domingo, 2 de dezembro de 2012
O luto nos anos que seguem
A moda agora é ser sustentável, ser ecologicamente correto e etc. Além do parâmetro ambiental, que eu acho corretíssimo e necessário, por sinal, eu decidi aderir a outra sustentabilidade. O sustento emocional, o sustento pessoal, o sustento, apenas. Me manter firme, de pé, não fraquejar. Até dá vontade, quase sempre, de deitar em posição fetal. Aquilo de sempre. Mas e daí, não é? E daí que dói demais isso tudo? Se perder mesmo com um milhão de pessoas ao redor sabendo dar informação. E a vergonha de pedir? Não querer ouvir o certo que todo mundo sabe, inclusive eu. A dificuldade em lidar com a morte, as infinitas perguntas que muitos tentam mas não conseguem e nunca conseguirão responder com plena certeza. Morrer. Como conseguir preservar um equilíbrio próprio quando a vida consegue dar as respostas de tudo, menos a mais curiosa, a mais dolorosa. Se morrer dói eu não sei, mas dói ver anos enterrados em uma memória embaçada. Fechar os olhos e perceber que nenhuma lembrança vai ser real além daquilo que já foi. Perder sempre teve um significado ruim. Perder uma anotação querida que foi guardada com tanto carinho e por tanto tempo, perder um livro, perder um amor pros caminhos que às vezes são contrários. Pois é, mas nenhuma perda se compara a perda que ocorre todas as vezes que a linha tênue entre a vida e a morte se rompe. A falta dói e pra sempre vai doer, mas hoje eu sei que o amor fica. E fica a gratidão, e fica a saudade, e fica a imagem do sorriso, do "eu te amo" dito antes de entrar no carro, do cabelinho curto, dos pezinhos pequenos, das musiquinhas pra dormir. Em dias como esse, e como tantos outros também, o que resta é esperar um reencontro, pedir a proteção e o conforto pra aguentar essa ausência. 2013 será mais triste, como todos os anos serão depois desse que se passa, mas será em paz, será com a memória, será com os novos caminhos que estão sendo iniciados. Obrigada por tudo, fique com Deus, eu te amo eternamente.
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