... Subentenda-me: Centro-oeste

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Centro-oeste

Não tenho medo de morrer,
O meu medo está em não viver.
O meu medo está em não poder ficar grudada, deitada
Morta em cima do seu peito
Bem naquele dia de chuva branda
Que cai lá fora, mas está bem chovendo dentro da gente.
E eu estaria morta em cima do seu coração pulsante
Por não existir mais vida além dalí.
Além do peito pálido, magro,
E dessas mãos tão bonitas que eu sonho que me toquem.
De morrer só sei que morro mais, porque não vivo
Não deito, não ouço.
Tampouco espero carinhos na madrugada fria de nós dois.
E vivo sem viver
E vivo com você aqui, mas tão lá
E mais lá sem mim.
E você sorri esse sorriso tão manso, que acalma.
Coisa de quando o dia está quase pra acabar e a gente se eterniza alí.
E eu o espero além do fim.
Se acabar amanhã e eu continuar esperando,
Estarei viva, mesmo não estando.
Eu morro contigo, meu bem.
Dessas coisas tão lindas que dizes,
Desses planos tão lindos que fazes
Desses olhos que, de tão longe, penetram, invadem,
E chegam perto.
Mais perto do que quando estou perto de outros olhos quaisquer.
Se você me espera, querido, eu digo:
Estou chegando devagar.
Ando para o sul, você para o norte
Lá pelo centro-oeste a gente se encontra.

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