... Subentenda-me: fevereiro 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Borrão

Eu queria sentir qualquer coisinha, sabe? Qualquer raivinha que fosse. Qualquer. Não sinto. Até me esforço bastante, principalmente quando tenho que, inevitavelmente, falar das coisas que eu sei, que eu aprendi, que eu vivi. É preciso falar, de vez em quando, o que foi aquilo só pra não esquecer. E é, talvez eu não esqueça mesmo. Mas agora é tudo tão teórico, me afastei tanto da verdade, do que foi, do que eu queria que tivesse sido. Agora eu vejo tudo sem uma base experimental, base essa que nem mesmo existiu além de simplesmente ter feito parte das minhas expectativas. Pois é. É preciso definir tanta coisa agora, tanta. Mas e aí? Eu esqueço? Não, eu não esqueço. Não esqueço e também não sinto. Do que adianta lembrar e não sentir? Não sentir saudade, não sentir vontade de saber do gosto, do cheiro, do sorriso de perto. Simplesmente lembrar? Assim, vagamente. Com um rosto distorcido pelo tempo, pelas feiuras que nunca foram minhas. Embaçar uma alma, uma pele branca vestida de preto. Sei lá. No momento eu me sinto verdadeiramente motivada a escrever a respeito mais como um esclarecimento pessoal. O que eu senti? O que eu vou sentir daqui pra frente, por qualquer outra pessoa? A gente sempre acaba se tornando a precaução do erro que pretendemos não mais cometer? Pensei muito, percebi que preciso, antes de tudo, saber medir a proporção certa pra colocar a minha intensidade nos potinhos que me aparecerem considerando o tamanho deles. Uma vez era muita intensidade pra um potinho muito pequeno. Depois foi um potinho muito grande pra pouca intensidade. E agora? Tenho que escolher bem meus potinhos, é o que me resta. Não sei como vai ser, não sei como foi, como teria sido. Amor? Quanta imprecisão. Nunca senti. Era um querer mimado, insatisfeito, necessário. E agora o que eu quero? Nada. O borrão do meu sonho já é mais do que suficiente pra eu entender tudo e tudo e tudo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O querer implícito na subconsciência dos meus versinhos ínfimos

Escolher um presente bonito,
Ler meu livro do Chico.
A minha letra torta escrevendo carta para quem se importa.
O meu solitário na mão esquerda, e na direita...
Ver o sorriso de canto, o cabelo pra trás,
Beijo na testa, saber como se faz...
As geometrias planas, as espaciais,
As mãos dadas, os casais.
Casamento de quintal.
Te dizer: "Que isso, amor, não faz mal".
Deitar em colos, falar aos tolos,
Gritar pro mundo os seus enrolos.
O melhor do melhor,
O pior do seu pior.
As escadas eternas,
As carências maternas.
As roupas no varal,
Aprender a história geral.
Conhecer os rios, os frios.
Ignorar os extravios.
A vida da vida da vida.
Da passada, da presente, da bebida.
Falar do meu estranho apreço,
Abraçar o cheiro do moço que eu não conheço.
Escrever na capa do livro,
Encontrar o meu conciso.
E só querer que o amor acabe
Se depois, por um milagre,
Ele volte a se deitar.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Os primeiros sinais de desistência

Eu tenho medo é de não ser feliz, de colocar toda a minha intensidade, toda a minha paixão em algo que não me complete, que não me faça deitar com tranquilidade e pensar que fiz o melhor de mim durante o dia porque era o que eu realmente queria fazer ou nasci pra fazer. Nasci pra fazer o quê? Nasci pra sentar em uma mesa e ler relatórios, processos e tentar resolver os problemas de Deus e o mundo esquecendo dos meus? Sim, porque eu não me sinto capaz de solucionar tudo enquanto eu continuo essa confusão, essa indecisão, frustração. Não me enxergo, não me acho, não me sinto em nada do que todo mundo tem me imposto. Tenho medo é de ter que trabalhar no que eu não gosto, viver uma realidade incômoda só pra conseguir suprir todos os meus luxos, os vestidos, os sapatos e os quadros caríssimos que eu quero pendurar na minha sala. Se for pra comprar com dinheiro triste toda a alegria que eu julgo necessária pra pendurar nas minhas paredes, guardar nos meus armários, eu recuso. Recuso cada acréscimo de conhecimento inútil, cada fórmula que sirva de portal pra um lugar que eu não sei se quero pertencer. Eu não sei ser eficiente pro que não vai me fazer feliz. Eu não sei se quero ver a minha vitória estampada na cara de todo mundo que me quer bem como sendo apenas a alegria pra quem eu amo e não a minha. É pra me querer bem, e se não for assim, e se eu não estiver? Eu sentiria vergonha de me sujeitar a outros muitos dias de realidades fartas de ciclos intermináveis, de rotinas exaustivas e sem nada lucrativo no fim do dia. O meu contracheque? É lucro? Pra mim é só dinheiro, dinheiro a gente consegue em qualquer esquina topando qualquer coisa. É, eu não julgo. Te faz feliz? Faça! Sinta orgulho de tudo que é seu se for fruto do que te faz sentir o mínimo de satisfação, o mínimo de conforto por você ser quem você quer ser. Eu não sei o que eu quero, eu sei o que eu sou. Sim, sem definição, só sou. Posso ser descanso para pés ou mesinha de canto que sirva pra colocar aquele único vaso que dá um colorido na sala. Posso ser qualquer coisa desde que me faça sentir útil pra mim. Depois, pro mundo, fica mais fácil. Mas e agora? É, que seja. Que sejam os meus medos em não ser nada, que seja a minha luta diária contra tudo o que não vai me deixar livre e se comporta como todo o necessário. Continuar a alimentar o sonho de todo mundo menos o meu. Se não for por uma satisfação pessoal que seja pela satisfação de quem me ama. Se for, se for. O que vai ser? O que não vai ser? Só vou descobrir no meio do caminho mesmo.