... Subentenda-me: abril 2010

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O amor é o prêmio para quem relaxa.

     “As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas - Norman Mailer”.

       Copiem. Decorem. Aprendam.

       Temos a mania de achar que amor é algo que se busca. Buscam o amor em bares, buscam o amor na internet, buscam o amor na parada de ônibus. Como num jogo de esconde-esconde, procuram pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas plateias dos teatros. Ele certamente está por ali, você quase pode sentir o seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível, pois só o amor constrói, só o amor salva, só o amor traz felicidade.

      Pois eu preciso dizer-lhes, meus caros, que, na verdade, o amor não é um medicamento que cura todos os seus males. Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproximará, e, caso o faça vai frustrar suas expectativas, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza. Ele não suporta a ideia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima.

      Você já deve ter ouvido muitas vezes alguém dizer: “quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu”. Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas.

     “As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas - Norman Mailer”.

       Divulguem. Repitam. Se convençam.

      O amor, ao contrário do que se pensa, não tem que vir antes de tudo: antes de estabilizar a carreira profissional, antes de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir do seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir diante de você sem máscaras e sem fantasia. É esta a condição. É pegar ou largar.

      Para quem acha que isso é chantagem, arrisco sair em defesa do amor: ser feliz é uma exigência razoável e não é tarefa tão complicada. Felizes aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é serenidade. Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipes encantados.

      O amor é o prêmio para quem relaxa.

    “As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas - Norman Mailer”.


Martha Medeiros

Tosse, febre, moleza e morte.

Eu não sabia que era preciso eu ficar doente do jeito que eu estou pra perceber que o meu desejo de liberdade é muito maior do que quando eu estou bem. Na verdade, funciona assim: quando eu não estou doente, sinto prazer em ficar em casa ouvindo músicas, conversando com amigos e namorado. Certamente que sinto vontade de sair, mas, me contento em ficar em casa, ouvindo músicas, conversando com amigos e namorado. Porém quando eu estou doente, assim como agora, me sinto totalmente inconformada de estar doente, causando uma revolta por não sair e ficar aqui, ouvindo músicas, conversando com amigos e namorado. Porque quando eu estou aqui, ouvindo músicas, conversando com... ah, enfim... quando estou aqui, saudável, eu faço essas coisas paralelamente, em momentos diferentes, debatendo assuntos diferentes, só com uma música de fundo. E quando eu me deparo com a minha fraqueza, percebo que eu deveria ter vivido bem mais do que isso. Não significa que eu estou a beira da morte, o fato é que eu reflito mais. E enquanto eu posso ouvir músicas, conversar com amigos e namorado, simultaneamente, ficar aqui é realmente o fim. O fato é que o meu incômodo não gira em torno de uma gripezinha, o problema não é esse. O problema é meu instinto de indecisão. Eu sei que estou onde eu quero estar... aah... mas eu queria estar em tantos lugares além daqui, e agora... queria estar em todos os lugares que eu realmente quero estar ao mesmo, isso seria muito bom. Sabe aqueles momentos que você vive, aquele cheiro de certas situações que você sabe que um dia sentirá saudade de viver? Pois é. Esse meu desejo vem daí, da necessidade de sentir saudades de momentos bons. Sei que não vou viver muita coisa do que eu quero, do que eu sonho. Mas acho que o resumo dos meus problemas é dizer que eu simplesmente num fui feita pra monotonia, tédio, insipidez, fastio, invariabilidade e todos os outros sinônimos que essa palavra pode ter.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Eu não sei o que quero ser quando crescer.

Mãe, o que a senhora acha disso? É, eu não sei o que quero ser quando crescer. Ser feliz, só feliz, vale? Ah mãe, sabe o que é? A gente tenta, a gente vai atrás, a gente busca. Mas busca o quê? Busca a plenitude, o salário no fim do mês que vai servir pra pagar o salário de outras gentes? Isso é a plenitude? Ah mãe, eu não sei o que eu quero. A senhora sabe e sempre soube de mim, dessa minha indecisão, dessa minha inquietude. Sabe que sempre que estou aqui passo logo pra outro canto, porque o aqui já me cansou. A senhora me conhece, mãe. E se eu cansar, e se eu enjoar de fazer o que eu possívelmente vá decidir fazer? Eu pulo pra outro canto? E se não for tão fácil? Mãe, a senhora não sabe o quanto é difícil não me enxergar nem um pouco completa vendo tudo isso que essa gente importante e bem sucedida faz. O que me completa é tão simples, que de tão simples não existe. Às vezes eu penso em pedir uma grana pra senhora, armar uma quitandinha na feira e vender qualquer coisa. É mãe, eu acho que eu não nasci pra ter chefe. Já tenho a senhora por toda a vida, não quero chefe. Eu gosto da senhora, sabe? Mas é que, mãe, às vezes a senhora pega pesado. E quando pega eu me encolho, choro, ou te respondo, grito, esperneio feito a criança que no fundo sempre vou ser. Ai, e o que a senhora acha de eu virar hippie? É, eu posso me vestir de um jeito mais legal, mais colorido, mais psicodélico, e nem me importar tanto com o cabelo, já que a senhora reclama tanto. Posso viver por aí, de um jeito mais zen, ecoando mantras, espalhando "peace and love" e criticando o uso das armas de fogo. Ah mãe, eu gosto disso tudo que essa gente boa tá me oferecendo. Eu gosto de tudo que eles me ensinam, que me estimulam, e que, de uma forma geral, também querem que eu conquiste. Mas eles sabem tanto, mãe. Eu não sei nada perto deles, perto da senhora. Eu não sei nada, mãe. Eu só sei que eu agradeço por todos esses caras legais. Agradeço aos iluministas mais sãos. Agradeço ao Rousseau por ter dito: "O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe". Acho eles legais, mãe. Acho que faz sentido tudinho que eles disseram. Acho que a história toda faz sentido. E acho que quando se dispuseram a lutar contra o absolutismo eles tinham uma coisa na cabeça, um foco, um objetivo. Se sentiam completos pensando assim, agindo assim, lutando pela liberdade, pelos direitos, transformando o mundo e tentando fazer essas transformações durarem para sempre. Eu não sei, mãe. Eu não acho um foco, eu não faço sentido, eu não mudo o mundo, eu não sei como me libertar, eu só tô confusa. Eu sei que vocês, é, vocês "gente grande", vão dizer coisas do tipo: "Mas ah, todo mundo passa por isso, todo mundo, muitas vezes, se encontra no impasse de não saber o que quer". Eu entendo mãe, e até concordo com vocês. Mas acho que a sociedade me corrompeu. Não que ela tenha me deixado má, ou que tenha me influenciado a não querer nada da minha vida. Eu até quero, mãe. Quero ser muita coisa na vida. Só que não me preencho nesse meio, nessa multidão de gente que também quer muito da vida. Eu posso ser como o Rousseau um dia? Não mãe, eu não posso. Ele já morreu e COM CERTEZA não reencarnou em mim.