quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Veja a sorte que eu tenho tido.
Não te quero correndo e me puxando pelo braço pra dizer o que tem que ser dito, te quero me olhando no olho e não dizendo mais nada. Te quero dormindo de bruços, te quero me pegando pela cintura e me roubando um beijo. Te quero com os olhos castanhos de costume e a barba mal feita. Te quero numa esquina que seja nossa, num banco que seja nosso, numa chuva que seja nossa. Não te quero com buquê, nem presentes. Te quero abrindo a porta pra eu entrar, te quero me fazendo cócegas, me obrigando a dizer que te amo enquanto eu tranco a boca e viro a cara dos seus apertos. Te quero só, te quero na cozinha fritando salsicha pra gente comer no jantar. Te quero o mais simples possível. Te quero num quarto branco com janela de madeira e uma cortina com flores amarelas. Te quero me abraçando por trás enquanto a gente pega vento. Te quero mordendo a minha orelha e bagunçando o meu cabelo. Te quero dançando na sala, cantando comigo. Eu quero te ver chegar, eu quero te buscar. Te quero o mais louco do mundo porque a sua loucura parece com a minha. E quero brigar com você, surrar você até eu não aguentar mais e me apoiar chorando no seu ombro. Quero fugir com você, quero colocar a cabeça pra fora da janela do carro e gritar bem alto qualquer coisa que só nós dois saibamos pra você rir e me puxar pra dentro. Te quero comigo cantando alto aquela nossa música do The Smiths. Te quero de tarde, de manhã, de madrugada. Te quero um monte mas não te quero nada. Não te quero mais como te quis e te querendo agora te quero menos. Te quero como sempre quis mas sempre quis e não soube te querer. Te quero hoje e amanhã quem sabe. Não te quero. Te querendo...
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