segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Uma em ponto
É tarde, passa da meia-noite e sabe aquele zumbido que fica no ouvido quando o silêncio é absoluto? Pois é. O tamanho do quarto não faz jus ao tamanho da alma, ao tamanho do querer, ao tamanho de tudo que não é meu e deveria ser. O zumbido agonia e não tem culpa por simplesmente surgir já que o barulho não existe e o silêncio é inevitável. Escrever não ajuda, mas alivia. Alivia o que mesmo? A pausa nos sentidos inerte graças ao silêncio ou à ausência? A ausência não é mais um problema, o problema é não haver problema, quando fica tanto faz. É como quando alguém decide ir embora por conta própria e você se machuca, mas o orgulho faz pensar que já que você não faz falta pra esse alguém, esse alguém também não deve fazer falta pra você. E faz? E todas as decisões feitas baseadas em um futuro instável, inseguro, valeram a pena? O zumbido continua e ausência até invoca um amor próprio tímido, acompanhado de um amor pela vida, pelas oportunidades perdidas, por aquele do passado que queria dar o mundo mas foi recursado. E nem existe arrependimento, era mundo demais pra mim. Ou será eu que era demais pra aquele mundo? Quanta prepotência! Mas justa, era um mundo pequeno, ainda. E nada facilita mesmo. Tem gente que não nasce pra viver pedante diante da vida, diante das pessoas, diante de uma verdade que não condiz com a realidade. Eu estava pedindo demais antes desse zumbido todo. Sei que às dez pra uma da manhã esse zzzzzzzzz se ameniza junto com a falta, e o sono chega, e a casa, já vazia de verdades imaginadas e querências de amor fajuto, só espera por mim. Nesse quarto pequeno, com cama pequena e já grande demais pra acomodar todas as perturbações e oscilações de humor que trago junto às roupas que me aqueceram ou fizeram sentir calor durante o dia e, há uma hora dessas, se perdem junto das roupas dos outros dias num leve tirar e num brevissímo se jogar na cama vazia. Sim, é preciso colocar toda essa roupa pra lavar.
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