... Subentenda-me: Mulher de quarenta.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mulher de quarenta.

Eu me comporto feito gente grande, eu tenho vontade de ser gente grande. Ser mulher. Não uma mulher de vinte, de trinta. Quero ser mulher de quarenta que já viveu e já foi feliz às pencas. Quero ser mulher de quarenta em alma, espírito, leveza. Nunca em rugas. Quero ser mulher de quarenta segura. Quero ser mulher de quarenta que encontra amores, que conta amores, que vive amores. Mulher de quarenta que vive nas águas da vida que viveu e sente falta, nas águas da vida que ainda vai viver e sentir falta. Quero ser mulher de quarenta com toda a graciosidade do quatro unido ao zero. Quatro sempre foi um número jovem, sempre remete a um leve teste de alcoolismo que na juventude impera. O zero é redondo, como os tantos ciclos da vida de uma mulher de quarenta. Quero ser mulher de quarenta que não explica porque já sabe demais. Quero ser mulher de quarenta pra ter vivido muito, mas não ser um meio século. Ser mulher de quarenta quando penso na velhice que já me abraça tão jovem, e na juventude que me abraçará quando eu tiver quarenta.

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