... Subentenda-me: São os hormônios, querida.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

São os hormônios, querida.

Não se surpreenda com esse meu jeito, com essa minha compulsão em me mover a cada três segundos. Com as minhas gargalhadas, com a forma que eu te faço rir, que talvez às vezes pode parecer forçada, intencional, quando na verdade é inevitável, espontânea. Não me diga tantas verdades, ou me diga, não sei. Eu não me entendo. Às vezes quero ouvi-las, às vezes quero ocultar tudo que é real e viver no meu mundo de mentiras. Onde nada é mentira, são apenas desejos. Não quero parecer nada, pra ninguém. Nem quero parecer algo pra mim mesma porque sei que, mesmo sendo verdade, o meu exagero vai transformar em ilusão. Não se surpreenda se a qualquer momento eu levantar, sair, e bater a porta, frustrada, por um motivo que eu mesma desconheço. Sou do tipo que às vezes acorda feliz e em seguida entristece. Às vezes me sinto superficial por dar importância a coisas banais. Às vezes me sinto como algo banal. Às vezes sinto como se eu tivesse nascido pra viver dirigindo sem rumo. Às vezes sinto como se tivesse nascido para perpetuar em um lugar. Pelas pessoas que o rodeiam ou pelo contraste da luz do fim do dia, que bate na janela e que deixa um corredor iluminado com uma cor meio dourada, que me faz querer ficar olhando pra sempre, mesmo sabendo que nem sempre o contraste dessa luz é do mesmo jeito todos os dias. Também sinto como se eu tivesse nascido pra viver olhando o mar, eu me identifico. Me sinto como sendo uma onda. Primeiro calma, depois atordoada, depois muito agitada, depois violenta, e, quem sabe, no final voltando pro início desse ciclo. É um problema minha instabilidade. É um problema essa minha vontade de querer sempre fazer algo, sem nunca saber o que é. É um problema a minha impulsividade, a minha inconstância, a minha obsessão por querer saber de tudo um pouco que me faz não saber sobre quase nada. Parece pertencer a mim o desejo de mudar de sentimento, de mudar de humor, de mudar de astral. Enquanto acontece, me passa o desejo de não mudar em nada, e permanecer com os mesmos sentimentos, o mesmo humor e mesmo astral. Quando enfim permaneço, me sinto presa em um pote de vidro observando a minha própria vida cheia de indecisões, louca pra que eu volte a ficar sem saber o que eu quero para ela. E no final, eu não me surpreendo comigo quando eu sinto essa angústia de querer viver tanta coisa e continuar no mesmo lugar, mesmo sabendo que isso, na verdade, também é o que me faz estar em constante movimento.

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