"Que se rale o coração, logo essa sensação de não estar fazendo nada que eu quero se perde dentro dos meus dias. Ou melhor, logo ela acaba. Acaba junto com esse amorzinho lindo que me jogou sem dó nem piedade nessa patifaria que é a vida de quem se deixa levar pelos outros e seu embalo egoísta. Afinal, pra quê ter replay do que não presta? Do que não vinga nem na bala?! Que pegue suas noites silenciosas depois que a música acaba, junte com a vontade de conversar com alguém que não existe e coloque no lugar de tudo de ruim que sente. Não quero mais. Nem as noites pingadas das últimas semanas e nem os dias inteiros com que eu sonhei. Nem quero que leia minhas mensagens,(...) nem quero mostrar o que eu estou aprendendo. (...) Nem quero que sinta falta, eu sei que não vai sentir, mas não quero nem que leia. Eu escrevo pra mim e no máximo pro mundo ler e me fazer criar vergonha na fuça pra nunca mais chegar perto de querer entrar naquela cretinice nojenta. E se tá difícil aí pra você com toda essa necessidade que você tem de ganhar carinho, como eu já disse, pega o que sobrou e se ocupa com isso antes que a situação piore. Pega a metade popular e conhecida da missa e fica com ela. (...) Ficar com o que você gosta e com o que gosta de você não vai ser sacrifício. Sacrifício vai ser você ter dignidade pra honrar alguma coisa, mas isso não é mais problema meu. Já que estou sendo sincera, saibam vocês que dói não querer mais. Saiba você: Dói não querer mais querer algo que um dia já se quis tanto. Além de querer pra sempre, eu queria querer pra sempre. Vocês não têm idéia de como eu posso ser forte quando decido querer alguma coisa, e agora me parece que eu vou descobrir o quão forte posso ser quando decido não querer." - D.C
É, querida, eu que sempre te julguei como a louca desvairada que não superava o primeiro amor, agora entendo cada linha que transmite toda a revolta de ter vivido e de ter querido viver tanta coisa. Entendo de toda essa cretinice suja que invade até a alma. Entendo o que falta em um coração antes tão "disputado" por nós duas e hoje refém de um sorriso desconhecido que não é nem o meu nem o seu. A verdade é que o sorriso não me importa, e provavelmente não te importa também. A verdade é que nada me importa, talvez me importe apenas dizer que, é, eu entendo da cretinice pela qual você passou. Pela qual estou passando agora. A sensação de sujeira em mim, no meu corpo, nos meus cabelos, nos meus ouvidos, é maior do que a de passar um dia inteiro de baixo do sol ou suando em um ônibus lotado. Você me entende, não é? Pois bem. Se hoje você consegue ser razoável e aceitar, essa é uma virtude que o tempo te deu de presente. Talvez um dia ele também me dê. Mas agora só consigo entender da patifaria, da falta de caráter, da baixeza imensa que, por vezes, até tenta me derrubar junto, mas me mantém muito, muito acima de tudo. Não, eu não quero que meu ódio esteja acima do "amor" de ninguém. Não quero impor isso a uma mente tão pouco provida de verdade, de coerência. Eu já disse tudo o que tinha que dizer, já me desfiz de toda a sujeira que depositaram na minha cabeça, e nada dói, nada machuca. Fico admirada com tamanha proeza vinda das minhas reações, mas ainda assim sinto uma infinita vergonha do mundo, do lugar que pode ser habitado por gente assim, gente má, egoísta, infeliz. Deus não mata, mas castiga, não é?
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