quinta-feira, 31 de maio de 2012
Boa noite, boa noite
Nunca mais apareça, nunca mais me faça esquecer essa impossibilidade de ter você. Não cante pra mim, não aumente o volume do som. Nunca mais, nunca. Não me sorria bonito, não deite a cabeça no meu ombro e finja que está dormindo. Não me faça sentir seu hálito bom. Não insista pra me ver só de tempos em tempos. Não me deixe mais ficar sujeita a tudo que sabe que posso sentir por você. Não me dê de presente um mês lembrando da gente. Não ria comigo, não me acompanhe mais. Fico feliz por todos esses anos, fico feliz por ter tido você por perto, mas hoje eu decido: te quero longe. Te quero longe da minha janela e das pedras que um dia você jogou nela. Te quero longe do meu corredor, dos meus degraus. Te quero longe da minha mesa, da minha sacada. Te quero longe do banco em baixo do meu bloco. E não me lembre mais com o seu sorriso todas as vezes que eu o provoquei. Esqueça meu número quando não estiver feliz. Esqueça as ruas, as canções. Esqueça de prometer que vai ficar quando não houver a intenção. Suma. Suma da minha valsa e da minha música preferida. Suma da minha cabeça agora, e principalmente quando eu passar pela tua janela. Suma do carro preto que eu insisto em checar se está na garagem. E se eu estiver louca, não me atenda. Se eu te quiser, recuse. Se eu te abraçar, me empurre. Se ler, sinta-se culpado. Cresci te sabendo, te vendo, te admirando, te ouvindo. Cresci te amando e você não sabe. Nem eu sabia. Não me chame porque eu vou, e você sabe. Me deixe arrumar alguém, sinta ciúme. É tanto pra amar, tanto pra aprender e você não vai estar aqui pra me ensinar.
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