... Subentenda-me: De um amor para outro

domingo, 14 de junho de 2015

De um amor para outro

"O amor não age com interesses; o egoísmo é falta de amor. O amor vive de dar e perdoar e o egoísmo vive de tomar e esquecer" - Sathya Sai Baba.


       Pois então, estava eu aqui tentando estudar pra prova de penal que vou ter segunda-feira, e eis que a primeira página da minha apostila apresenta esta citação. Acho engraçado como eventualmente encontramos respostas para os nossos questionamentos quando estamos distraídos. Dar e perdoar, tomar e esquecer. Talvez isso defina a minha vida até aqui, talvez seja realmente a grande definição do amor que eu sempre procurei. 

         Em 2011 eu amei muito, e jurava que era amor, e bati o pé que era amor. Enquanto todos me lembravam da impossibilidade eu dizia: É IMPOSSÍVEL MAS É AMOR! E era. Hoje eu sei que era porque quatro anos se passaram desde então, e podendo simplesmente tomar e esquecer, eu dei e perdoei. Continua sendo amor mesmo depois de tanto tempo, e será amor pra sempre porque amor não acaba nunca. Passou, abriu espaço na casa pra outro amor tão incompreensível quanto (no início). Eu sempre pensei que quando é amor de verdade, depois que passa não arruma as malas e vai embora. Quando é amor simplesmente fica. Antes ocupava todos os espaços do meu coração, agora se mudou pra um quartinho modesto mas arrumadinho, e está lá. Deixou os outros cômodos disponíveis pro meu amor novo. Um amor diferente, mas tão verdadeiro quanto. Um amor que não tomou o lugar de nenhum outro amor e simplesmente conquistou o seu próprio. 

          Em 2015 estou aqui, depois de já ter "desistido" muitas vezes dessa, enfim, novidade, e voltado atrás porque eu nunca consegui "tomar e esquecer". Acho que eu já sabia que era amor. 

          E, meu amor, agora é pra você que eu falo diretamente: eu entendo. Eu entendo tanta indecisão, eu entendo tanta insegurança e incerteza até chegarmos aqui. Entendo. Entendo porque timidamente já nadei pelos mesmos mares e sei o quão tumultuosos são. Foi difícil e por vezes considerado por mim como injusto, mas hoje eu entendo. Compreendo a sua nostalgia depois de ver um filme que coloca sobre a mesa uma história que pra você não terminou bem depois de tanto amor envolvido. Entendo porque quando se trata de amor do passado a nostalgia é inevitável.

         Mas só reafirmando: não, eu não voltaria no tempo se pudesse. E fico feliz em saber que você também não, ainda que sinta saudade de alguns momentos do seu "antes". Sei exatamente como é. Se você se deu e perdoou, sim, é amor. E eu respeito o seu amor. Como fazer o contrário disso? Como me chatear por ter existido na sua vida algo que já existiu na minha vida e eu sei o quanto foi o divisor das águas que atualmente você percorre? Se não fossem os nossos antigos amores, hoje nós não nos amaríamos. E eu sei que é de verdade, eu vejo na nossa cumplicidade e na vontade de fazer dar certo todos os dias, depois de cada desentendimento. Eu vejo a sua paciência, a minha paciência. Eu vejo o quanto nós não somos egoístas. 

        Hoje pretendo não me prolongar porque eu falo demais e retifico demais o quanto essa nossa história, depois de tantos naufrágios, consegue ser forte. Porque nós nos damos um ao outro, e nos perdoamos. Consequentemente, amamos. E eu agradeço ao seu passado, ou meu passado, por ter nos trazido até aqui, por ter nos apresentado um ao outro como realmente nos tornamos depois de tanta história e tanta vida. 

         Eu te amo com as tuas bagagens e medos e receios, porque sei que junto a tudo isso nós estamos organizado a nossa própria bagagem e depositando dentro toda a coragem do mundo. Eu te amo porque hoje, vendo onde estamos, eu não mudaria nada, nenhum choro, nenhuma agonia. Não mudaria o fato de termos ficado longe pra nos dar conta da essencialidade de um na vida do outro. E que continuemos sem mais distâncias. 

        Hoje eu agradeço ao tempo que me trouxe você, que me fez te esperar, que te fez entender que podíamos sim ser um ótimo par. Agradeço ao tempo que te manteve perto até quando quis se afastar, agradeço aos dias que foram nos preenchendo com a saudade de ter que ficar longe. Era você. E hoje eu posso dizer que, ainda que eu tenha um quartinho no meu coração pra outro grande amor, o resto dos cômodos são todos seus. Porque você é o meu grande amor, e ainda que o tempo venha a me surpreender com alguma mudança - coisa que eu espero conseguir evitar.

       Obrigada pela vida nova e pelas cores com que tem colorido os dias.


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