... Subentenda-me: janeiro 2020

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

JoutJout, como sempre, sábia

Eu nunca levei muita fé quando um certo amigo falava que eu me mostro diferente do que eu sou por dentro.

Lá pras bandas de 2011 foi a primeira vez que eu comecei a me questionar sobre mim. Claro, eu fiz isso muito errado durante muito tempo. E às vezes ainda faço. Mas o que esse amigo quer dizer, agora mais recentemente, sobre eu não me mostrar do jeito que eu realmente sou, é no sentindo de que eu sou o máximo mas me preocupo demais com coisas de menos.

Então, no presente momento, depois de assistir um vídeo muito massa da jout jout, eu percebi o quanto que eu não me mostrar do jeito que eu realmente sou tá relacionado com uma série de coisas que me são impostas, e que são impostas pra todo mundo, desde sempre. E daí decorrem também várias fragilidades, e medos, e inseguranças que afetam diretamente a minha autoestima.

Eu, por dentro, de fato, sou guiada por muitos valores e ideias e percepções que o meu exterior, muito frequentemente, direciona pra demonstração de uma personalidade que não é essencialmente a que eu tenho e me identifico.

E por que tudo isso? E por que eu não me expresso, me coloco ou me manifesto primeiramente de acordo com o que eu definitivamente sou?

Simples, bem simples.

É que eu estive por muito tempo inserida no contexto das imposições. No contexto da perfeição do cabelo liso, do corpo perfeito, do rosto mais bonito.

E daí começa então todo o ciclo de problematizações que também me imergiu num mar de insatisfações comigo mesma. Me cegou e me fez não me enxergar da maneira como eu realmente sou. Fez com o que essa profundidade buscada e exercitada todas as vezes que eu converso com quem consegue extrair isso de mim fosse meio que reprimida porque a frequência maior e a exigência maior era de adequação.

Bem, me danificou essa valorização exagerada em me sentir pertencente, ou pelo menos próxima a um padrão. E não, eu ainda não consigo me retirar por completo dessa atmosfera porque é uma vida tendo isso como modelo.

Mas chegar a conclusão de que esse meu comportamento e essa minha necessidade de aceitação
deriva das pessoas com quem eu me relaciono, das coisas que essas pessoas valorizam, da forma como elas fizeram eu me enxergar a partir de comentários pequenos que remetiam a uma inadequação é muito muito muito importante.

Eu não conseguiria mudar a forma como eu me vejo sem antes mudar a forma como eu vejo a interferência dessas pessoas, opiniões e padrões sobre a minha vida.

E então que agora, ampliando mais a minha visão sobre tudo isso, e me oportunizando conhecer gente que agrega uma nova perspectiva mais semelhante a essa, tá sendo o máximo!

Tá sendo o máximo mesmo me desatrelar e descarregar tanto peso desnecessário.

Tem gente que muda! E quando a JoutJout falou que pra ela é muito simples conseguir equilibrar a autoestima porque ela convive com pessoas que não conversam sobre a beleza exterior mas sim sobre coisas que acrescentam, ou shows, ou experiências de vida ou etc eu me lembro das recentes interações que tenho tido, das amizades que tenho feito e têm me agregado justamente nesse sentido e então, meu Deus do céu, como eu agradeço!

Tá me mudando demais olhar pras pessoas da mesma forma como eu quero ser olhada. Eu nunca fui superficial, mas me deixei me levar muitas vezes por um padrão que só existe pra atormentar todo mundo. E enxergar pessoas apenas como quem está inserido ou não nesse padrão foi um erro que eu cometi pra caramba na tentativa de me visualizar dentro ou fora também.

A forma como eu me vejo que tem tudo a ver com a forma que eu vejo as pessoas. E ver as pessoas com delicadeza me faz olhar assim pra mim também e essa é uma coisa que me pertence, sempre pertenceu.

Olhando pra dentro de mim e pra quem eu sou de verdade, eu vejo que é isso que esse amigo quis me dizer. Eu tenho que me mostrar e perder o medo de tentar estar inserida num padrão.

Eu tenho que me expressar, me portar, me comportar como eu realmente sou. Independente da influência da opinião das pessoas sobre mim.

E daí eu me encontro, então, comigo.

E eu digo, meu deus do céu, menina, como tu é linda! Pra quê tanto esforço?

Eu sou sensacional mesmo, sem contar com a minha aparência, eu sou foda pra caramba. E alguém já conheceu alguém foda pra caramba que não seja lindo pra caramba? Impossível.

É essa beleza que importa mais . Eu consigo falar o que as pessoas precisam ouvir, eu consigo me inserir num papo cabeça que faz a gente transitar por umas discussões tão válidas e agregadoras, eu movimento todo o meu contexto, onde eu estiver, pra desenvolver umas reflexões incríveis! 

Quero mais disso. Quero mais de mim! 
 
Até que enfim essa chave virou.