Estou sem um propósito, agora, sentada no chão gelado e pensando sobre o que, de fato, me corrói por inteiro e merece ser descrito por mim em algumas muitas linhas. Pois então, analisando bem, não estou corroendo nada, pra ser sincera estou corroída. Cética, descrente, ausente de mim, meio morta, meio torta, meio... jogada no chão pensando no que eu ando fazendo da vida e no que a vida anda fazendo de mim. Ah, como eu odeio as minhas lamentações, como eu odeio o meu mimimi. Mas se tem uma coisa que eu posso dizer é que eu virei isso tudo: um mimimi, um não me toque, um "não fale comigo enquanto eu estou olhando pro nada", um monte de desaforos, uma tristeza hipócrita, um alguém que finge sentir cócegas o tempo todo pra dispensar as perguntas. Mas, em meio a tudo isso, dá vontade de ser tanta coisa, só pra esquecer, ignorar, viver bem com as cócegas que me faço até acreditar que estou rindo porque o mundo não é tão preto e branco quanto parece. Pela primeira vez - pra minha felicidade e total admiração pela minha mais pura independência sentimental - não é pela falta de alguém. Quanto a isso digo apenas que reconheço o valor de sair a noite, ser um pouco feliz, dar algumas risadas, sentir um outro cheiro, ouvir certas músicas e beijar certas bocas. Mas sinto que ainda não estou preparada para o desprendimento e dedicação, o momento é outro, os desejos são outros, e as erupções também. Acho que finalmente eu me encontro em uma estabilidade antes tão almejada, e o fato de eu ser um mimimi, estar corroída e lamentar alguns arrependimentos só ajuda nessa tal estabilidade, o que é muito contraditório quando comparado a outros momentos da minha vida, mas aproveito o avesso de toda uma inquietação anterior pra me sentir mais segura em dizer que não preciso de mais nada que antes eu julgava precisar pra me sentir mais feliz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário