Eu não sabia que era preciso eu ficar doente do jeito que eu estou pra perceber que o meu desejo de liberdade é muito maior do que quando eu estou bem. Na verdade, funciona assim: quando eu não estou doente, sinto prazer em ficar em casa ouvindo músicas, conversando com amigos e namorado. Certamente que sinto vontade de sair, mas, me contento em ficar em casa, ouvindo músicas, conversando com amigos e namorado. Porém quando eu estou doente, assim como agora, me sinto totalmente inconformada de estar doente, causando uma revolta por não sair e ficar aqui, ouvindo músicas, conversando com amigos e namorado. Porque quando eu estou aqui, ouvindo músicas, conversando com... ah, enfim... quando estou aqui, saudável, eu faço essas coisas paralelamente, em momentos diferentes, debatendo assuntos diferentes, só com uma música de fundo. E quando eu me deparo com a minha fraqueza, percebo que eu deveria ter vivido bem mais do que isso. Não significa que eu estou a beira da morte, o fato é que eu reflito mais. E enquanto eu posso ouvir músicas, conversar com amigos e namorado, simultaneamente, ficar aqui é realmente o fim. O fato é que o meu incômodo não gira em torno de uma gripezinha, o problema não é esse. O problema é meu instinto de indecisão. Eu sei que estou onde eu quero estar... aah... mas eu queria estar em tantos lugares além daqui, e agora... queria estar em todos os lugares que eu realmente quero estar ao mesmo, isso seria muito bom. Sabe aqueles momentos que você vive, aquele cheiro de certas situações que você sabe que um dia sentirá saudade de viver? Pois é. Esse meu desejo vem daí, da necessidade de sentir saudades de momentos bons. Sei que não vou viver muita coisa do que eu quero, do que eu sonho. Mas acho que o resumo dos meus problemas é dizer que eu simplesmente num fui feita pra monotonia, tédio, insipidez, fastio, invariabilidade e todos os outros sinônimos que essa palavra pode ter.
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