leves. Por que não me deixas ir nessas tuas viagens, nesses teus retrocessos? Sabe, eu cansei das promessas que todos fazem em teu nome, não quero mais esperar até o dia em que tu resolvas me mandar alguém pra ajudar a carregar tanto peso, tanto pretérito. E nem ouso me iludir que tu pararás de viajar. Não vais parar de viajar através de ti mesmo, não é? Aliás, me diga o que tu és? Uma matrioska? Um túnel envolto a outro e outro e outro? Às vezes sinto que sou eu quem te percorre, noutras te sinto dando voltas e voltas dentro de mim, como agora. Te sinto indeciso, viajando em ti pra trás e pra frente, encarrilado em trilhos que se embaralham dentro de mim, dando um nó quando chegam no coração. Como pode um trilho dar um nó, Sr. Tempo? Como podes me deixar apegada a esses teus vagões que carregam esses caixotes lotados das tuas bagagens, minhas bagagens, lembranças. Quem te governa?