sexta-feira, 29 de abril de 2011
Centro-oeste
O meu medo está em não viver.
O meu medo está em não poder ficar grudada, deitada
Morta em cima do seu peito
Bem naquele dia de chuva branda
Que cai lá fora, mas está bem chovendo dentro da gente.
E eu estaria morta em cima do seu coração pulsante
Por não existir mais vida além dalí.
Além do peito pálido, magro,
E dessas mãos tão bonitas que eu sonho que me toquem.
De morrer só sei que morro mais, porque não vivo
Não deito, não ouço.
Tampouco espero carinhos na madrugada fria de nós dois.
E vivo sem viver
E vivo com você aqui, mas tão lá
E mais lá sem mim.
E você sorri esse sorriso tão manso, que acalma.
Coisa de quando o dia está quase pra acabar e a gente se eterniza alí.
E eu o espero além do fim.
Se acabar amanhã e eu continuar esperando,
Estarei viva, mesmo não estando.
Eu morro contigo, meu bem.
Dessas coisas tão lindas que dizes,
Desses planos tão lindos que fazes
Desses olhos que, de tão longe, penetram, invadem,
E chegam perto.
Mais perto do que quando estou perto de outros olhos quaisquer.
Se você me espera, querido, eu digo:
Estou chegando devagar.
Ando para o sul, você para o norte
Lá pelo centro-oeste a gente se encontra.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Deixa ser
Meu marinheiro francês
Camera Obscura - French Navy
Spent a week in a dusty library
Waiting for some words to jump at me
We met by a trick of fate
French navy my sailor mate
We met by the moon on a silvery lake
You came my way
Said, I want you to stay
You and your dietary restrictions
Said you loved me with a lot of convention
I was waiting to be struck by lightning
Waiting for somebody exciting
Like you
Oh, the thing that you do
You make me go uuuh
With the things that you do (you do, you do)
I wanted to control it
But love, I couldn't hold it
I wanted to control it
But love, I couldn't hold it
I'll be criticized for lending out my eye
I was criticized for letting you break my heart
Why would a stand disappoint unless
Fooling all but I'm more than dead love
uuuh with the looks
Oh tender boy,
Ooh, with the looks, the looks, the looks
I wanted to control it
But love, I couldn't hold it
I wanted to control it
But love, I couldn't hold it
Relationships were something I used to do
Convince me they are better for me and you
We met by a trick of fate
French navy, my sailor
I wanted to control it
But love, I couldn't hold it
I wanted to control it
But love, I couldn't hold
quarta-feira, 27 de abril de 2011
São os hormônios, querida.
Em resposta
terça-feira, 26 de abril de 2011
Lista: coisas a fazer antes de morrer.
Não vivi nem a metade do que eu gostaria de ter vivido, e acredito que isso cabe ao tempo resolver (se eu não morrer antes). O tempo e as ideias malucas que eu tenho colecionado a fim de fazer minha vida ser lindamente utilizada até o fim.
Bem, nada mais justo do que começar explicando os meus motivos pra pensar em fazer essa lista. Organizar uma coletânea de coisas a fazer antes de morrer exige uma certa responsabilidade e certo embasamento. Não é o tipo de coisa que se pensa tão cedo, mas graças as minhas irrelevantes constatações sobre a vida, algo me acendeu a pensar sobre. E ignorando qualquer irrelevância, devo começar, por assim dizer, "relevando", admitindo que pensei e pronto. Assim vou revelando que da vida eu não espero mais nada a não ser poder ser feliz e essa lista que ainda estou elaborando é bem resumidamente sobre isso!
Sobre a vida a gente já sabe demais, sem querer, sem procurar saber, pois, feliz ou infelizmente, nos é dada a infelicidade de não escolher ter nascido, e assim temos que arcar com todas as consequências. Ou seja, de que me custa começar a pensar desde logo no que quero fazer dela?
Já tenho a consciência de que posso morrer amanhã, depois, ou semana que vem. E como a morte é uma coisa ligeira e obscuramente improvável, até o dia em que se morre, me autorizo a começar a colocar em prática todo o meu plano de viver intensamente.
Pois bem, após enfim ter ressaltado os motivos que me levam a listar minhas ambições antes da morte, digo à mim mesma que será estritamente proibido o não cumprimento ou a não tentativa de executar as minhas próprias regras.
Meu primeiro, magnífico, e absolutamente privilegiado objetivo de vida é uma coisa simples mas de extrema importância a todos os objetivos seguintes. E é, tcham tcham tcham, pular de bung jump!
Sim, por que não? Pular de bung jump. Ora ora ora, começando pela sutil ideia de que querer uma lista de coisas a serem feitas antes de morrer inclui necessariamente a perda dos meus medos para assim conseguir ter, pelo menos, a coragem (teórica) de fazer o resto, nada mais coerente do que começar ultrapassando um grande medo.
