Parei.
Finalizei.
Ressignifiquei.
Sinto que finalmente estou me deixando modificar. Bem que alguém me disse: não vais ser quem tu és hoje!
Não vou.
E sinto a transformação acontecer em cada pêlo meu que arrepia quando eu expando a minha capacidade de compreensão.
Compreender a mim mesma. Entender que não fui feita de exageros, apesar de tanta vontade de tanta coisa.
Conhecer o equilíbrio tem sido mágico. Muita coisa tem sido mágica.
Cada encontro, cada gente que chega, cada palavra que diz o que eu precisava ouvir sem que eu esboçasse a mínima requisição de um conselho.
Eu aprendi o que é isso: sincronicidade!
Cheguei no meu momento de despertar pra tudo o que eu sou, pra tudo o que eu acredito. Momento de perceber que o caminho que me leva até o verdadeiro autorreconhecimento não é mais uma miragem. Esse caminho existe. Eu estou nele.
É uma estradinha de terra batida, com um ensaio de pôr do sol que não se põe. Fica alí no meio do céu porque a cor que faz é a minha preferida no mundo. E como é acolhedor estar nesse caminho, respirar esse ar, apreciar essa luz.
É Deus, é energia, é amor.
Amor que eu tanto quis e quero. Pra achar foi só dar ouvidos ao que eles sempre disseram: TÁ AÍ DENTRO.
É verdade. Sempre esteve.
Meu amor tem sido tão grande... É lindo me dar conta disso e... sintonizar.
Sintonizei em mim.
Tenho me esforçado pra aprender com tudo. Com a perda, com os afastamentos necessários e extremamente pontuais.
Estou aprendendo com as quedas, com os acidentes de carro, com as pessoas que talvez não gostem de mim tanto assim mas me fazem buscar pela paciência - ainda em evolução - pra lidar com elas.
É tempo de uma nova era. É sobre a carta "the garden and the gate", é sobre os recados que o universo tem me dado.
Nada mais me dói.
Juro que sinto que todos os acontecimentos se deram exatamente na hora certa, no dia certo. Afinal, era essa a mensagem que tinha que chegar, ser recebida e entendida: o melhor lugar do mundo é aqui e agora. Como essa canção que surgiu do nada na minha cabeça como um mantra ao passo que eu estava me dando conta de tudo.
O melhor lugar do mundo estava sendo o melhor lugar do mundo mesmo em meio à frustrações, desilusões e despedidas. Era aqui comigo.
É, o melhor lugar do mundo sou eu.
Um capítulo se encerrou e o início dessa nova fase de história só tem uma personagem principal.
Cedi muito espaço, por muito tempo, pra outra gente protagonizar a minha vida. E agora que tudo se clarificou me sinto exuberante tomando conta de toda a vontade, de todo o domínio, de toda a perspectiva boa de uma coisa que é só minha.
Aquele medo da solidão tem se dissipado, e a consciência da oscilação me tranquiliza porque sei que se vier, não faz mais morada.
A solidão pode existir sem que eu sinta medo porque agora sinto, enfim, a doçura da noção de que aqui dentro é confortável e prazeroso estar.
É espiritual, é astral, é vibração.
Tá na música que eu ouço, tá no vento que bate naquela nova casa que tem me acolhido e faz chegar o melhor cheiro de jasmin do mundo.
Tá naquele fim de tarde em que o céu estava laranjado, eu respirei fundo e vi que a vida vai ser linda e tem sido. E nada do que foi, foi em vão.
Aquele encontro no cinema alternativo da cidade não foi em vão. Aquela despedida cretina no meio da sala em frente a um aquário novo também não foi.
Tudo fez sen.ti.do.
As consecutivas finalizações, o amor que eu forcei por existir, a última mensagem.
Nada disso teve a capacidade de me tornar tão eu quanto a percepção de que isso não foi nada perto dessa escolha maravilhosa de me encontrar.
Meu novo rumo vem forçando a mudança de posição de móveis, de ponderações, de sorrisos.
Meu novo rumo está na paz do meu investimento pessoal nos encontros, na beleza dos dias cheios de quem aceita estar sem consumir, contribuindo para um autoconhecimento tão preciso que eu sempre quis e finalmente tenho vivido.
Nem trauma familiar, nem insegurança de menina, nem antiga falta de fé no mundo e mim, nada mais desvia desse novo olhar que FINALMENTE tem me aproximado do geladinho que sinto no coração, já tão narrado por mim durante toda uma adolescência.
Esse geladinho agora surge do meu movimento de rotação. A cada passeio que tenho de dar em volta de mim mesma.
Quando giro em torno do meu próprio eixo, o coração arde e refresca e acalma.
A solução sempre esteve por perto, mas sempre pareceu mais fácil procurar em outro lugar. Não é!
Não estava em nenhum abraço mais alto e mais forte, nem mesmo diante dos cílios mais longos do mundo.
Estava (está) no meio da minha casa-coração até então tão bagunçada e desleixada, que agora se organiza.
Estava (está) no reparar do furinho do meu sorriso, na minha pele macia, nos meus dentes certinhos, na minha capacidade linda de fazer todo mundo chorar de rir.
Tem estado nas noites simples, na conversa sincera comigo mesma. Está em tudo o que já conquistei.
A felicidade da simplicidade de olhar em volta e não sentir nenhuma falta é engrandecedora. Como ontem quando chorei de emoção por simplesmente me dar conta de que não tenho nada a reclamar, nem a pedir, nem a reivindicar.
Tudo tem dialogado com a minha gratidão. Gratidão pelo o que tenho, pelo o que terei. E não quero nada além do que mereço, como diz a Zélia Duncan numa composição cheia da alma e da luz que carrego comigo:
Eu só quero o que mereço
Nem um mar a mais, nem uma gota a menos
Nem um grão a mais, nem um deserto a menos
Eu só quero o que mereço
Nem um dia a mais, nem um segundo a menos
Nem um choro a mais, nem um sorriso a menos
Nem qualquer palavra, nem um sentimento
Nem olhar pra tás, nem arrependimento
E esperei tanto tempo por essa sensação de pertencimento próprio que agora o meu medo de me perder é bem maior do que o medo de perder qualquer outra coisa.
Só quero continuar me vendo com a delicadeza que sempre quis.
"Tu não te enxerga com os olhos certos", aquele moço bonito disse uma vez. Agora eu enxergo.
Aqui dentro é lindo. É lindo com os desajustes, com os desencaixes, com as instabilidades.
É uma casinha em processo de reforma, mas já tem um jardim muito verde e cheio de flores que têm florescido com muita cor. Tem cheirinho de incenso de lavanda e alecrim. Tem cama grande e cobertor macio. Tem beijinho antes de dormir e logo ao acordar.
Aqui dentro é lindo e aconchegante.
Sim, finalmente posso dizer: eu sou meu próprio lar.
E é a partir desse olhar atento pra não ceder por dentro que eu recomeço numa composição cheia das referências que são tão minhas e eu já cheguei a achar que não as tinha...
Com o meu peito mais aberto que o mar da Bahia, eu olho em volta pras voltas que o mundo dá, sabendo sempre que a dor e a alegria estão no mesmo lugar, sem me perder porque eu já perdi demais meu tempo encarando o próprio espelho e agora eu só quero
Equilibrar...
E antes que eu esqueça:
Sinto muito
Me perdoe
Eu te amo
Sou grata
A esse novo amor: obrigada!!! Nossa história vai ser incrível e está só começando.