domingo, 22 de janeiro de 2012
Chorar
Vontade de chorar por tudo. Por tudo o que deu certo, por tudo o que não deu. Vontade de chorar um choro bom, um choro ruim, qualquer choro, só chorar. Não sei porque me agrada tanto, não sei porque me conforta. Chorar porque eu superei aquele exercício de matemática e também porque já consigo entender perfeitamente a segunda lei da termodinâmica. Chorar de saudade do meu primeiro namorado e da gravação que ainda está no meu celular. Chorar de raiva porque foi o meu único relacionamento de verdade, e infelizmente, o que menos me causou danos. Sim, porque é chato ver que o que mais te machucou não foi de verdade, nem chegou perto de ser. Posso chorar por tudo que me fizer sentir qualquer coisa, posso chorar pelo que não é meu, chegou bem perto de ser e eu quis muito que fosse. Chorar porque eu amo, amo muito. Amo a minha mãe, amo os meus amigos de perto e de longe, amo a minha sobrinha de dois anos que chora sempre que eu digo que vou embora. Chorar porque é bom amar e saber que tem amor que não importa a circunstância, sempre vai ser amor. Vai ser amor aqui ou na América do Norte. Vai ser amor em Nova Jersey, Florianópolis. Sim, vai ser amor. Ainda assim, com todo o amor do mundo, quero chorar. Quero chorar de medo, medo de não conseguir, medo de não aguentar, medo de falar com a atendente do call center da tv a cabo. Só chorar. Chorar porque nenhum lugar da casa me conforta, nem em cima da pia da cozinha, nem na área de lavar. Chorar cantando Pato Fu. "Vai vai vai vai vai tempo amigo, seja legal. Conto contigo pela madrugada, só me derrube no final". Chorar pelo filme que eu vi hoje de manhã, pelo filme que eu vi hoje de tarde, pelo sonho que eu tive ontem a noite. Chorar de felicidade, de insatisfação, de saudade, de receio. Chorar por todos os físicos, matemáticos e químicos do passado, que fizeram questão de me dar três motivos muito bons pra fazer isso. Chorar pela incerteza de tudo, pela vontade de tudo. Chorar pelo orgulho que eu quero dar, pelo orgulho que eu quero sentir. Chorar, só chorar. É de graça, não paga imposto e se for feito com descrição, ninguém vai julgar, ninguém vai incomodar. Dá mesmo vontade de chorar por tudo, por não poder dizer pro mundo não encher o saco, porque o mundo é chato demais e cheio de gente má, hipócrita e moralista. É, chorar porque eu não aguento ver que muita gente consegue ser feliz ou pelo menos achar que é, mesmo sabendo que muita gente também sofre a custa de toda essa felicidade. Chorar pelo egoísmo de todo mundo que só repara no seu amor, na sua vida, no seu dinheiro, no seu carro. Então, só chorar. Eu não posso dizer nem 30% do que eu penso porque não é socialmente aceito pensar tantas coisas tristes sobre tudo e todo mundo, acreditando que, sim, é a realidade. Pois é, chorar. Chorar porque tem gente que não merece crueldade sendo justificada como sinceridade. Chorar por todo mundo que faz alguém se sentir menor só pra camuflar a pequeneza de si mesmo. Se esconder nas maldades, futilidades. Chorar por todo mundo que fica com a consciência tranquila mesmo sabendo que está fazendo tudo errado. Chorar pela falta da minha única amiga que não mora perto, pela vontade de ter um amor de verdade que nunca chega, só ameaça. Chorar. Chorar pelo ultimo capítulo da novela mais linda que eu vi na vida. Chorar de saudade daquele cheirinho que não é mais meu. Chorar pelos tantos outros motivos que eu esqueci porque estou chorando agora.
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