... Subentenda-me: A carpa

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

A carpa

Minha paciência cíclica rapidamente desloca do centro dos meus interesses aquilo que não me acende a alma.

Meus interesses prioritários, primários, primeiros. 

Faço, então, essa roda girar mais lento quando é pra abraçar meu mundo de coisas intocadas. 

Essas tais que eu própria muito afastei de mim e agora quero apanhar como um peixe em minhas mãos. 

A carpa. 

Quero também dizer: "ah, essa carpa está impossível!".

E tem estado impossível mesmo conter minhas entregas, minhas inspirações. 

Tento acalmar o que em mim arde de verdadeiro e incontrolável impulso de viver porque ainda preciso de certo espaço pra vida que é menos interessante, mas necessária. 

Tenho é vontade de correr pra recuperar todo tempo perdido, os livros não lidos, os poemas não concebidos.

Concebidos por mim, a partir de mim e de tudo que achei que não tinha mas sempre esteve comigo. 

Tudo o que eu cheguei a achar que não era meu. 

Quero me alcançar e me abraçar. 

Quero fazer todas as colagens que não fiz. 

Nunca fui pouco.

Hoje me sei tanto que me divirto nessa imensa roda gigante que defino agora como sendo "tudo o que não me deixaram ser e mais um pouco do que aprendi a ser para pagar as contas". 

Ninguém precisa entender. 

É compreender, sem prender. 

O mistério da poesia não é transparente. Nem tudo nasce, de pronto, revelado. 

Mas a carpa, não. 

Ela já pulou impossível! 



*Dia 07/07/25 urano entrou em gêmeos.

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