... Subentenda-me: Estou com muita dor de cabeça pra pensar num título.

domingo, 5 de maio de 2013

Estou com muita dor de cabeça pra pensar num título.

A estranheza, a dificuldade em permanecer em meio ao que todo mundo julga “normal”, e a minha fraqueza expressa em lágrimas libertas por consequência disso demonstram apenas o meu amor errado, o meu desalinho em amar direito, o meu desalinho em amar o que todo mundo acha correto e aceitável.

O meu amor não é assim e agora talvez eu deva me orgulhar por isso. A fraqueza se dá porque o meu amor é exigente demais, e teimoso demais. O meu amor é tão bobo e ingênuo que sempre cisma errado. Enxerga errado, ouve errado e fala errado. O meu amor parece ter saído de um circo. É um palhaço, que só me engata a trapezistas saltitantes e encantadores que me deixam apaixonada por todos aqueles saltos enquanto ignoro o fato de que um trapézio só não tem graça. 

Agora estou aqui, avaliando o meu amor e seus enganos. Seus tropeços, suas falhas, suas mais triviais confusões. Percebendo como ele age sempre como se estivesse a afirmar, teimoso, o contrário de uma obviedade qualquer. E quem discute diante de tanta impetuosidade? Ele sempre me ganha e convence, mesmo eu sabendoque está enganado.  

O meu amor não tem jeito manso e sonha em ser, ainda que afoito, só de alguém. Por isso tantos erros, tantas confusões. 

Alguém que não está nas baladas. Alguém que deve estar lendo, num quarto, aprendendo sobre qualquer coisa muito interessante pra falar a respeito comigo algum dia. Alguém que não me cause aversão por ser esnobe e prepotente com todo mundo. Alguém que não minta e não contribua para a criação de expectativas furadas em mim. Alguém que não olhe nos meus olhos como se parecesse sentir o mundo não sentindo nada. Alguém de verdade. Alguém que me diga que quer ficar não por não ter algo mais interessante pra fazer, mas porque adora o jeito que eu falo sem parar, mexendo com as mãos quando fico nervosa. Alguém que me mande uma música e sinta exatamente o que a letra quer dizer. Alguém que proponha um passeio inesperado, nem que seja pra ficarmos sentados, conversando e atirando pedrinhas num laguinho qualquer da Batista Campos. Alguém que goste de Chico, The Smiths e Los Hermanos (ou que não tenha preconceitos musicais). Alguém que saiba ou queira saber sobre os amores doentis do Hitler, e que me conte ou me deixe contar o que sei sem achar bizarro esse meu interesse incomum. Alguém que tenha responsabilidades, mas que abra mão de alguma tarefa dispensável pra jantar comigo e com a minha mãe. Alguém que goste de pubs. Alguém que me dê segurança suficiente pra assistir a um filme de terror. Alguém que me deixe fazer o que quero quando euquiser porque quero amar e ser livre também. Alguém que não seja um trapezista. Alguém que não me faça mais ter que sair procurando em todos os lugares que não me pertencem algo pra me confortar. Alguém que não faça as minhas fraquezas se revelarem. E, principalmente, alguém que não me faça chorar. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário