... Subentenda-me: Agorafobia

sábado, 27 de agosto de 2011

Agorafobia

Eu tenho estado com medo dos dias. Eu tenho entrado, diariamente, na monotonia que a realidade me oferece. Sinto medo da rua, sinto medo dos enfeites nas pessoas, das maquiagens, das máscaras. Não gosto de barulho, a multidão me assusta, as boas intenções me parecem falsidades e um costume forçado pra ser bonzinho sempre, conquistar pessoas sempre. Eu não convenço ninguém, eu não me convenço. Convencer dessa coisa que as pessoas tentam sempre quando gritam e esperneiam indiretamente pedindo o mínimo da atenção do mundo, dessa ligeira e indispensável alegria que todo mundo tem de gritar  o quanto é feliz, traduzindo em: "Tá vendo, mundo cruel, você ainda não me derrubou". Adianta? Não sei. Só sei que o meu estômago revira, e a vontade de sair correndo pra um outro mundinho onde eu não precise ser hipócrita com as minhas próprias emoções vem dilacerando. Eu não sirvo pra ensaiar boas atitudes e boas preocupações com quem não se preocupa. Eu não sirvo pra subir escadas perto de quem parece ser bom demais, sempre fico com medo de cair. Eu não sirvo pra ser sempre a madura dos conselhos bons, a moleca que faz o meu todo mundo rir. Quase sempre eu só sirvo pra isso, e não quero servir. Eu também sou garotinha que chora, que chora e não sabe porquê. Que escreve pra jogar fora isso tudo que me entope e eu não posso vomitar pra todo mundo ver. Dessa vez não falta ninguém, dessa vez eu posso escolher entre todas as minhas possibilidades de ser feliz apenas a necessidade de ficar só. Não tenho precisado de sorrisos, nem dos meus. Não tenho precisado de galanteios fajutos pra me sentir mais qualquer coisa. Só quero ficar aqui, agora, vendo um filminho bom.

Nenhum comentário:

Postar um comentário