... Subentenda-me: Desabafo adolescente de um coração partido/ sou melhor que tudo isso/ "você desperdiçou o amor, partiu e nunca mais ligo-ô-uôu"/ Você não foi o primeiro, não vai ser o último. / Autoajuda para decepções futuras

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Desabafo adolescente de um coração partido/ sou melhor que tudo isso/ "você desperdiçou o amor, partiu e nunca mais ligo-ô-uôu"/ Você não foi o primeiro, não vai ser o último. / Autoajuda para decepções futuras

Fala sério, amor, olha só pra minha vida, olha só pros textos que eu te escrevi. Eu cheguei até a escrever um feito à mão pra te entregar caso a gente desse certo. E agora você sabe como eu me sinto? Me sinto como alguém que acabou de deixar cair um copão de milk shake de chocolate numa poça de lama. É, foi com você que eu desperdicei a doçura da vez. Pra você fazer o que? Passar por mim e fingir que não viu. Engraçado, dias atrás, nesse mesmo local, ao invés de me ignorar você me deu um beijo e me desejou bom dia. Que loucura! Fico me perguntando o que você é. Um oportunista que disfarça as suas reais intenções pra conseguir o que quer ou um ingênuo garoto disfarçado em pose de homem que não sabe lidar com o que sente, que não tem peito pra comportar um sentimento maior do que o que estava prevendo? Acredito que as opções têm um sinônimo em comum, tanto uma quanto a outra pode ser facilmente substituída pelo adjetivo "covarde". Sinto tanto.

E saiba que nada está com você. E saiba que não é amor. Não tem choro interrompido por nenhum colorido bonito, não tem delicadeza nenhuma a não ser a minha. Não tem sinceridade, encanto, urgência da sua parte, e sem reciprocidade não há amor. Há desilusão, sim. Mas isso jamais pode ser comparado com amor de verdade. Desilusão amorosa não existe, se fosse amor não teria sido desiludido. E se eu me importo? Obviamente. Vou chorar em mais algumas manhãs, no ônibus, indo pro trabalho. Vou chorar quando ouvir as minhas músicas preferidas que você estragou. Vou sentir uma dor enorme no peito quando te encontrar e fingir que nós nunca fomos nada. Vou ficar com um nó na garganta vendo os casais felizes que há pouco tempo eu via e não me sentia tão distante de viver algo parecido. 

Agora já não tenho vontade de carregar tuas bagagens. E nem você de que eu as carregue. O que fazer com o não querer do outro? Aceitar. Aceitar o teu não querer só que dessa vez com menos generosidade, com menos compreensão. Porque eu não aceito quem joga, quem atua, quem não sabe ser digno.

E eu vou continuar aqui amando a minha vida mesmo meio torta, meio doída, moída, corroída. Eu sei me reconstruir. 

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