Outro dia qualquer negociando
Quem dá menos? Quem dá menos?
E os preços baixos são baixos também em satisfação
Entre acordos e ajustes
Entre quem manda e quem faz
Eis uma cabeça que conduz
Junto de outras cabeças,
mas diferente delas, questiona:
Como foi que os carros seguintes não viram aquele velhinho no chão?
Depois de um ônibus, mais um, mais outro e outro.
No total três.
Como?
Em que momento a distração se fez tamanha que alguém pôde ser confundido com um asfalto remendado?
E as negociações seguem
Os preços baixos que nem tão baixos pois muito acima do
mínimo do mínimo do mínimo
Pra viver.
Enquanto um banco tenta comprar barato, que nem tão barato é
Um velhinho morre na sarjeta
depois de três, não dois, nem um
Três carros e um ônibus.
No total quatro.
Ou cinco? — um ônibus vale por quantos?
Entre as cabeças pensantes que se importam, ainda, em fazer o que é preciso
pra não ter, a cada mês, nem perto do preço que não é nada baixo,
somente uma pensa, incessantemente:
Em que momento a distração se fez tamanha que alguém pôde ser confundido com um asfalto remendado?
É que o preço baixo não é nada baixo e o velhinho,
no final,
não custou nenhum centavo de atenção.
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