Se eu tô mal? Bem... Tenho que confessar que pra ficar maravilhosamente bem ainda vai demorar um pouco. Mas mal, mal, mal... Podre, em caquinhos, querendo morrer... Não, não estou.
Surpresa talvez, um pouco tonta pelo baque tão repentino. Porém apesar de estar surpresa, o que aconteceu é algo que já era bastante possível.
E o que aconteceu afinal?
Sem mais delongas, meu namoro acabou.
Foi um baque repentino, sim, porque apesar de já viver em um relacionamento conturbado há algum tempo, ter sido ontem me surpreendeu. Ter sido ontem e ontem ter sido o dia seguinte de dias anteriores, muito agradáveis até, me surpreendeu.
Me surpreendeu que às sete e meia da manhã ele tenha conversado com a minha mãe dizendo que me amava. E algumas horas depois confessar diante de mim que esse amor nunca existiu. Isso sim foi algo realmente surpreendente.
Que a gente não dava certo por ter ideias e objetivos diferentes eu já sabia, mas se eu tava aguentando aquele ser como minha companhia diária, e acreditando que seria assim pra vida toda, é porque no mínimo eu respeitava o amor que existia entre nós.
Mas que porra, hein!
Se eu soubesse que não tinha amor eu já tinha terminado faz tempo. Já amei sozinha algumas vezes antes, mas caramba, hoje em dia já não estou mais disposta a isso não.
Enfim, ele acordou um dia, tomou coragem e decidiu acabar com o fingimento. Amém. Então isso não me faz sentir nada culpada por ter confidenciado no dia anterior pra minha melhor amiga que quando aquele caso antigo passou por mim meu coração bateu um pouquinho mais forte.
Se meu coração bateu um pouquinho mais forte por outro alguém enquanto o meu namoro falso ainda estava acontecendo quer dizer que eu não o amava também? Ah... Eu queria muito poder dizer que não, que eu não o amava! Queria mais que tudo poder dizer que também fingi esse tempo todo. Mas infelizmente era amor.
Era um amor não muito saudável, eu admito. E admito meus erros, mas reconheço todas as características dele que indicavam desde sempre que ele não era pra mim. Mas era amor. Era amor porque eu ignorei tudo isso, porque eu não medi esforços. Era amor porque só sendo amor mesmo pra eu alucinar de ciúme ou possessividade. E eu sei que era um erro tremendo, e que talvez o amor seja algo muito delicado e leve pra justificar minhas atitudes por vezes exageradas. Mas era amor. Era amor porque eu não pensava duas vezes pra ir correndo quando ele me chamava e precisava de algo. Porque eu me virava do avesso. E se eu fui ciumenta e possessiva, pra mim isso só queria dizer que eu também queria receber aquilo de volta. Aquela atenção, aquele primeiro lugar que assumia pra mim. Também queria ser a primeira na lista de prioridades dele.
Bem, era amor. Mas era amor pelas razões erradas. Amor meio tóxico. Era amor porque eu queria loucamente ser amada e não era. Era como se eu tivesse me apossado dele como um experimento pra me amar de volta.
Era um amor errado. O meu por ele. No fim isso só queria dizer que internamente eu só fazia implorar pra ele me amar também.
E ele não amou.
Parece que no momento em que ele disse isso todo esse tempo se reduziu a nada. Todos os esforços pra fazer um relacionamento dar certo se reduziram a nada.
As músicas, os filmes, os nossos lugares. Tudo perdeu o significado instantaneamente.
Ele sabe que eu jamais o feriria. Mas isso não foi o suficiente. E como ele disse: gostar não é o suficiente.
Ele queria mais. Eu também queria mais, mas nunca tive a coragem pra admitir isso. Ele teve. Ele passou na minha frente. Ele ignorou os inegáveis bons momentos e me disse a verdade. Não era amor!
Se eu choro por que não era amor? Não! Eu choro porque fui covarde pra não admitir primeiro que eu já sabia que não era um "amor" bom. E choro porque me contentei com o não amor dele.
Choro porque me sinto usada. Choro por ter colocado as necessidades dele na frente das minhas. Por me humilhar durante inúmeras brigas.
Choro por querer a todo custo ter sido suficiente pra alguém que nunca foi suficiente pra mim.
Choro porque me dediquei a amá-lo mais do que a qualquer outra coisa.
Choro porque eu quis acertar. E porque tentei fazer isso dos jeitos mais errados possíveis.
Choro porque exagerei na dose.
Choro porque reprimi uma parte de mim.
Choro porque me enganei. Eu não me amava do jeito que achava que me amava. Cheguei a achar que só amava ele porque me amava antes. E não. Eu o amava primeiro porque queria que ele me amasse. Eu não fazia isso por mim. Quis passar essa responsabilidade pra ele.
Esse. Foi esse o erro!
E eu que sempre achei que eu me bastava. Como pode? Eu que sempre me coloquei no topo da minha lista, de repente me enganei e fui pra ele o que eu nunca fui pra mim mesma.
Acho que ele foi aquele relacionamento que todo mundo precisa passar pra amadurecer. E hoje, no primeiro dia que começo e termino sendo novamente solteira, já tenho condições pra reconhecer isso.
Reconhecer que foi amor, mas amor errado. Que eu precisava amar errado assim pra estar pronta pra amar melhor. Mas eu sei que antes disso um longo período de aulas intensivas sobre como recuperar meu amor próprio se inicia hoje.
A partir de hoje o tempo é só meu e não me interessa a ideia de me apaixonar outra vez. A partir de hoje vou voltar a me dedicar às coisas que eu já tinha esquecido que gostava, aos amigos que deixei de lado.
Uns dias serão mais difíceis do que os outros. Eu sei que ainda vou chorar e sentir o meu coração comprimindo. Eu sei que vou sentir falta de alguns dos atributos de ter um relacionamento sério. Eu sei de todos os contras.
Dos prós eu só sei que estou otimista. E aliviada. E tranqüila pra tudo o que ainda está por vir.
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