Eu quis simplicidade, sereno, tranquilidade, e você sempre foi tão diferente disso. Sempre foi a dificuldade, a distância, o tumulto, e eu gostava. Eu gostava de encontrar em você uma luz tão grande que me imobilizava, que eu amava. Eu adorava encontrar um sorriso gostoso, ou um "psiu psiu psiu, te amo". Era bom, eu queria de novo. Como quando a gente vai no parque de diversões, entra no brinquedo mais desafiador, que mais te causa medo, e no final acaba saindo de lá em êxtase, depois de ter se exaltado, sido feliz por alguns minutos. Quando acaba você quer ir de novo, e de novo, e de novo, mas no fundo você sabe que corre muitos riscos. Você pode cair, você pode ficar enjoado, ou simplesmente se cansar de dar as voltas buscando sempre a mesma sensação que sentiu da primeira vez, sensação essa que com o tempo vai se perdendo, mas você sabe que nunca vai esquecer como foi quando conheceu aquele brinquedo, desafiou aquele medo e foi feliz. É exatamente assim que eu me sinto. Eu busco loucamente encontrar aquela sensação do começo, aquele riso, aquele amor que eu sentia que existia. E depois de ter insistido tanto em repetir você, mesmo com todos os efeitos colaterais que me causa, só pra tentar ser feliz outra vez, eu não acho, eu desisto. E eu sinto saudade, e eu sinto vontade, e é como uma droga, vicia, mas não posso. Te quero longe de fato, não quero lembrar de tudo que me fez bem senão vem a recaída, e eu volto com a vontade de querer de novo e ir atrás, e tentar te ter pra mim. E nunca vai ser assim. Acho que tá na hora de experimentar outros brinquedos. É, algum vai ter que me causar interesse, vai ter que me intrigar, e eu vou brincar, e eu vou saber que vou correr os mesmos riscos, mas mesmo assim torcer pra ser mais ameno, mais calmo, menos conturbador e mais suportável pra mim, sem perder o tal êxtase necessário. Você também vai arrumar outros brinquedos, muitos, e espero que também sejam menos isso tudo que eu sou. Eu acho que hoje comecei a ter coragem pra me despedir do meu brinquedo preferido, que eu trocava todas as fichas só pra andar nele, só pra sentir dor de cabeça, enjoo, riscos, diversão e felicidade com ele. Ele já foi, você já foi. Mas eu nunca vou esquecer que foi meu brinquedo preferido, e que um dia, quem sabe, quando der, eu possa enfim estar mais preparada pra brincar sem enjoar, sem correr tantos riscos e ficar tão insegura com medo de cair.
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