Sim, porque, antes de qualquer busca ou de estabelecer algum critério pro real objetivo do resto dos meus dias, preciso saber se em algum momento já tive um. Ou o plural, aqui, seria mais adequado? (Objetivos) Já tenho? Já comecei pra recomeçar? Ou se inicia agora a aventura de inaugurar qualquer coisa, qualquer caminho, qualquer vida?
Qualquer...
Bem, talvez seja esse o erro. Eu muito me utilizo dessa palavra...
"Qualquer lugar tá bom"
"Qualquer dia desses eu faço isso"
"Qualquer pessoa pode ser o amor da minha vida"
... E agora, além de representar hipóteses variadas sobre o que fazer ou ser, o "qualquer" significa, acima de tudo, o grande desconhecimento do que eu de fato quero pra mim. Assim concluo que a resposta é: não.
"Qualquer lugar tá bom"
"Qualquer dia desses eu faço isso"
"Qualquer pessoa pode ser o amor da minha vida"
... E agora, além de representar hipóteses variadas sobre o que fazer ou ser, o "qualquer" significa, acima de tudo, o grande desconhecimento do que eu de fato quero pra mim. Assim concluo que a resposta é: não.
Não tenho objetivos, nunca os tive efetivamente. Não comecei nada, sendo assim não posso usar o prefixo de repetição. É, eu não posso recomeçar o que nunca começou. E, sim, se inicia agora a aventura maior que é abandonar o "qualquer" e encontrar o que realmente deve ser, ou o que eu quero ser.
Para além das divagações gramaticais, preciso falar comigo mesma. Eu que tanto me orgulhei por escrever e considerar isso uma importante ferramenta para o meu processo de autoconhecimento, abandonei esse hábito. E, consequentemente, me desconheci.
Para além das divagações gramaticais, preciso falar comigo mesma. Eu que tanto me orgulhei por escrever e considerar isso uma importante ferramenta para o meu processo de autoconhecimento, abandonei esse hábito. E, consequentemente, me desconheci.
A escassez de objetivos talvez se deva a uma grande pausa no processo de "saber de mim". Hoje não sei, como nunca soube. Mas pior que não saber é ter desistido de descobrir.
Desisti de mim, sem perceber. Por um ano ou dois ou três, desisti de encontrar os íntimos questionamentos sobre o que eu, de fato, sou. Ter me perdido ao longo do caminho não me torna, necessariamente, avulsa do meu eu. Mas me torna, sim, menos entendedora de mim.
Desisti de mim, sem perceber. Por um ano ou dois ou três, desisti de encontrar os íntimos questionamentos sobre o que eu, de fato, sou. Ter me perdido ao longo do caminho não me torna, necessariamente, avulsa do meu eu. Mas me torna, sim, menos entendedora de mim.
Me afasta não dos meus princípios, mas sim dos meus sonhos. Sonhos que um dia já tive. Tímidos, distorcidos, aguardando o aprimoramento da minha relação comigo mesma pra desabrocharem. Abandonei a construção da definição dos meus sonhos. Deixei pela metade, fui embora sem tê-los. Não reguei e não colhi.
Hoje estou sentindo falta. Falta de um sonho, de uma razão. Porque o problema real, posso me dar conta agora, não é encontrar ou não as respostas, mas sim determinar as perguntas. Categorizá-las, colocá-las em ordem alfabética, com escalas, gráficos e fluxogramas que organizem a importância da busca para a solução de cada questão correspondente.
Um grande passo foi dado e devo me orgulhar: admitir que a ausência dos sonhos decorre da ausência de mim.
Hoje estou sentindo falta. Falta de um sonho, de uma razão. Porque o problema real, posso me dar conta agora, não é encontrar ou não as respostas, mas sim determinar as perguntas. Categorizá-las, colocá-las em ordem alfabética, com escalas, gráficos e fluxogramas que organizem a importância da busca para a solução de cada questão correspondente.
Um grande passo foi dado e devo me orgulhar: admitir que a ausência dos sonhos decorre da ausência de mim.
Não mais me procurei, por muito tempo negligenciei a minha própria evolução. Apesar disso, não vou ser cruel comigo mesma por ter mais de vinte anos sem ter mais de mil perguntas sem respostas. Não vou ser cruel por eu ainda não estar ligada num futuro blue. Serei, ao contrário, generosa comigo e com meu atraso. Até mesmo em respeito a má escolha que foi ir embora de mim.
Mereço uma segunda chance.
Sendo assim, antes das respostas me proponho e me disponho agora a, primeiramente, encontrar as perguntas. Aquele tal questionamento íntimo sobre o que sou, que me aproxime dos meus sonhos evaporados.
Sendo assim, antes das respostas me proponho e me disponho agora a, primeiramente, encontrar as perguntas. Aquele tal questionamento íntimo sobre o que sou, que me aproxime dos meus sonhos evaporados.
Buscar por isso escrevendo e me encontrando talvez seja um bom ponto de partida. Contudo, eu sei que muito provavelmente não vou encontrar os mesmos sonhos por ter perdido, há tempos, o fio daquela meada. E tudo bem. É querer demais encontrar tudo no mesmo lugar depois de abandonar o lar com as janelas abertas.
Não defini meus sonhos, lá atrás, porque me abandonei no meio do caminho. Subestimei a importância do descobrimento do meu eu. Com isso fiquei à deriva, não me impus metas, não enraizei perguntas, não comecei a buscar respostas.
Ter me largado pela metade não quer dizer que eu não pensei nos danos durante esse tempo todo. No fundo eu sabia que em algum momento o vazio tomaria conta de mim por inteira. E tomou.
Entender isso é o que me traz aqui, agora, no meu lugar de tantas linhas, pra tentar me achar de novo. Pra tentar, enfim, começar. Não posso considerar aquele esboço como um começo. De novo, me perdi do começo. Comecei sem começar. Não comecei.
Mas pra apertar o play, ainda perdida, ainda indefinida, eu preciso, antes de tudo, abandonar o "qualquer". Qualquer coisa não vale mais, qualquer amor não vale mais, qualquer satisfação não vale mais, qualquer prazer não vale mais.
Eu bem sei da dificuldade que é começar do zero. Sei que o conforto de me impor o "qualquer" internalizou em mim uma preguiça mal acostumada. Porque já que não sabia o que eu deveria querer, qualquer coisa estava bom. Agora não está.
Sabendo disso é que eu parto pra minha louca aventura de encontrar perguntas. E essa aventura, por si só, já representa um objetivo. Vou começar conversando comigo. Sessões diárias de conversas e mais conversas a fim de definir tudo o que eu preciso solucionar. Ou me perguntar.
Talvez com toda essa constatação eu tenha encontrado um sonho, sem querer, provando que o que me falta é diálogo comigo mesma.
O primeiro sonho (quem sabe o mais importante tendo em vista tudo o que foi aqui ressaltado) é saber o que sonhar. Eu sonho, portanto, em encontrar a minha fonte inesgotável de sonhos. Que não admite o "qualquer" e se constrói a partir das minhas perguntas.
Que perguntas, afinal?
Bem... acho que já tenho uma.
Que perguntas, afinal?
Bem... acho que já tenho uma.
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