Eu tenho medo é de não ser feliz, de colocar toda a minha intensidade, toda a minha paixão em algo que não me complete, que não me faça deitar com tranquilidade e pensar que fiz o melhor de mim durante o dia porque era o que eu realmente queria fazer ou nasci pra fazer. Nasci pra fazer o quê? Nasci pra sentar em uma mesa e ler relatórios, processos e tentar resolver os problemas de Deus e o mundo esquecendo dos meus? Sim, porque eu não me sinto capaz de solucionar tudo enquanto eu continuo essa confusão, essa indecisão, frustração. Não me enxergo, não me acho, não me sinto em nada do que todo mundo tem me imposto. Tenho medo é de ter que trabalhar no que eu não gosto, viver uma realidade incômoda só pra conseguir suprir todos os meus luxos, os vestidos, os sapatos e os quadros caríssimos que eu quero pendurar na minha sala. Se for pra comprar com dinheiro triste toda a alegria que eu julgo necessária pra pendurar nas minhas paredes, guardar nos meus armários, eu recuso. Recuso cada acréscimo de conhecimento inútil, cada fórmula que sirva de portal pra um lugar que eu não sei se quero pertencer. Eu não sei ser eficiente pro que não vai me fazer feliz. Eu não sei se quero ver a minha vitória estampada na cara de todo mundo que me quer bem como sendo apenas a alegria pra quem eu amo e não a minha. É pra me querer bem, e se não for assim, e se eu não estiver? Eu sentiria vergonha de me sujeitar a outros muitos dias de realidades fartas de ciclos intermináveis, de rotinas exaustivas e sem nada lucrativo no fim do dia. O meu contracheque? É lucro? Pra mim é só dinheiro, dinheiro a gente consegue em qualquer esquina topando qualquer coisa. É, eu não julgo. Te faz feliz? Faça! Sinta orgulho de tudo que é seu se for fruto do que te faz sentir o mínimo de satisfação, o mínimo de conforto por você ser quem você quer ser. Eu não sei o que eu quero, eu sei o que eu sou. Sim, sem definição, só sou. Posso ser descanso para pés ou mesinha de canto que sirva pra colocar aquele único vaso que dá um colorido na sala. Posso ser qualquer coisa desde que me faça sentir útil pra mim. Depois, pro mundo, fica mais fácil. Mas e agora? É, que seja. Que sejam os meus medos em não ser nada, que seja a minha luta diária contra tudo o que não vai me deixar livre e se comporta como todo o necessário. Continuar a alimentar o sonho de todo mundo menos o meu. Se não for por uma satisfação pessoal que seja pela satisfação de quem me ama. Se for, se for. O que vai ser? O que não vai ser? Só vou descobrir no meio do caminho mesmo.
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