sexta-feira, 8 de julho de 2011
Doce Novembro
Doce Novembro não é nem de longe o meu filme preferido, ou um dos que me façam ter uma análise profunda sobre o amor ou o comportamento das pessoas, ou talvez sim, não importa. Bem, eu tenho a humilde impressão de que essas ficções são criadas com o objetivo de nos fazer acreditar que tem gente que sofre mais do que a gente, e que tem gente que consegue fazer uma burrice maior do que qualquer pessoa viva em sã consciência é capaz de fazer, ou não. Enfim, o filme não é fofo, o filme não me fez chorar, o filme não me cativou. Olha que eu sou muito frouxa em relação a esses romances. Eu não tinha nenhuma expectativa em relação ao filme, porque infelizmente eu passei a não criar mais expectativas em relação a nada. A princípio, o filme me puxou e me fez ver àquela coisa fofinha que os filmes assim tem para transmitir. O romance, a casualidade. Certo, então eu me deparo com uma louca que faz de tudo pra agarrar o moço por um mês. Ela só quer um mês. Quem sou eu pra questionar o estilo de vida da personagem? Ela tinha como ambição um homem diferente por mês com o intuito de ajudá-lo. E então capturou um rapaz aparentemente fatigado pelas exigências do trabalho, e logo propôs que ele ficasse por um mês morando na casa dela pra ele se salvar de todo o tumulto da vida dele, coisa que nem ele mesmo era capaz de reconhecer. Estava cômodo pra ele viver daquele jeito, louco por trabalho. Ele recusou até o fim, e ela, como uma boa representante do gênero feminino, não desistiu do moço e só se cansou quando ele enfim aceitou. Pois bem, sabe o que ela fez? Ela ficou com ele, apresentou um mundo novo e libertador, fez ele enxergar a felicidade na simplicidade, o que eu acho de extrema sensibilidade e realmente muito bonitinho. Só que como previsto, ela fez ele se apaixonar por ela. A partir daí ela poderia muito bem ensinar todas as coisas necessárias pra ele ver a vida de um jeito mais humano, e depois cair fora, deixar que ele se virasse e colocasse em prática com outra pessoa os ensinamentos dela. Perfeito, olhe só a pretensão da moça, tudo articuladamente bem pensado, até que tcham tcham tcham, ela se apaixona por ele também. Óh, nossa, muito imprevisível. Essa vida danada sempre nos pregando peças né? Além de um milhão conflitos de pessoais, a moça tinha os seus segredos, que envolviam problemas estrondosos que ela fez questão de não compartilhar com o jovem rapaz. Enfim, acaba que ela tinha câncer. Resumindo tudo, eles não ficaram juntos, ela sumiu, e fez ele aceitar o fato de que ela tinha mesmo que ir embora pra não acabar com a lembrança boa que ele tinha dela, que se ele sustentasse toda a coisa boa que aconteceu entre eles dentro dele, ela conseguiria ter força pra ultrapassar qualquer obstáculo. Ok, minha conclusão sobre tudo isso é que nós mulheres somos, muitas vezes, tão impassíveis quanto os homens. Tá, eu sei, tudo sempre tem uma razão específica pra acontecer, e certamente ela estava regada de emoção na hora de decidir escolher o que fazer e que rumo tomar depois da confusão toda da história dela. Realmente, o filme é banhado de irrealidades, e então vem o paradoxo total: São irrealidades muito reais. Não que seja comum você encontrar alguém na prova teórica de trânsito, escolher essa pessoa pra ser seu tudo por um mês, esconder uma vida dela e depois sair e jogar tudo pro alto acreditando nas suas próprias impossibilidades e não se importando com a pessoa que fez ficar completamente apaixonada por você, mas em menores proporções, é exatamente assim que ocorre. Ninguém está fora da possibilidade de passar por qualquer situação desse tipo. Sim, a pessoa vai ter milhares de razões para não contar, para não dividir, mesmo isso sendo completamente desleal, acontece. Sim, não é impossível e tão pouco raro aparecer alguém a fim de sair daquela rotina monótona querendo uma companhia agradável. Não quero criticar a moça, e apesar de ter sido um tanto quanto egoísta da parte dela, é aceitável que ela não queira deteriorar tudo de bom que ela viveu com o moço. Mas também é o que me enche de questionamentos a respeito do que nós realmente queremos. Sim, homens e mulheres, o que nós queremos? São dos mais variados desejos que se remetem por aí, muitos querendo fidelidade, companhia pra solidão, diversão momentânea, mas o que realmente acontece é que é necessário um ser parte de um par. Sim, por mais que seja passageiro e superficial. E longe de qualquer tipo de preconceito, não é necessariamente um par aceitável pela sociedade, apenas um par. Por um momento, por algum tempo, ou por uma vida. Eu não tiro o direito de ninguém na hora de querer ser feliz, independente da forma que essa pessoa enxerga a felicidade, só acho injusto quando essa felicidade acaba sendo cruel com outra felicidade também. Eu queria sim um pouco mais de piedade pelas almas boas que se entregam inteiramente e acreditam em promessas, em sonhos e planos. Por isso eu acho que mesmo com toda a babaquice do filme, todo mundo tinha que agir como a moça. Sim, é, porque parando pra pensar, ela não fez promessas, ela apenas estabeleceu um tempo a fim de que o moço se recuperasse e se tornasse uma pessoa melhor. E tenho certeza de que me mesmo com todo o egoísmo praticado por ela, foi o que aconteceu. É, ela sabia que haveria a possibilidade de fazer ele se apaixonar e de se apaixonar também, mas ninguém consegue medir ou sequer prever as consequências disso. Ele sofreu por ter se envolvido, mas ele não sofreu por qualquer deslealdade da parte dela, mesmo tendo havido, apenas pelo fato de que ela não prometeu nada. Pelo menos imagino que isso não passe na cabeça dele, ou talvez passe, quem vai saber? Enfim, a vida, as pessoas, as mentes, os planos, as particularidades, são exatamente assim, particulares, pessoais, individuais. E mesmo envolvida num contexto, numa história, numa relação com um ou mais membros, nunca vai dar pra ignorar as necessidades, as opiniões dentro de cada um. Que é o que nos leva a errar com o outro, a magoar sem querer, a tomar decisões invasivas no sentido de não considerar a importância do sentimento alheio. Diante disto e da minha crítica sobre o filme, eu acho que as pessoas são tão irreais quanto os personagens da ficção, porque, por mais que gire em torno de uma verdade totalmente inventada, a inspiração sempre somos nós.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário