... Subentenda-me: Sonho sonhado pra ele

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sonho sonhado pra ele

Era uma casa grande, bonita. Lembro de me sentir bem porque era a casa de alguém que eu amo muito em segredo. Então eu subia as escadas com a intenção de observá-lo dormindo. Ao chegar no andar de cima me deparava com várias portas fechadas, e ficava nervosa porque eu não fazia ideia de qual seria a do quarto dele. Eu fui brechando uma por uma, com todo o cuidado do mundo. Quando cheguei na ultima percebi que estava apenas encostada. Empurrei. Ao entrar não vi cama, apenas um armário. Fiquei olhando para os detalhes, porque se fosse dele eu saberia, exatamente como eu sei tudo sobre ele, sem ele saber. Toquei nas roupas, nos livros e em uns cds que eu vi jogados pelo chão. Sim, só podia ser o quarto dele, era tudo o que ele gostava. Andei mais um pouco e encontrei a cama que eu tanto procurava. Vi alguém dormindo. Não, alguém não, "alguéns". De repente, que susto! John Lennon e Yoko Ono? Sim, os dois. Deitados e pelados - nem me surpreendi com a presença deles porque se tratando dele, John e Yoko só estavam me fazendo o favor de deixar tudo mais particular, mais a cara dele. Logo o astro do Rock falou comigo, e falou como se soubesse quem eu estava procurando. Eu não lembro o que ele disse, mas apontou pra algum lugar e eu sai de pressa. Eu não queria que o meu amor soubesse que eu estava ali, o plano era ver ele dormindo, só. Ele nunca poderia saber. Então desci, encontrei a família reunida numa cozinha. John e Yoko já estavam lá - ainda pelados. A mãe dele - ou quem imagino que ela seja - olhou pra mim como se me conhecesse e perguntou se eu o tinha visto. Eu disse que não, meio sem graça. E saí. Quando voltei em frente a escada vi que alguém estava descendo. Outro susto. Não era ele. E então esse tal alguém me cumprimentou, e foi em direção a cozinha. Eu só conseguia pensar no quanto precisava sair de lá. Corri até a porta, me sentindo como uma criança que faz travessura e só quer sair ilesa, sem levar nenhum esporro. Mas quem me daria esse tal esporro? Ele, claro. Que parece não gostar do apreço oculto e ao mesmo tempo expressivo em cada olhar que dirijo a ele. Diria pra eu sair de lá e que ele não gosta de mim e nunca vai gostar. Pensei tudo isso no sonho. Pois é, depois que consegui sair da casa eu me vi correndo e chorando numa calçada com árvores plantadas a cada dois metros de distância uma da outra. E enquanto eu corria ecoava na minha cabeça: "Ele não gosta de mim e nunca vai gostar. Ele não gosta de mim e nunca vai gostar". Depois encontrei a casa da minha avó. Eu tinha que passar por muitos obstáculos pra chegar onde eu queria. E, ainda chorando, encontrei um quarto vazio e me tranquei lá dentro. As paredes eram de chuvisco de tv. Eis então o momento mais real do meu sonho: eu deitei numa cama, olhei para a porta também de chuvisco e pedia para ele aparecer. Como se nada mais fosse realmente verdade, como se eu soubesse que tudo até então era coisa da minha cabeça e por ser coisa da minha cabeça eu podia imaginar o que quisesse. Pedia pra ele aparecer, pedia pedia pedia e nada. Então fechei os olhos, no sonho, já cansada de não conseguir vê-lo, e quando abri já era a porta do meu quarto real e a minha mãe gritando que já era hora de acordar. Que frustração. Mais um sonho sonhado pra ele em que ele faz questão de não aparecer. 

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