... Subentenda-me: Jusqu'à Toi

domingo, 15 de janeiro de 2012

Jusqu'à Toi

Não é o título brasileiro, obviamente, mas achei que a tradução pra Jack e Chloe não significasse tanto e também não transmitisse a essência que eu senti quando vi: um sei lá o que chique e francês. Há tempos os filmes românticos não me afetavam mais, há tempos eu achava tudo banal e improvável. A grande maioria é improvável, mas já quanto à banalidade, talvez eu é que tenha me tornado um tanto quanto banal. Ou quem sabe o contrário, os filmes são banais e melosos e tolos, quando quem se tornou improvável fui eu. Até você? Até eu? Quem diria, até eu. Me deparei com um filme do tipo que me repelia e me repeliu durante muito tempo. É, não sei. Basicamente trata-se de uma mala extraviada e da criatividade ou fantasia de alguém que acha que o amor pode mesmo vir de qualquer canto, de qualquer lugar do mundo. Coitado, Jack passou um bom tempo sem notícias da mala, sem ter como voltar pra América. Chloe recebeu a tal mala depois de descobrir que seu peixe havia morrido. Talvez, em um primeiro momento, eu tenha sido fisgada por essa historinha boba só porque a Chloe me lembra eu. Cheia manias, meio antissocial. Ela abriu a mala dele, se apaixonou pelas coisas dele, principalmente por um livro que ele carregava e coincidentemente era seu livro preferido. Ela até tentou, procurou, mas nada aconteceu. Ela já estava meio desacreditada, pois mesmo que o Jack parecesse com tudo o que ela sempre quis, ah, era improvável demais. A mala chegou, junto com fotos de Chloe. Bem, fora todos os outros detalhes adicionais que me fizeram apaixonar, o filme é lindo, simplesmente lindo. Não porque ele se dispôs, não porque eles se dispuseram, é só lindo. Bonitinho o sotaque francês dela quando fala o inglês dele, bonitinha a trilha sonora, bonitinhos os medos dela, bonitinhas as coisinhas dele. Mais bonitinho ainda é o final quando eles se encontram na rua, depois de ela ir atrás dele. "E o que a gente faz agora?" "Nada. Não é isso que os casais fazem?" "Nada?" "Sim, nada. Mas olha pelo lado bom, podemos não fazer nada juntos". Bonitinho do jeito que eu não conseguia ver faz tempo. Ah, acho que é tudo muito imprevisível mesmo, os filmes só trabalham com o lado bom de toda imprevisibilidade. 


É que às vezes a gente deixa de ver o lado bom das coisas.

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