... Subentenda-me: A velha mania de fugir pra lá quando aqui fica ruim

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A velha mania de fugir pra lá quando aqui fica ruim

Às vezes é difícil. Às vezes não.
Às vezes qualquer letra de música romântica me faz lembrar, qualquer dia é um dia propício pra eu cavar lembranças, me fazer perguntas ou imaginar situações.

Às vezes... Bom... às vezes eu esqueço. Juro, às vezes eu esqueço completamente e tenho dias plenos, felizes, reais.

Internamente eu até acho graça por me dar conta disso, mas é chato perceber que mesmo tendo a maioria dos meus dias cheios da ausência que de fato existe, quando lembro me deparo instantaneamente com uma nuvenzinha cheia de melancolia e um sentimento inquietante, uma coisa que eu sinto sempre quando chego à conclusão de que tudo isso não tem razão pra ser, pra ainda existir.

É, não tem porque ainda existir, mas existe. E sobre essa existência já não faço nada. Não luto contra, não abafo, não reprimo, não escondo de mim mesma, não tento me enganar.

Acho que por ser tão recorrente já aprendi a lidar. Já notei que isso dura uns dois dias e depois passa. Depois eu reparo no sorriso de orelha a orelha que a vida me dá todo dia. E que sorriso.

Mas eu não posso deixar de pensar, nos dias em que a ausência é presente, sobre o que os anos fazem com a gente, sobre os sentimentos que parece que fizeram morada em um lugarzinho muito específico lá no fundo da gente. 

E não faço nada. Cuido. Alguém segue eternamente responsável pelo o que cativou. 

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