Se ele pudesse, não estaria "nem aí". Mas estaria aqui. Ou eu estaria lá.
Ah, se alguém pudesse.
Daí o peito não encheria de ar como se fosse explodir porque já estava cheio de tanta coisa. De tanto amor, de tanta ausência e saudade do que não se conhece.
E a cabeça não doeria de pensar na arrumação da casa, na escolha da posição dos móveis, na cama que ela tem a sorte de esquentar. E não eu.
E juro, aquela casa vazia estaria de bom tamanho, naquela sexta à noite, nós dois no chão congelante. Qualquer lugar estaria bom. Eu não seria exigente na hora de escolher onde te dar um cheiro ou um beijo. A nossa casa sempre foi esse espaço vazio que nos separa, então pouco importaria onde.
Ou quando, ou em qual estação. Pouco importaria o ano ou a nossa aparência. Se mês que vem ou daqui a oitenta anos, eu sei: te amaria igual.
Te sentiria igual e realizaria o sonho antigo de te dar um beijo no cangote, seja lá em que época, em que cidade ou em que mundo.
E se não for nessa vida também não me importa. Só me importa que você não esqueça: um pedaço do meu coração bate muito longe, e, eu juro, é a melhor parte dele. Vou dormir tentando acreditar que um pedaço do seu também se perdeu pelo tempo, no espaço e me encontrou.
Eu te amo. Não canse de jogar.
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