... Subentenda-me: Pra você

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Pra você

Bom dia, hoje não acordei muito cedo, fui dormir meio tarde ontem, e nem foi porque fiquei até tarde vendo tv ou lendo algum texto da faculdade. Fui dormir tarde porque o sono não vinha e eu aproveitei pra pensar em você. Por isso estou te escrevendo agora. Fico muito feliz em saber (ou querer acreditar que sei) que você se importa com o que eu escrevo, que você lê e que quando termina sorri bonito e pensa no quanto é bom pra você que exista alguém no mundo que sinta o que eu sinto, que sinta como você também sente. Antes de eu te conhecer, em uma das minhas lamentações sobre a tristeza de não saber em que parte do mundo estava o amor da minha vida, a minha melhor amiga me surpreendeu com uma coisa bonita: disse que eu sinto, e que ela não conhece ninguém que sinta mais do que eu. Ela não conhece ninguém que sinta a tristeza e a felicidade mais do que eu consigo sentir. E eu parei pra pensar em uma coisa que eu tinha esquecido de relacionar: aquela lamentação não era só uma lamentação, era o meu sentir. Esqueci que quando a gente senta e chora e se odeia a gente só está sentindo à flor da pele. Eu sou essa pessoa, eu sempre senti muito, tudo. Eu sempre consegui alcançar coisas lá no fundo, coisas alheias ao que comumente se consegue observar, absorver. 

Depois dessa conversa, mais uma vez, parei pra pensar se existia alguém no mundo que sinta como eu. Alguém que consiga se sentir verdadeiramente feliz com coisas mínimas. Alguém que se questione, alguém que se sinta insatisfeito mas que depois reflita e volte a valorizar numa intensidade muito maior tudo o que tem, todos que tem. Alguém que se divirta com piadas toscas e que não se importe em parecer só mais um palhaço extrovertido que todo mundo critica por não saber da sua profundidade. Alguém que saiba reconhecer gente de verdade e que saiba permanecer. Alguém que se indigne e se incomode com injustiças. Alguém que conquiste o amor de todo mundo sem precisar fazer tipo, sem precisar subir num pedestal, apenas sendo o que é e gostando das coisas que gosta porque quer, e aprendendo a gostar do que gostam os que gosta. Alguém que saiba falar sério quando necessário, e que saiba ter bom humor, sorrir, e dar motivos pra que os que estão perto sorriam também. 

Eu sempre me considerei desse tipo de gente, e quis comigo alguém exatamente assim. E então apareceu você que não é uma cópia de mim mas veio com sinuosidades que se encaixam às minhas. Apareceu você que se orgulha do que sou e que conhece cada jeito meu, e que me olha e se admira com as minhas expressões e pensa "nossa, como eu amo cada detalhe, cada defeito dessa mulher", assim como eu faço quando te observo. Você que não me sufoca porque sabe que me tem. Você que continua sendo você, e me fazendo continuar a ser quem eu sou, mantendo a nossa individualidade mesmo nós nos compondo tão bem como um só. Você que é como a minha casa, e não me incomoda e me acolhe e é o melhor lugar do mundo. Você que me faz entender agora porque valeu tanto a pena as minhas lamentações, os amores frustrados, os erros, as ressacas por causa de todos os fins. 

Você que é tão importante e tão lindo e tão feito pra mim que me fez esquecer do ridículo, me motivando a te escrever com tanto amor como se eu já te conhecesse, como se você já estivesse aqui. Você que, na verdade, não está aqui mas está por aí assim como eu esperando o dia em que a gente vai finalmente entender a trajetória, o passado. Você que vai ser comigo o que eu espero que seja, esperando de mim tudo o que só eu vou saber te dar. Você que mesmo sem ter aparecido merece desde já um texto escrito com todo o amor que eu estou te guardando há tempos. Você que talvez já esteja perto, ou muito longe, mas que está caminhando até mim. Você que me motiva a procurar, a chorar por todos os caras errados na esperança de que esses caras errados sejam ou me encaminhem pro cara certo que é você. Você, que fará valer a pena as minhas noites de insônia, os meus textos com verbos no passado mesmo eu ainda estando no presente e as minhas cartas sem destinatário. 

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