terça-feira, 6 de setembro de 2011
Cuspida
Aquele momento que você começa a perceber que a vida nada mais é do que um presente ruim que você ganhou e não veio com a nota de troca. Tensão tensão tensão. Choros, medos, ataques histéricos de raiva do mundo, dos cabelos lisos, dos olhos azuis, dos sorrisos aparentemente sinceros. Eu tenho que conviver com a tensão que eu gero no resto das pessoas quando eu chego perto. Ih, se protege, ela ta chegando. O que é aquilo? Uma pedra na mão? É. Exatamente! Ninguém entende, né? Ninguém entende do meu prazer em errar, em ser estúpida, em brigar, em gritar. Ninguém consegue entender. Eu tenho que aceitar todo mundo sendo normal enquanto eu odeio a normalidade. EU TENHO, lógico. Joga nas minhas costas largas as suas frustrações, pode jogar. Joga aqui que eu aguento. Não é assim? Eu sei que eu não tenho razão, eu sei que eu sou uma infeliz desprovida de argumentos que já está em posição de defesa desde a hora que acorda de manhã. Alerta pra todos os lados. Ops, isso aqui é uma ironia? Se for, corre! Aliás, odeio esses "ias". Ironia, grosseria, antipatia. São os mais usados pelas pessoas na hora de me definir. Irônica, grosseira, antipática. Por que eu tenho que ser "ável" todo o tempo? Adorável, sociável, amável? Eu não quero, me deixa! Todo mundo critica, todo mundo pega no pé. Pô Carol, vacilou. E você não vacila nunca? Muito prazer mundo cheio de pessoas perfeitas onde eu sempre sou considerada a mais descontrolada. Você é muito gentil, sabia? Sim, eu simplesmente amo as pessoas que você coloca pra conviver comigo. Eu amo o moralismo delas, e também amo o fato de elas serem boazinhas o tempo todo. Eu amo elas nunca errarem, nossa, como eu amo a perfeição de todo mundo. Eu amo todos os avisos de que eu estou sendo injusta, eu amo mais ainda todas as expressões de desaprovação para com os meus comentários infelizes. Não, eu não faço sem querer não. Eu faço tudo intencionalmente. Todas as minhas atitudes são friamente calculadas pra que eu realize o meu objetivo de maltratar todos vocês. Juro. Eu durmo e acordo pensando no jeito de como eu vou ser cruel, todos os dias. Sim, porque a verdade é que eu não posso ficar chateada nunca, não é mesmo? Eu sou a experiência divina mandada ao mundo pra testar a paciência das pessoas e o quanto elas conseguem ser certinhas o tempo todo, educadas o tempo todo. É verdade. Eu nasci pra errar, eu nasci pra errar os erros que ninguém mais erra. Porque o mundo não poderia ser tão mau quanto eu, não é verdade? Se fosse assim, imagine só o caos que estaríamos vivendo!
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