... Subentenda-me: Poema do preço baixo

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Poema do preço baixo

Outro dia qualquer negociando

Quem dá menos? Quem dá menos?

E os preços baixos são baixos também em satisfação

Entre acordos e ajustes

Entre quem manda e quem faz

Eis uma cabeça que conduz

Junto de outras cabeças, 

mas diferente delas, questiona:

Como foi que os carros seguintes não viram aquele velhinho no chão?

Depois de um ônibus, mais um, mais outro e outro. 

No total três.

Como?

Em que momento a distração se fez tamanha que alguém pôde ser confundido com um asfalto remendado?

E as negociações seguem

Os preços baixos que nem tão baixos pois muito acima do

mínimo do mínimo do mínimo

Pra viver.

Enquanto um banco tenta comprar barato, que nem tão barato é

Um velhinho morre na sarjeta

depois de três, não dois, nem um

Três carros e um ônibus.

No total quatro.

Ou cinco? — um ônibus vale por quantos?

Entre as cabeças pensantes que se importam, ainda, em fazer o que é preciso

pra não ter, a cada mês, nem perto do preço que não é nada baixo, 

somente uma pensa, incessantemente: 

Em que momento a distração se fez tamanha que alguém pôde ser confundido com um asfalto remendado?

É que o preço baixo não é nada baixo e o velhinho,

no final,

não custou nenhum centavo de atenção. 

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