Minha paciência cíclica rapidamente desloca do centro dos meus interesses aquilo que não me acende a alma.
Meus interesses prioritários, primários, primeiros.
Faço, então, essa roda girar mais lento quando é pra abraçar meu mundo de coisas intocadas.
Essas tais que eu própria muito afastei de mim e agora quero apanhar como um peixe em minhas mãos.
A carpa.
Quero também dizer: "ah, essa carpa está impossível!".
E tem estado impossível mesmo conter minhas entregas, minhas inspirações.
Tento acalmar o que em mim arde de verdadeiro e incontrolável impulso de viver porque ainda preciso de certo espaço pra vida que é menos interessante, mas necessária.
Tenho é vontade de correr pra recuperar todo tempo perdido, os livros não lidos, os poemas não concebidos.
Concebidos por mim, a partir de mim e de tudo que achei que não tinha mas sempre esteve comigo.
Tudo o que eu cheguei a achar que não era meu.
Quero me alcançar e me abraçar.
Quero fazer todas as colagens que não fiz.
Nunca fui pouco.
Hoje me sei tanto que me divirto nessa imensa roda gigante que defino agora como sendo "tudo o que não me deixaram ser e mais um pouco do que aprendi a ser para pagar as contas".
Ninguém precisa entender.
É compreender, sem prender.
O mistério da poesia não é transparente. Nem tudo nasce, de pronto, revelado.
Mas a carpa, não.
Ela já pulou impossível!
*Dia 07/07/25 urano entrou em gêmeos.
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