quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Ah, 2011...
A verdade é que a gente sempre acha que sabe, que conhece, que entende, e nunca é assim. Eu achei que sabia, que conhecia, que entendia. Bobagem. O ano começou com as minhas mais lindas e infantis perspectivas, a minha falsa maturidade e mais umas pessoas queridas. Agora o ano acaba com um choque de realidade, porque nem tudo é lindo e os meus sonhos infantis são e sempre foram pura fantasia. Não sou tão madura quanto eu achava que era, afinal, eu ainda tenho 16 e uma falta de letramento momentânea que me dá nos nervos, bem na hora que eu preciso dizer umas verdades pra quem tem toda a superficialidade do mundo disfarçada em uma cabecinha aparentemente inteligente. Pessoas queridas não foram queridas por muito tempo, só enquanto eu pude ser útil e não falar muitas besteiras. Ninguém atura ninguém que é muito diferente, ninguém culto e bastante elegante vai saber aturar uma alma do avesso feito a minha. Eu entendo. Entendo que é preciso não ser egoísta e não pensar nas suas satisfações pessoais caso você queira mudar alguém. Ninguém realmente vai querer o bem de uma pessoa se essa intenção for pra sua própria conveniência, seja porque não aguenta mais a risada extravagante, ou a voz com um tom irritante. Uma pessoa quer o bem da outra quando pensa no que a melhora pode beneficiar na vida de quem se pretende mudar. O ano tá acabando e eu consegui cair na real nos 45 do segundo tempo. Cair na real pra perceber que sinceridade não é sinônimo de honestidade, e que ser honesto é muito mais nobre do que nomear assim o comportamento impensado de sair por ai falando o que quer. Honestidade é algo necessário, sinceridade é algo a ser encaixado, poucos sabem disso. Não sou honesta quando tento expor tudo o que não me agrada, o que sei e o que é certo na minha ótica, o nome disso é prepotência. Os honestos não mentem. Não mentir também não significa ter que falar a verdade o tempo todo, ocultar é preciso e importante caso você não queira machucar alguém com seus espinhos venenosos. Meus defeitos são insuportáveis, eu sei. Sempre grito e perco o controle, mas me recuso a falar verdades que machucam e justificar como sendo um simples descontrole de sinceridade. Eu realmente caí na real, caí o suficiente pra não pedir que fique quem já está querendo ir. Eu aceito a realidade de que eu sou tão só quanto eu não gostaria de ser. Sempre aceitei tudo e tão passivamente. Aceitei as denominações dadas por quem não sabe o que eu realmente sou, aceitei brincadeiras de mau gosto que me fizeram testar a paciência. Aceitei mas desisti no tempo certo, deixei que fosse embora quem já estava, na verdade, pedindo pra sair. Eu preciso do que me faz bem, do que me quer bem. Aprendi agora, acordei. Eu quero a minha amiga de Floripa sempre me alertando, me fazendo pensar, morrendo de preocupação quando eu desequilibro, e sendo mais presente longe do que gente que tá perto e finge se importar. Eu quero o meu amigo paraense que mora em Goiânia me aproximando de Deus, me mudando pra melhor. Eu quero a minha sobrinha falando: "BO DIA, BO DIA". Eu quero a minha mãe sentindo raiva de todo mundo que me faz chorar sem ser julgada por tomar as minhas dores só porque é minha mãe. Eu quero até o meu pai sempre carne de pescoço porque ele pode, é meu pai. Eu quero ficar em casa estudando e provando pra mim que eu consigo ser capaz de fazer bem mais do que me julgavam. Eu quero de novo olhar a minha prova de química e pensar: "ah, o doce sabor da vingança", porque eu sabia tudo. Eu quero dizer que o que não me faz bem não me faz falta e não sentir falta mesmo. Eu quero isso. Eu quero não precisar, não me magoar, não ter que gritar pro mundo os meus motivos porque eu passei grande parte do tempo aceitando os motivos dos outros e agora não é hora de tentar convencer ninguém dos meus. Eu sei deles, basta. E que venha mais um ano de falsas maturidades, fantasias e pessoas queridas. Eu aprendo e sempre acabo tirando a nota que preciso pra passar de ano.
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