Medo de altura é um medo comum que eu confesso ter, e o que o faz reluzir como primeiro, magnífico e absolutamente privilegiado é simplesmente porque penso em estabelecer um ponto alto, literalmente, pra ativar minha coragem e, assim, me obrigar a perder outros medos.
Medos são sempre medos, penso então que talvez ultrapassando um grande medo a liga fica fraca e se a coragem veio para um, virá para todos os outros. Ou de repente, caso dê errado e pulo seja mal sucedido, já finaliza tudo e eu me desobrigo de ter que superar qualquer outra coisa. É um plano magnífico. E macabro, reconheço.
De todo modo, é claro que estou brincando. Ainda que essa ideia tenha me aparecido pra me tornar atribuir uma personalidade destemida e radical, não tenho porque me enganar. É arriscado e fatal. Esquece!
Vamos a uma segunda primeira opção?
De verdade, da vida o que eu quero mais é ter coragem, sem precisar temer meus medos! Sim, acredito que o medo ajuda a instigar um desejo superior sob um manto de proteção, tendo certo tom de benefício, exceto quando paralisa, obviamente. Talvez superar meus medos seja uma boa ideia, mas acredito que não seja seguro perdê-los por completo.
O medo pode enfraquecer, mas não significa que deva desaparecer. Talvez quem sabe amenizá-lo seja a melhor saída. Quase emudecê-lo. Quero é isso: ter coragem pra encarar meus medos e seguir, ainda que na companhia deles. Canalizá-los a uma boa causa.
Depois de dominar meus medos a meu favor, meu segundo objetivo, ou segundo item na lista de coisas a alcançar antes de morrer, é: gostar de alguém de uma forma menos louca!
Os meus relacionamentos até aqui tem sido baseados na inconstância, na ausência, em um olhar, em ilusões. Talvez eu esteja precisando de algo mais real. Sim REAL. Verdadeiro, eufórico, arrebatador, catastrófico (no bom sentido da coisa) e REAL. Que me tome a alma mais de perto, e aí talvez eu seja feliz. Até tenho receio de que o amor suma depois que eu arrumar algo mais normal, mas, de toda forma, eu vivo tão implantada na minha loucura que estou urgentemente sentindo a necessidade de correr esse risco por um amor menos dolorido, ainda que entediante.
Agora, como terceiro objetivo de vida antes da minha morte, preciso dizer que já não consigo elaborar. Sim, eu também esperava mais de mim, eu também imaginei que essa lista deveria ser inédita, com o mesmo impacto de quem se desafia a encarar aventuras pela mata atlântica, mergulho com tubarões, ou algo mais eufórico e interessante.
Mas não, me ocorreu agora apenas a conclusão de que eu não preciso de muito pra ser feliz. Talvez eu precise só de mais. Mais tempo, mais coragem, mais amor. Ou talvez, quem sabe, eu não precise de nada. Talvez eu seja feliz e não saiba. Talvez me falta é fazer tudo ao contrário do que planejo, não esperar nada. Administrar meus medos, encará-los. Viver meus amores malucos, amá-los.
Não sei. Só sei que comigo não combina uma aventura pela mata atlântica, um mergulho com tubarões, e pular de bung jump. E, no fim, esse texto aqui só foi um pretexto pra eu falar de amor, de medos e da minha vontade de ser feliz. Fiquei sem criatividade pra pensar mais a fundo no que quero fazer antes de morrer, então acho que é melhor focar no simples bem feito: quero viver!
Algo me diz que não tem erro se essa for minha única exigência.
Frustrações de logo cedo.
Imaginar pessoas, imaginar futuro, e pensar qual é a relação do passado com tudo isso
Não querer não ter vivido, só querer viver melhor.
Tudo me leva a crer que quanto mais idealizo, mais me perco.
E a sensação de estar perdida me causa vertigem.
Não gosto de não saber o que falar, não gosto de não saber o que pensar.
Muito menos dos sentimentos loucos que eu tenho medo que passem ou fiquem.
Querer achar a solução pra tudo é meu pior defeito.
Me atrapalha muito mais quando não sei o que acontece, a solução fica mais distante...
E distante é a palavra que eu menos gosto.
Queria ter o que dizer, motivos para dar e argumentos para contestar
O bom é quando sei o que se passa, aí sim fica fácil de me questionar sobre o que sinto.
Que sentimento é esse? Parece amor, mas amor não é assim. Confuso...
Ou é? É... talvez seja amor.
Mas amor pelo que? Isso me deixa com vontade de descobrir.
Porém também é o que me reprime, por medo de machucar-me.
E machucar-me não é tão ruim. Ruim é a dor da espera até que sare.
É meu medo. Mas nada justifica, estou perdida mesmo.
Perdida entre o que parece ser tudo, e o vazio de quando acordo e vejo que não é nada.
Um dia
De resto, o olhar cruzado entre eles se encarregaria. Um sorriso em seguida, uma conversa despretensiosa, um "oi". Aos poucos eles saberiam. Um dia é o que basta para que outros venham. Não é assim que é o que chamamos de vida? Pois é...